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Mosquito da dengue, da febre chikungunya e do zika vírus


Publicado em: ExternasRádio - 25 de março de 2016

Em reprise, Saúde com Ciência alerta para as principais doenças transmitidas pelo Aedes aegypti e destaca um método inovador na luta contra o mosquito

ImpressãoEm 2015, comprovou-se o momento crítico que o Brasil atravessa no combate ao mosquito Aedes aegypti. Foram registrados mais de um milhão e meio de casos de dengue, com cerca de 850 mortes – um recorde negativo em relação à doença. Os dados do início de 2016 são ainda mais preocupantes. Até a primeira quinzena de março, foram registrados quase 500 mil casos de dengue, um terço do total do último ano.

Além disso, a febre chinkungunya já teve mais de 6 mil notificações, com 550 casos confirmados. O Ministério da Saúde (MS) não divulgou o número de notificações sobre o zika vírus, mas há casos suspeitos em 23 estados brasileiros, além do Distrito Federal. Boletim da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas-OMS) indica cerca de 72 mil casos no país.

As três infecções, transmitidas pelo mosquito, apresentam sintomas semelhantes, como febre, dores de cabeça, surgimento de manchas na pele e fraqueza muscular. Mas há diferenças importantes. “No caso da chikungunya, o que chama atenção é que as manifestações articulares são muito intensas. Há um comprometimento das articulações dos pés e das mãos, que pode perdurar por meses e até anos”, observa a infectologista e professora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Marise Fonseca.

Ela acrescenta que, assim como a dengue, não existe um antiviral específico para a doença. Logo, o tratamento é sintomático e consiste na hidratação, evitando o uso de anti-inflamatórios. A situação do zika vírus também é grave. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em fevereiro deste ano o vírus já havia se espalhado por 33 países de três continentes. Suspeita-se que ele seja um dos responsáveis pelo desenvolvimento da microcefalia e outras alterações do sistema nervoso, que sugerem infecções congênitas. Em 2016, já foram registrados mais de 4 mil casos, com 907 confirmações no país.

O MS já desenvolveu um exame de sangue para determinar qual das três infecções acometeu o indivíduo. Segundo o também infectologista e professor da Faculdade, Unaí Tupinambás, o zika passa despercebido para a maioria das pessoas: “A grande maioria, até 80% das pessoas que contraem o vírus, não desenvolve a doença. Ela tem só a infecção, mas sem os sintomas”, afirma.

Imagem: Reprodução | Internet

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Inovação

Todo ano, são divulgadas campanhas de conscientização para a população ajudar no combate ao Aedes aegypti. Elas consistem, principalmente, na extinção dos possíveis criadouros para proliferação do mosquito, como caixas d’água destampadas ou vasos de plantas e pneus com água acumulada. Mas novas iniciativas de combate estão sendo desenvolvidas para melhorar esse quadro. Dentre elas, há um dispositivo que consiste no uso de pequenos “tijolinhos”, que ao serem combinados com água e a incidência do sol, produzem uma solução de óxido de ferro na forma de um mineral chamado hematita. A solução produzida cobre a superfície da água e impede a eclosão dos ovos do vetor, evitando a proliferação das larvas.

Coordenador do projeto, o professor do Departamento de Química da UFMG, Jadson Belchior, garante que o composto não oferece riscos à saúde humana: “Se você tem uma água limpa e coloca o ‘tijolinho’, ele vai liberar, na presença de luz, um composto que é tóxico para as larvas do mosquito. Porém, se você retirar o ‘tijolinho’ ou a luz, a água fica naturalmente no estado em que ela estava”. Ele ressalta que a vantagem do processo ocorrer na fase inicial do mosquito é que, ao atacar a larva, ele impede que o vetor se desenvolva e possa transmitir as doenças. De acordo com a empresa que colaborou na realização da tecnologia, já existe uma fábrica para produção dos “tijolinhos”, aguardando liberação da Anvisa para iniciar a comercialização.

Sobre o programa de rádio

O Saúde com Ciência reapresenta série sobre o Aedes aegypti entre os dias 28 de março e 1º de abril de 2016. O programa, produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG, tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

Ele também é veiculado em outras 174 emissoras de rádio, distribuídas em todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

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