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Neuropsicologia no combate ao HIV vertical


Publicado em: ExternasRádio - 27 de novembro de 2014

Programa de rádio apresenta série dedicada a Aids e aponta os avanços e obstáculos no caminho para a cura definitiva da doença

saudecomcienciaSomar, dividir, multiplicar e subtrair representam operações matemáticas que, invariavelmente, fazem parte do dia-a-dia de crianças e jovens durante a formação escolar. As equações numéricas, no entanto, podem ser de grande complexidade para alguns portadores do HIV vertical – forma de contágio na qual a gestante repassa o vírus para o bebê. Isso porque o vírus pode trazer prejuízos cognitivos nas funções executivas, habilidades matemáticas e velocidade de processamento da informação.

Identificar um padrão desse comportamento em crianças infectadas e seu impacto no desempenho escolar é um dos principais objetivos de pesquisa realizada pelo Programa de Neurociências da UFMG em conjunto com a Faculdade de Medicina. “A gente observa que a maioria das pessoas infectadas pelo HIV passa por algum tipo de problema cognitivo numa intensidade maior que a população que não tem o vírus”, afirma o psicólogo e doutorando Gustavo de Val Barreto, que realiza avaliações neurológicas de resposta a estímulos em crianças infectadas pelo HIV vertical.

Dia Mundial de Luta contra a Aids é nesta segunda, 1° de dezembro. Foto: Reprodução | vivabem.band.uol.com.br/saude

Dia Mundial de Luta contra a Aids é nesta segunda, 1° de dezembro. Foto: Reprodução | vivabem.band.uol.com.br/saude

Os resultados da pesquisa irão compor a sua tese de doutorado. “Quando esse prejuízo passa a ser significativo? Essa é uma das perguntas que a neuropsicologia tenta responder pelo acompanhamento da população vertical”, complementa. Segundo Barreto, os prejuízos cognitivos são sutis e, muitas vezes, influenciam no rendimento da criança em sala de aula. Por isso, uma identificação precoce contribui para evitar a piora do quadro. “A ideia desse acompanhamento é tentar garantir que essas crianças possam ser encaminhadas para tratamentos de reabilitação adequados”, explica o psicólogo.

Felizmente, o cenário futuro vislumbrado por Barreto é positivo. A introdução e maior acesso aos antirretrovirais – popularmente conhecidos como coquetéis – para o tratamento do HIV e a redução dos casos de transmissão vertical contribuem para a expectativa de diminuição dos prejuízos cognitivos. “A hipótese que a gente trabalha é que nos próximos anos vamos ter menos crianças e adolescentes infectados com o HIV, que estarão enfrentando esse tipo de problema”, conclui Gustavo Barreto.

Redução do HIV vertical é possível

O trabalho de Barreto compõe uma das ações do grupo de pesquisa HIV/Aids materno infantil, coordenado pelo professor do Departamento de Pediatria da Faculdade, Jorge Andrade Pinto. A equipe conseguiu reduzir a zero a transmissão vertical durante a gravidez.

Sobre o programa de rádio

Saúde com Ciência é produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. De segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h05, ouça o programa na rádio UFMG Educativa, 104,5 FM. Ele ainda é veiculado em 83 emissoras de rádio de Minas Gerais, Maranhão, São Paulo, Paraná e Estados Unidos.

Confira a programação completa da série Aids 2014 no site do Saúde com Ciência.

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