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Na puberdade, meninos devem procurar um urologista

Ida ao especialista permite tirar dúvidas sobre o próprio corpo e receber informações sobre saúde sexual


    15 de julho de 2019 - , ,


    Urologista deve ser visto como profissional de referência a partir da puberdade. Foto: Carol Morena.

    *Carol Prado

    O início da fase reprodutiva das mulheres tem uma marca clara: a primeira menstruação. Mas, para os homens, apesar dessa etapa não ser tão bem demarcada, ela vem acompanhada por algumas mudanças significativas no corpo. Por isso, os meninos também devem ser encaminhados ao especialista a partir da puberdade. A ida ao urologista permite tirar dúvidas sobre o próprio corpo e receber informações seguras sobre saúde sexual. A sexualidade dos homens é tema do programa de rádio Saúde com Ciência desta semana.

    Segundo o médico urologista e professor do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG, Augusto Barbosa Reis, é preciso criar uma cultura em que os meninos são encaminhados ao especialista assim que entram na puberdade. “Tanto o menino quanto a menina vinham sendo acompanhados por um pediatra. Quando a menina está no início da adolescência ela vai ser encaminhada à um ginecologista e o menino fica perdido. Ele não tem essa orientação”, observa o professor.

    Enquanto os pais levam suas filhas ao consultório do ginecologista, por questões culturais, o mesmo não acontece com os homens. “O menino não nasce sabendo o que é o sexo. Ele tem tantas dúvidas quanto a menina. A menina vai ter muito mais oportunidades de tirar suas dúvidas do que um menino. E daí vem as práticas incorretas e exposição à riscos desnecessários”, enfatiza Augusto Barbosa Reis.

    Se informar para iniciar a sexualidade

    Procurar um urologista é importante para tirar dúvidas e receber orientações. Foto: Carol Morena.

    Durante a puberdade, a produção de testosterona nos meninos aumenta consideravelmente, o que vai resultar em mudanças corporais. Entras essas mudanças, estão o crescimento de pelos pubianos e alterações na voz. Nesse período, a libido, impulsos sexuais, ficam mais fortes. Mas, antes de iniciar a vida sexual, é preciso se informar. O que é o sexo? Quais são as consequências da atividade sexual? Quais os riscos envolvidos numa atividade sexual? Essas são algumas perguntas que, de acordo com o professor, todos que iniciarão uma vida sexual precisam fazer.

    “Quando digo risco, estou falando sobre as doenças sexualmente transmissíveis, uma gravidez indesejada… eu acredito que após ele receber essas informações e junto com esse ímpeto, esse desejo sexual, aí seria o momento ideal para ele começar sua vida sexual”, comenta Augusto Barbosa Reis.

    Infecções sexualmente transmissíveis

    Muitas vezes, as infecções sexualmente transmissíveis, como as hepatites e a Síndrome da Imunodeficiência Humana (Aids), não têm sinal: “o corpo parece saudável, mas ele é portador de alguma doença, que, ao ser transmitida via sexual, vai trazer um transtorno para vida inteira desse indivíduo”, explica Reis.

    O urologista também enfatiza que a herpes e o papiloma vírus humano (HPV) são ISTs muito comuns. “Quando transmitida para a mulher, o HPV pode levar a um caso sério de câncer no colo uterino”, afirma o professor. Para essa infecção, já existe uma vacina, que deve ser administrada tanto em meninas quanto em meninos, uma vez que o homem pode ser portador do vírus e transmiti-lo para suas parceiras.  

    Sobre o programa de rádio

    Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h. Também é possível ouvir o programa pelo serviço de streaming Spotify.

    *Carol Prado – estagiária de Jornalismo
    edição: Karla Scarmigliat