Estudos indicam relação entre a convivência contínua com ruídos em excesso e ocorrência de doenças cardiovasculares e distúrbios do sono

Os impactos da poluição sonora para a saúde foram tema de discussão no 2º Congresso de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da UFMG nesta sexta-feira, 20. Na palestra “Mapeamento do Ruído Urbano e Seus efeitos à Saúde da População”, a fonoaudióloga Karina Mary Vianna, apresentou seu estudo sobre os impactos do ruído no distrito de Pinheiros, região oeste da cidade de São Paulo. Os resultados revelaram que quase metade da população da região sente um alto grau de incômodo para realizar atividades cotidianas.

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Karina Mary Vianna apresentou seu estudo sobre os impactos do ruído para a saúde. Foto: Larissa Rodrigues

Segundo Karina, a poluição sonora é caracterizada pela emissão de sons e ruídos em níveis que incomodam pessoas e animais e que prejudicam a saúde e as atividades humanas. O problema, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, pode ocasionar doenças cardiovasculares, comprometimento cognitivo, distúrbios do sono, além de zumbido. No Brasil, a especialista explicou que ainda é difícil fazer um mapeamento para fiscalização da poluição sonora, pois a regulação existente não é compatível ao crescimento urbano.

Por isso, o estudo realizado pela fonoaudióloga teve o objetivo de mapear a poluição sonora em uma região de São Paulo, para que pudesse ser pensado um plano de ação com base nos dados coletados. “A partir de medições feitas em 75 pontos do distrito durante 20 horas e entrevistas realizadas com moradores na região, observamos associações entre morar em áreas expostas ao ruído do tráfego rodoviário e maior incômodo no desempenho de atividades como ver televisão e descansar”, disse. Ela relatou, ainda, que aproximadamente 75% dos entrevistados consideraram a qualidade do sono regular ou ruim, sendo as principais dificuldades adormecer e se manter dormindo durante toda a noite.

A palestrante também apresentou resultados de um estudo realizado no Reino unido que apontou uma prevalência de doenças cardiovasculares em regiões próximas a aeroportos, em que o tráfego aéreo é maior. Por fim, ela afirmou que os resultados obtidos em seu estudo indicam a necessidade de ações mais efetivas direcionadas a prevenção e redução da poluição sonora. “Os efeito na saúde da população foram relatados tanto nas áreas expostas, quanto nas não expostas, o que sugere a importância de diagnóstico da situação acústica das cidades, de forma a direcionar o planejamento urbano e prevenção dos níveis de ruído”, concluiu.

2º Congresso de Fonoaudiologia                                               

O 2º Congresso de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da UFMG, que acontece entre os dias 19 e 21 de maio, tem como tema central “Ciência e Tecnologia para o desenvolvimento profissional”. Ao todo reúne mais de 400 participantes, formados por fonoaudiólogos, estudantes e profissionais da área de saúde. A programação completa e outras informações estão disponíveis em www.medicina.ufmg.br/congressofono.

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