*Notícia publicada no Saúde Informa

Dias mais frios e escuros contribuem para maior sonolência e, em casos extremos, levam até mesmo à depressão.

A chegada do outono implica em mudanças na duração do dia e da noite, condicionadas pela diminuição do período de luminosidade solar. Embora essa diferença seja menor nos países localizados próximos à linha do Equador, como o Brasil, as noites mais longas que os dias implicam em um pequeno desajuste do relógio biológico, que define o ritmo das atividades do organismo.

Ilustração: Luiz Lagares

“Na verdade, todos os seres vivos, inclusive nossas próprias células, possuem um ritmo biológico, já que nossa existência está atrelada, especialmente, ao ritmo dia-noite, às estações do ano e às fases da lua”, afirma o professor do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG, Maurício Viotti.

Hibernação

O senso comum já relaciona a estação fria com a ocorrência de maior sonolência e aumento de apetite, uma situação análoga à hibernação, em que é preciso consumir muitas calorias para poder dormir muito. Segundo o especialista, a maior necessidade de descansar nas estações mais frias tem relação com o aumento da produção da melatonina, hormônio do sono produzido no período de escuridão.

No entanto, Maurício Viotti alerta para um problema comum já conhecido pela psiquiatria, a chamada depressão sazonal, que ocorre principalmente em países onde a variação luminosa é maior. “De fato, esse tipo de depressão se deve à falta de luz e há muita sonolência e consumo calórico. O tratamento eficaz é a fototerapia, ou seja, o paciente apresenta melhora quando exposto regularmente a uma luz forte”, indica.

O professor ressalta que nós reagimos com nossas funções orgânicas e com nossos hormônios de acordo com o ritmo circadiano, ou seja, o período de 24 horas no qual se baseia o ciclo biológico. Ele atua como um relógio interno cerebral que funciona por conta própria, mas que tem a capacidade de se adequar aos estímulos externos de luz e àqueles relacionados à rotina, como ruídos, temperatura, horários de alimentação, de trabalho, entre outros.

“O nosso organismo funciona como uma orquestra bem afinada com os ritmos biológicos”, compara o professor.Alterações repentinas dos horários seriam como desafiná-la, uma cacofonia de ruídos que incomodam e fazem mal. Apesar disso, pondera Viotti, usualmente se adequa o relógio biológico a partir de um ato voluntário da pessoa. “Exercícios matinais, não tomar café à tarde ou à noite, alimentação noturna balanceada e mais leve são maneiras de conseguir essa adaptação”, aconselha.

 


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