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Mudar estilo de vida pode resolver problema do refluxo


Publicado em: ExternasRádio - 12 de agosto de 2016

Fatores como obesidade e tabagismo agravam episódios da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). Programa de rádio discute, além dos cuidados necessários, nova possibilidade de tratamento

ImpressãoObesidade, tabagismo e o consumo de alimentos cítricos ou muito gordurosos, além de café e bebidas alcoólicas, são fatores que potencializam os efeitos da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). A doença, que acomete cerca de 20% da população brasileira, é caracterizada pelo retorno do conteúdo líquido e alimentar do estômago para o esôfago. Ou seja, o conteúdo do estômago transborda, retornando para o canal que conduz o alimento da boca para o órgão, causando sintomas como azia, regurgitação e queimação no peito.

A eliminação dos maus hábitos é um passo fundamental para reverter o quadro. É o que garante a gastroentereologista e professora da Faculdade de Medicina da UFMG, Luciana Moretzsohn. “É importante que o paciente mude seu estilo de vida. Por exemplo, se ele for obeso: a perda de peso melhora muito esses sintomas”, esclarece a professora.

Segundo Luciana, é feita uma avaliação individual de cada indivíduo para determinar as possíveis restrições alimentares: “Nós podemos adequar a dieta do paciente, de forma a evitar alimentos que possam agravar os sintomas do refluxo”. Alterações anatômicas também podem causar a DRGE, como nos casos em que o indivíduo apresenta a hérnia de hiato muito grande.

Nos quadros mais leves de refluxo, complicações não são comuns. Se não tratada corretamente, porém, a doença pode evoluir, inclusive, para câncer no esôfago. Dentre as medidas preventivas, destacam-se evitar grandes intervalos entre as refeições e não dormir logo após o jantar. E se as mudanças no estilo de vida não forem suficientes, a especialista indica as possibilidades de tratamento. “Há o uso de medicamentos que bloqueiam a produção de ácido no estômago e, com isso, melhoram os sintomas. Para os que têm alterações anatômicas evidentes, podemos pensar em um tratamento cirúrgico”, explica.

Queimação no peito pode indicar um quadro de DRGE. Foto: Reprodução

Queimação no peito pode indicar um quadro de DRGE. Foto: Reprodução

Nova alternativa

Uma nova cirurgia, liberada neste mês pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), surge como alternativa no sistema privado de saúde. O cirurgião do aparelho digestivo e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Richard Gurski, comenta o novo método: “Esse tratamento tem a vantagem sobre o procedimento medicamentoso, pois atua na causa do problema”, aponta. “Em relação aos procedimentos cirúrgicos existentes, ele não causa alguns efeitos colaterais que essas cirurgias eventualmente proporcionam”, acrescenta o profissional apto ao procedimento.

A técnica consiste na implantação de um dispositivo chamado EndoStim na região do esfíncter inferior do esôfago, responsável por impedir que os alimentos e líquidos voltem do estômago em direção ao esôfago. O aparelho estimula eletricamente o esfíncter, corrigindo seus problemas de funcionamento e apresentando semelhanças com o mecanismo de ação do marca-passo cardíaco. Gurski ainda esclarece que o tratamento é uma alternativa para aqueles que não obtêm os resultados esperados com o tratamento medicamentoso, ou mesmo para quem precisa de uma cirurgia mais complexa.

A professora Luciana Moretzsohn pondera sobre os possíveis resultados satisfatórios do novo método, uma vez que ele ainda não é rotineiro. “Existem vários tratamentos endoscópicos, cirúrgicos ou clínicos. Esse novo tratamento ainda é uma coisa que não está na rotina do dia a dia”, opina.

Sobre o programa de rádio

O Saúde com Ciência é produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

O programa também é veiculado em outras 177 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

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