Evento reflete percurso histórico na luta por igualdade e representatividade das mulheres

Seminário Mulheres em Foco promove debate sobre desafios e conquistas das mulheres


    08 de março de 2019


    Seminário na Faculdade de Medicina da UFMG ressalta a longa trajetória por conquistas feministas e os desafios ainda existentes para uma sociedade igualitária

    Mesa de honra da abertura do seminário. Foto: Carol Morena

    A reitora da UFMG, Sandra Goulart, é a terceira mulher a ocupar o cargo em 91 anos de Universidade. A vice-diretora da Faculdade de Medicina Alamanda Kfoury, é a primeira a ocupar cargo de diretoria em 108 anos da escola. Esses são alguns exemplos de uma longa trajetória por representatividades femininas, refletida na abertura do “Seminário mulheres em foco – recortes na contemporaneidade”, nesta sexta-feira, 8 de março. O evento, com programação até às 17h no campus saúde, marca o Dia Internacional da Mulher e destaca as lutas históricas e atuais.

    “Nossa posição diz muito sobre a dinâmica das relações de gênero na Academia”, destacou a reitora, que lembrou seu discurso de posse, em 2018, sobre o cargo também ser representativo às jovens e mulheres na necessária luta por emancipação, por liberdade e igualdade. “Não é pouca coisa e não são pequenos os interesses envolvidos… É uma luta antiga que precisamos todas abraçar, pois juntas somos e seremos sempre mais fortes”, reconheceu a reitora após firmar o compromisso da UFMG, como universidade pública gratuita e de qualidade, nesse processo de enfrentamento.

    A vice-diretora da Faculdade também convidou as mulheres a tomarem frente na luta por uma sociedade mais igualitária. “Esse dia é um marco histórico para todas as lutas que já foram travadas na questão política, econômica, trabalhista e é uma importante oportunidade de refletir sobre o nosso papel. Mulheres conhecidas, anônimas, com o seu ser, seu fazer e suas presenças vão desbravando espaço e construindo pontes para um país diferente”, pontuou. “A luta é de todas nós. E essa história deve ser contada pelas mulheres, que nos convidam a escutar as vozes das marias, das marieles, das malês”, continuou.

    A professora Sandra ainda comentou sobre a complexidade dos sentimentos que esse dia traz quando propõe a reflexão crítica da condição das mulheres na sociedade e o quanto ainda é preciso caminhar. “Não podemos negar que viemos de muito longe, mas temos que concordar que ainda teremos uma longa travessia repleta de percalços pela frente”, lembrou. “Se, por um lado, vivemos momento de incertezas e possíveis retrocessos na agenda de demandas das mulheres, por outro, nunca estivemos diante de um fenômeno em que tantas mulheres e jovens se identificam com a pauta em defesa dos direitos das mulheres e igualdade de gênero”, completou.

    Representação feminina

    Integrantes do Projeto Para Elas cobrem participantes com colcha de retalhos. Foto: Carol Morena

    A professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia (GOB), Myrian Celani, representando a organização do evento, pontuou sobre pesquisadoras, por longos anos, serem submetidas “ao constrangimento de não conseguirem concorrer a representações, não serem convidadas a escreverem capítulos de livros, falarem em congressos ou de terem seus artigos negados por razões ínfimas, como o de ser mulher”.

    Ela ainda promoveu uma reflexão aos participantes: “Todos vocês podem contar tudo o que e como fizeram nas suas vidas sem envergonhar suas histórias ou agredir suas comunidades? Vocês são o que deveriam ser?”. Então propôs que vivessem sem a vergonha de ser felizes, fazendo alusão à música de Gonzaguinha, entonada pelos presentes enquanto mulheres do Projeto Para Elas cobriam a plateia com a colcha de retalhos, composta por pedaços que representam diferentes histórias de mulheres vítimas de violência.

    “Essa colcha representa todas as mulheres violentadas e nós que trabalhamos com elas. Eu sei, eu sei, que a vida devia ser bem melhor e será. Mas isso não impede, que eu repita, é bonita, é bonita e é bonita… Viver e não ter a vergonha de ser feliz…”, cantou.

    O Evento

    A mesa de honra da abertura do evento também contou com o diretor da Faculdade de Medicina da UFMG, Humberto José Alves; a diretora da Escola de Enfermagem, Sônia Maria Soares; a diretora do Hospital das Clínicas, Andréa Maria Silveira; a diretora do Hospital Risoleta Tolentino Neves e professora da Faculdade, Alzira Jorge; a chefe do GOB, Eura Martins Lage; o representante da Secretaria Municipal de Saúde, Fernando Bastos; a presidente do Conselho Regional de Medicina, Claúdia Lemos; e a discente representante do DAAB, Camila Yuka.

    A preceptora de residência, professora Júlia Maria da Rocha, cantando o hino nacional durante abertura do Seminário. Foto: Carol Morena

    O Seminário mulheres em foco – recortes na contemporaneidade é promovido pela Faculdade de Medicina da UFMG, com os departamentos de Ginecologia e Obstetrícia e o de Medicina Preventiva e Social e o Diretório Acadêmico Alfredo Balena (DAAB).  

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