Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Dados do Ministério da Saúde mostram que o número de mulheres jovens infectadas por HIV está maior que nas décadas anteriores. As meninas representam 60% dos casos registrados entre adolescentes de 13 a 19 anos infectados pelo vírus que causa a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS). As causas dessa inversão estatísticas são múltiplas, mas se esquecer do preservativo ainda é o maior erro, não só dos jovens, mas da população sexualmente ativa.

O professor do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFMG, Victor Hugo de Melo, pondera que um dos aspectos a se considerar é que os jovens vêm tendo atividade sexual mais precocemente. “Hoje em dia, tanto meninos quanto meninas iniciam a vida sexual muito mais cedo. Com o ‘ficar’, os adolescentes têm parceiros múltiplos, muitas vezes. Isso aumenta os riscos de contágio”, alerta.

Ele ensina que é necessário se proteger em todas as relações sexuais, para o casal estar seguro. “Os adolescentes usam mais preservativo que as gerações anteriores, mas muitos não usam todas as vezes. Apesar de terem conhecimento de que é necessário usar a camisinha, a maioria não usa. Os rapazes não querem usar. Eles não acreditam que possam ser contagiados pelo vírus”, comenta.

Melo ressalta que a pessoa infectada pelo HIV não apresenta, necessariamente, sinais físicos. “Essa associação de que o portador do vírus vai se mostrar debilitado é um grande equívoco. A pessoa pra estar na fase da síndrome da AIDS, ela já tem que estar infectada há vários anos. A pessoa pode estar infectada, estar com aparência saudável e, muitas vezes, nem saber que é portador”, alerta.

Ainda de acordo com o professor, as pessoas mais vulneráveis a se contaminar, hoje, são as mulheres, de qualquer faixa etária. Elas estão mais sujeitas a pequenas erosões e sangramentos, o que facilita o contágio. “Mulheres mais velhas, que fazem sexo eventualmente, também estão sendo contaminadas, porque muitos homens não aceitam usar a proteção. Tem de haver uma negociação com o parceiro, de se usar a camisinha sempre”, orienta.

Além disso, ele conta que o preservativo feminino não é devidamente divulgado e que poucas mulheres sabem fazer o uso correto dele. “Se oferece muito mais a camisinha masculina, que não precisa de maiores orientações, ou de um acompanhamento. Além disso, não é qualquer mulher que se dispõe a aprender como utilizar a camisinha feminina”, analisa.

A camisinha masculina e a feminina são igualmente eficazes na proteção contra as doenças sexualmente transmissíveis (DST), especialmente, contra o HIV. No início dos relacionamentos, o casal deve usar qualquer um dos preservativos em todas as atividades sexuais, mesmo que a relação seja com um único parceiro.

O professor elucida que a medida deve ser tomada, mesmo que ambos tenham feito o exame de HIV. “Em alguns casos, os anticorpos do vírus não se manifestam no teste, nas primeiras semanas ou meses. Por isso, só um médico pode assegurar que o casal está livre de DSTs. Pra deixar de usar a camisinha, é preciso ter segurança de que os dois estão saudáveis”, orienta.

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