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Apoio psicológico ajuda a reduzir impactos da natimortalidade


Publicado em: ExternasRádio - 12 de fevereiro de 2016

Em programa de rádio, especialistas da Faculdade e mãe de um natimorto comentam impactos sociais e psicológicos e ações de enfrentamento à natimortalidade evitável

ImpressãoMais de 2,5 milhões de bebês nascem mortos por ano, sendo que cerca de 98% dos casos acontecem em países de baixa renda e metade ocorre durante o parto. Esses são dados que o periódico The Lancet revelou no último mês de janeiro, no lançamento mundial da série Ending Preventable Stillbirths (“Pelo fim da Natimortalidade Evitável”). Para os especialistas, já é tempo de compreender a natimortalidade como uma questão de saúde pública.

Dentre os principais obstáculos para diminuição do número de bebês que nascem mortos, está a condição econômica. É o que aponta a ginecologista e professora da Faculdade de Medicina da UFMG, Regina Aguiar. “Infelizmente, existe uma relação direta entre baixa renda e qualidade de saúde inadequada. Com isso, temos mais pessoas doentes, com uma maior dificuldade de acesso a um atendimento, e o próprio atendimento deixa a desejar”, explica.

A não realização de um pré-natal adequado também prejudica o combate à natimortalidade. Segundo Regina, o período pré-natal desempenha papel fundamental, pois nele são feitos exames que acompanham o desenvolvimento do bebê e a saúde da mãe. Dentre os principais fatores de risco associados aos casos de natimortalidade, estão a má formação do feto, insuficiência placentária – alteração que afeta a placenta da mulher – e doenças que atingem a gestante, como hipertensão e diabetes não controladas.

Entrevistada pelo Saúde com Ciência, uma mãe que teve um bebê natimorto aponta outro problema: a falta de sensibilidade de alguns médicos ao transmitirem a notícia da perda. “Por mais que os médicos lidem com esse tipo de situação todo dia, acho que eles não estão preparados. Falta muita sensibilidade, talvez um sentimento de compaixão, e não apenas olhar como só mais um paciente”, reclama.

Na opinião dela, a assistência psicológica é uma forma de buscar reconforto, principalmente para desabafar. “Fiquei decepcionada com algumas questões, justamente devido à falta de sensibilidade. Então, procurei ajuda psicológica para poder falar sobre isso, porque acredito que falta muita compreensão por parte das pessoas. Acho que o ideal é um profissional com um preparo mais específico para lidar com tal situação”, completa.

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Foto: Reprodução | Internet

Ações para mudar

Para reverter o quadro atual, é necessário que haja mudanças tanto na questão de infraestrutura dos locais de atendimento como na preparação dos profissionais da saúde. De acordo com a professora Regina Aguiar, três medidas podem ser realizadas: investir na formação dos profissionais que realizam partos e atendem as mulheres grávidas; garantir acesso facilitado aos locais de atendimento; e disponibilizar mais locais que realizem o pré-natal de maneira correta.

A psicoterapeuta e professora aposentada da Faculdade, Ana Maria Lana, fala da necessidade de um espaço próprio para as gestantes que perderam o bebê. “O hospital ou a maternidade deve oferecer um espaço apropriado para isso. Sei de casos em que as mães [que perderam os bebês] são encaminhadas para o mesmo local onde estão as outras mães com seus filhos, e isso dói muito. Então, um espaço próprio, onde elas possam ter o momento de contato físico com o bebê, é importante”, finaliza.

Sobre o programa de rádio

Saúde com Ciência apresenta a série “Natimortalidade: Como Evitar?” entre os dias 15 e 19 de fevereiro de 2016. O programa, produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG, tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

Ele também é veiculado em outras 174 emissoras de rádio, distribuídas em todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

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