Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


O “WebSimpósio H1N1: Síndromes Gripal e Respiratória Aguda Grave”, promovido pela Faculdade de Medicina da UFMG em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), teve como temas a logística dos encaminhamentos de pacientes e a dispensação de medicamentos no estado. O evento aconteceu nesta segunda-feira, 16 de maio, no Salão Nobre da Faculdade e também foi transmitido online.

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A diretora da Rede de Assistência da SES, Cláudia Pequeno, explicou a logística de distribuição de medicamentos em Minas Gerais. Foto: Carol Morena

A diretora da Rede de Assistência da SES, Cláudia Pequeno, e o gerente de Assistência da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, Alexandre Moura, trataram sobre como deve ser a abordagem dos casos em cada local e o fluxograma utilizado no atendimento às síndromes gripais e as respiratórias agudas graves.

Em ambientes de atenção primária, portas de entrada para o tratamento, como as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e as Unidades de Pronto Atendimento (UPA), os palestrantes destacaram a importância de se realizar uma aferição da gravidade de cada caso. Além disso, acolher as queixas dos pacientes, disponibilizar máscaras cirúrgicas para esses e seus acompanhantes com o intuito de dificultar a transmissão do vírus e identificar possíveis surtos por região. Nos casos mais graves, o paciente é encaminhado às redes de urgência e emergência ou atendimento hospitalar, os quais podem apoiar o diagnóstico com exames e oferecer leitos de tratamento intensivo aos que apresentam complicações mais agudas.

A representante da Superintendência de Assistência Farmacêutica de Minas Gerais, Renata Alcântara, por sua vez, falou sobre a dispensação dos medicamentos para casos de H1N1: o Fosfato de Oseltamivir. De acordo com ela, o Ministério da Saúde disponibiliza o medicamento conforme a demanda dos estados, seguindo uma programação mensal. Quando esse repasse acontece, cada estado segue sua logística. No caso de Minas Gerais, há a distribuição para os municípios e esses para suas regionais.

Ela ainda ressalta que, em todos os territórios, há a preocupação de ter a possibilidade de ofertar a medicação da forma mais rápida possível aos pacientes, já que a indicação é que o remédio seja ministrado em um período máximo de 48 horas após o diagnóstico. Renata também afirmou que, até o momento, não houve problemas com a falta de medicamentos e que isso se deve à priorização dos grupos de risco.

Gripes na atualidade

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Professor Ênio Pietra alertou sobre a necessidade da preocupação com todos os tipos de gripes. Foto: Carol Morena

Do mesmo modo como acontece atualmente com os vírus das Influenzas, houve uma atenção redobrada a diversos grupos de doenças emergentes características de cada década no século passado, muitas sobre as quais não há mais preocupação, como a malária. É o que conta o professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade, Ênio Pietra, que discorreu sobre as gripes e as ocorrências na atualidade.

“Na década de 1910, prevalecia as doenças infecciosas, sendo 50% dos óbitos decorrentes da diarreia, pneumonia, difteria, febres tifoide e amarela. Ou seja, arbovírus também”, disse. Após exemplificar as demais décadas, o professor observou que entre 1990 e 2010 a população mundial voltou a se preocupar com as doenças infecciosas, como em 1910.

Segundo Pietra, a preocupação com as doenças emergentes têm significativo impacto antropológico, ético, biológico e médico. Sobre os fatores determinantes para a classificação desse grupo, ele destacou o comércio e viagens internacionais, que estão ligadas às transações de pessoas e bens de consumo, e a adaptação e mudança de agentes, o que inclui a resistência dos vírus e bactérias às vacinas, pesticidas ou medicamentos. “Há cerca de duzentos anos, uma doença na China, por exemplo, demorava 50 anos para chegar ao Brasil ou não chegava. Atualmente, ela chega aqui em 36h. A perspectiva, agora, é global e não mais regional”, afirmou.

Ao final, o professor chamou a atenção para a preocupação excessiva com o tipo de H1N1 mais recorrente nos dias atuais, o que não acontece em relação às outras gripes. “A gravidade é a mesma da gripe sazonal usual. Por que estamos alerta para uma e para a outra não? Ambas matam os seres humanos da mesma forma. Precisamos ter os mesmos cuidados e o mesmo respeito com as demais gripes”, pontuou Pietra.

Leia também: Websimpósio sobre H1N1 é realizado na Faculdade

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