Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Notícias Externas

Método Canguru envolve rede de cuidados com o recém-nascido


Publicado em: ExternasSaúde - 11 de setembro de 2017

 

Abordando as vantagens da amamentação, pesquisa sobre Método Canguru é apresentada em mostra da Fapemig.

 

Ives Teixeira Souza*

Os recém-nascidos com menos de 37 semanas podem apresentar mais problemas, principalmente, se comparados com os que nasceram após esse prazo. Entre eles estão os relacionados ao desenvolvimento social e emocional da criança, que podem se iniciar já a partir da interação entre a mãe e o bebê.

Com o objetivo de permitir uma maior participação dos pais nos cuidados, o Método Canguru possibilita também a melhora da qualidade do tratamento propiciado ao recém-nascido. Desenvolvido na Colômbia, no final da década de 1970, o método é uma política de saúde pública no Brasil, desde o ano 2000, quando foi instituído por meio de uma portaria do Ministério da Saúde.

Ao propiciar o contato com a mãe, maiores vão ser os índices de aleitamento materno à alta hospitalar, como destaca a professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Maria Cândida Ferrarez Bouzada Viana.  “Com aleitamento materno exclusivo, há trabalhos que mostram menor índice de infecção hospitalar. Também o bebê pode receber alta mais cedo, pois a mãe se sente mais segura em cuidar do filho recém-nascido pré-termo”, explica.

Rede de cuidados

Segundo a professora, o contato pele a pele com o pai ainda é incomum. Foto: Reprodução – Ministério da Saúde

Além desse contexto, o procedimento envolve toda a rede de pessoas que cercam o bebê. “Esse atendimento busca um controle ambiental, um cuidado centrado na família, além, também, do cuidado com o cuidador”, acrescenta a professora. Com a vivência de situações complicadas nas unidades neonatais, os profissionais dessas unidades, segundo a professora, tendem a ficar doentes com mais frequência, por causa do grande estresse profissional.

“Os pais, por exemplo, não são considerados mais visita nas unidades neonatais, e quanto maior a presença do pai e da mãe, maior o vínculo”, declara. “O pai, inclusive, pode fazer o contato pele a pele, apesar de, infelizmente, ainda não ser muito comum”, completa.

Com o objetivo de aumentar a rede de proteção ao recém-nascido pré-termo, a professora afirma que o Ministério da Saúde quer estreitar os laços entre a rede hospitalar e a atenção básica, que deve ser o primeiro local de atendimento ao recém-nascido pré-termo no caso de alguma intercorrência após a alta hospitalar. “É nesse momento que o bebê pode ter um problema mais grave ou mesmo vir a falecer. A ideia é que a rede inteira seja responsável por essa criança, tanto a hospitalar quanto a de atenção básica”, explica.

Aleitamento materno
A professora, que também é consultora nacional do Método Canguru do Ministério da Saúde, afirma que o método, ao ajudar no vínculo mãe e filho, melhora a produção de leite materno. “Se a criança se sente acolhida, assim como a mãe, isso vai estreitar os laços entre mãe e filho. Então, se isso é feito e a mãe está ciente da importância de seu papel no tratamento da criança durante essa internação, ela provavelmente vai produzir mais leite, através da maior produção dos hormônios da lactação”, conta.

O aleitamento materno, que deve ser feito de maneira exclusiva até o sexto mês da criança, e continuado até o desejo da mãe e do bebê, tem papel fundamental na nutrição e na defesa do organismo. Para o bebê há inúmeras vantagens, inclusive, contra alguns tipos de neoplasias. Além de redução de infecções e melhor qualidade nutricional. “Estão estudando muito ultimamente a questão da microbiota intestinal. O aleitamento ao seio faz com que essa microbiota intestinal trabalhe mais a favor da criança”, informa a professora.

A professora Maria Cândida é consultora nacional do Método Canguru do Ministério da Saúde. Foto: Carol Morena.

Para a mãe, a amamentação pode prevenir a hemorragia no pós-parto, ao ser liberada a citocina, hormônio que ajuda na contração do útero. Além de ter menos possibilidades de câncer de mama e de ovário. Além de maior facilidade para a perda de peso.

Segundo Maria Cândida, mais de 800 mil crianças morrem por ano, no mundo, de modo direto, por não amamentarem no seio. “A ausência do aleitamento materno torna a criança mais vulnerável para ter, por exemplo, pneumonia, infecção de vias aéreas superiores e diarreia”, enumera.

Estudo de referência
Coordenadora da pesquisa “Posição canguru em recém-nascidos menores de 32 semanas de idade gestacional, prevalência do aleitamento materno, relação mãe e filho e desenvolvimento neuropsicomotor”, selecionada para a Mostra Inova Minas 2017, Maria Cândida destaca o ineditismo do estudo em responder dúvidas, como relativas ao tempo de Canguru necessário para que aconteçam os desfechos estudados – o aleitamento materno é maior nas crianças que fazem  mais o contato pele a pele, com o Método Canguru.

“Temos dados que fazem afirmar que ele propicia o aumento da prevalência do aleitamento materno exclusivo à alta hospitalar, e que as mães com depressão demoram um pouco mais a iniciar o Método e colocar o bebê no pele a pele”, divulga a professora. Mas entre os questionamentos do estudo está o modo como o Método pode auxiliar as mães a melhorarem da depressão, por exemplo. “Será que colocando no pele a pele as mães com depressão vão se recuperar  mais rápido?”, questiona Maria Cêndida.

Mostra Inova Minas Fapemig
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) vai realizar entre os dias 15 e 17 de setembro, a terceira edição da Mostra Inova Minas Fapemig. Com o objetivo de divulgar o esforço realizado pelos centros de pesquisa e universidades mineiras para o desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação, serão apresentados projetos que contribuem para solucionar problemas cotidianos da população.

 

*Redação: Ives Teixeira de Souza – estagiário de jornalismo
Edição: Mariana Pires

    Contador de visitas: 580 visualizações

    Veja também: