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Universidade Federal de Minas Gerais


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Mitos e verdades sobre síndrome de Down


Publicado em: ExternasSaúde - 7 de novembro de 2014

As pessoas com a síndrome de Down podem ser facilmente reconhecidas por suas características físicas específicas. Entretanto, geralmente elas têm mais semelhanças do que diferenças com a população em geral, embora mitos sobre o assunto sejam constantemente reproduzidos. O professor do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG, Mauro Ivan Salgado, esclarece alguns conceitos equivocados sobre o tema, a fim de evitar qualquer tipo de preconceito. Confira:

Crianças com Síndrome de Down precisam de mais estímulos.
Verdade:
Uma criança sem a síndrome, sob os cuidados básicos, poderá se desenvolver normalmente, enquanto outra com a síndrome precisará de mais estímulos. Como têm necessidades específicas de saúde e aprendizagem, exigem assistência profissional multidisciplinar e atenção permanente dos pais.Se ela for abandonada, poderá ter um retardo psicomotor muito grande. A comunicação entre médicos e pais era, há um tempo, um pouco mais difícil, e a estimulação precoce com chocalhos, cores e alguns barulhinhos não aconteciam. Com a evolução da medicina os pais recebem melhor orientação dos médicos sobre como proceder, além de serem tratados de forma mais carinhosa por esses profissionais.

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Foto: shutterstock

Elas adoecem mais.
Mito:
A criança com síndrome é normal como qualquer outra, com pequenas diferenças. Ela tem o aparelho respiratório e a pele um pouco mais sensível, situação que pode ser bem contornada com orientação médica. Para que não adoeçam, assim como qualquer outra criança, é preciso que elas estejam sempre em movimento, tenham alimentação equilibrada e pratiquem atividades como natação e caminhadas. Para isso, é necessário superar possíveis problemas congênitos, que às vezes são graves, como os problemas de coração, no esôfago e perfuração anal. Mas essas situações podem ser identificadas e solucionadas cedo, logo que nascem, por intervenção cirúrgica ou clínica.

A sexualidade das pessoas com a síndrome é mais aflorada.
Mito
. A sexualidade é igual a de todas as outras pessoas. Para ter uma sexualidade plena, o primeiro pressuposto é de que a parte mental esteja preservada, e a maior parte das pessoas com a síndrome tem retardo mental de leve a moderado. Outras podem ter maior dificuldade, mas se receberem orientações sexuais poderão namorar e até mesmo casar. O mito existe porque grande parte da população desconsidera a sexualidade dessas pessoas, e por isso não as orientam adequadamente.

A expectativa de vida do portador da síndrome é menor.
Mito:
A criança vai ter uma boa expectativa de vida desde que amada, respeitada, criada com muito estímulo e atenção da família. Ela deve ser tratada como qualquer outro filho, ser humano e de qualquer outra forma. A assistência que a criança recebe a possibilita viver bem e por muitos anos.

Elas são mais agressivas.
Mito.
As pessoas com a síndrome não são mais agressivas, pelo contrário, algumas são extremante carinhosas. Porém, alguns transtornos podem estar associados à síndrome como o autismo, e levar a alterações de comportamentos como irritabilidade excessiva e agressividade. Mas como elas têm acompanhamento médico diferenciado, tudo isso pode ser muito bem resolvido.

O trabalho é indicado para fazer parte da rotina.
Verdade.
Não só podem como devem trabalhar. O trabalho ajudará em seu desenvolvimento, interação com a sociedade e na realização pessoal.

A educação em escola normal é mais indicada.
Mito e Verdade.
Não existe uma resposta final a essa questão. Mas, para o professor Mauro Ivan, as escolas especiais têm profissionais mais bem preparados para fazer com que a criança desenvolva gradativamente, quando superados os possíveis problemas médicos que possam ter. Nessas escolas, muitas vezes é possível identificar habilidades importantes na criança, que podem ser o embrião para a inserção no mercado de trabalho. Quando já estiverem trabalhando, será uma conquista não só para as pessoas com a síndrome, como também para os pais, avós e demais cuidadores, que poderão ter mais tempo para si mesmos.

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