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Novembro azul: 5 hábitos do homem para ter mais saúde


Publicado em: ExternasNotícias - 7 de novembro de 2018

*Guilherme Gurgel

Embora não haja uma política de saúde voltada às especificidades de pacientes masculinos e eles não tenham o costume de se consultarem, são os homens os que mais morrem, seja por causas cardiovasculares ou pela violência urbana, por exemplo. Segundo o professor do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG, Daniel Xavier de Lima, o principal agravante é a falta do autocuidado.

Por isso e pensando no “Novembro Azul”, mês em que diversos países aderem à campanha de estímulo à prevenção do câncer de próstata e ao cuidado integral do homem, o professor aponta alguns hábitos que esse grupo pode adotar para uma melhor saúde.

1 – Cuidar da higiene genital

A higiene genital masculina também é uma forma de prevenção do câncer de pênis. Segundo o professor, homens com higiene precária apresentam maior risco de desenvolver o câncer ou outras complicações infecciosas. Ele explica que a inflamação crônica causada pelo acúmulo de secreções no pênis pode ter um efeito cancerígeno. O mecanismo biológico exato dessa predisposição não está claramente definido, mas há uma associação comprovada entre má higiene e desenvolvimento do câncer de pênis.

“Basicamente, o homem deve lavar sua genitália com água e sabão. Caso não consiga expor bem a glande, deve procurar atenção médica para resolver a situação, de forma que possibilite a higiene adequada”, explica Daniel

2 – Prevenção do câncer de próstata

Foto: Carol Morena

O câncer de próstata é muito frequente e também responsável por grande número de óbitos em todo o mundo. “Infelizmente, nas fases iniciais, não há sintomas que possam indicar sua presença. Muitos homens só procuram a atenção médica em fases mais avançadas, quando não há mais chances de cura”, afirma o professor.

O exame de rastreamento para o câncer de próstata é recomendado para homens entre 50 e 75 anos de idade. Segundo o professor, quando há história familiar positiva para esse tumor, especialmente nos homens de cor negra (onde há maior incidência), recomenda-se iniciar os exames mais cedo – aos 45 anos de idade, de forma anual.

As campanhas de conscientização têm apresentado grande impacto nos últimos anos e cada vez mais os homens procuram fazer avaliações periódicas. “O preconceito contra o exame de toque retal já não é visto com frequência nos consultórios e muitos pacientes têm sido tratados com sucesso, a partir de um diagnóstico precoce”, revela Daniel.

3 – Cuidados na vida sexual

O principal cuidado na vida sexual, não somente dos homens, é a prática de sexo seguro, ou seja, com uso de preservativo. “Assim é possível evitar a AIDS, sífilis, HPV e outras infecções. Por isso é fundamental que os jovens recebam informações e esclarecimentos antes do início da vida sexual”, esclarece o professor.

A disfunção erétil é outra questão que afeta a vida sexual dos homens. Mesmo que não ameace a vida, traz grandes impactos psicológicos. O professor Daniel afirma as causas podem ser hormonais, vasculares, neurológicas e psicológicas. O tratamento deve sempre ser precedido por uma avaliação urológica adequada, sendo direcionado à causa. “Algumas situações favorecem a disfunção erétil, como o tabagismo, o etilismo e o diabetes, por exemplo”, completa o professor.

De acordo com Daniel, estima-se que aos 50 anos de idade, quase metade dos homens apresentam algum grau de dificuldade de ereção. O impacto psicológico dessa condição deve ser abordado por um tratamento integrado. Ou seja, além do tratamento urológico, recomenda-se que façam acompanhamento com psicólogo.

4 – Consumo de álcool e cigarro

A pesquisa Vigitel, divulgada pelo Ministério da Saúde, aponta que a prevalência do consumo excessivo de álcool, observada em 2017, é maior em homens (27,1%) quando comparado às mulheres (12,2%), por tanto, aumentando a chance de desenvolverem problemas de saúde relacionados a esse hábito.

“O tabagismo e o alcoolismo estão relacionados com risco de doenças malignas urológicas, como o câncer de bexiga e o câncer renal, além de poderem contribuir para a ocorrência da impotência sexual”, afirma o professor. Por esses motivos, ele defende a necessidade de combater estes hábitos, principalmente entre os homens, onde o abuso das substâncias é culturalmente associado à masculinidade.

5 – Visitas regulares ao médico

O hábito de procurar o médico não é comum entre os homens. Segundo Daniel, múltiplas causas tentam explicar esse fenômeno, como fatores culturais e também econômicos. “Alguns homens pensam que não podem faltar ao trabalho para ir ao médico, pois se sentem como provedores da família e não querem comprometer esse papel”, explica.

Eles negam atenção à própria saúde, sem perceber os riscos da negligência. Para o professor, o diagnóstico precoce de algumas doenças, como o câncer de próstata, é essencial para um tratamento efetivo. Caso o homem procure ajuda profissional só quando os sintomas estão acentuados, é possível que já esteja com alguma doença em quadro avançado. Por isso, a importância de visitas regulares ao médico.

O professor acrescenta que é por meio da abordagem dos pacientes mais jovens, que o urologista pode ajudar a esclarecer sobre doenças sexualmente transmissíveis, uso de drogas, prevenção de gravidez e tratamento de doenças, como fimose, ejaculação precoce, entre outras. “Assim, recomenda-se que a visita ao urologista seja feita desde a puberdade”, conclui.

*Guilherme Gurgel – estagiário de Jornalismo

edição – Deborah Castro

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