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Mesa discute a relação entre a catástrofe de Mariana e trabalhador


Publicado em: ExternasNotícias - 21 de julho de 2017

Mesa-redonda fez parte da programação da 69ª Reunião Anual da SBPC, que acontece até amanhã na UFMG

Ives Teixeira Souza*

Depois daquele 5 de novembro de 2016, inúmeras pessoas tiveram suas rotinas alteradas de diferentes modos após o rompimento da barragem de rejeitos de Fundão, em Mariana, Minas Gerais. Dentre elas, pesquisadores que debateram as controvérsias científicas e a aprendizagens sociais geradas pela catástrofe, em mesa-redonda ontem, 20 de julho, durante a 69ª Reunião Anual da SBPC.

O rompimento da barragem de mineração da empresa Samarco liberou mais de 90 milhões de toneladas de rejeitos, como afirma o membro do Observatório de Saúde do Trabalhador da Faculdade de Medicina da UFMG (Osat) e auditor-fiscal do trabalho, Mário Parreiras. Fazendo uma retrospectiva sobre o modo de construção da barragem e os problemas estruturais encontrados, a partir de dados de um estudo técnico coordenado por ele, Parreiras demonstrou que apenas quatro meses após o início da deposição de rejeitos, em 2008, a barragem começou a apresentar um processo erosivo interno.

Além disso, com o aumento da produção de minério, a partir de 2012, em um momento de queda do preço do produto, houve um acúmulo maior de rejeitos, o que exigiu novas alterações que não constavam no projeto. Trincas apareceram na parte mais alta da barragem, e como começou a minar água no pé da barragem.

Uma consultoria inglesa contratada pela Samarco recomendou o preenchimento da área de recuo de forma prioritária, mas eles não conseguiram fazer a tempo”, explica o auditor. Segundo ele, a drenagem da barragem foi insuficiente, provocando liquefação, que é quando o sedimento de sustentação da barragem se torna líquido por causa do aumento da pressão do solo. O fato, associado aos tremores de terra causados pelas máquinas das obras e as detonações de minas vizinhas, levou ao rompimento.

Também membro do Osat, o engenheiro de segurança do trabalho e pesquisador do Fundacentro, Eugenio Diniz, lembrou que desde o início da terraplanagem de Fundão, em 2007, houve a constatação que o solo era pouco resistente. Para ele, para entender o que aconteceu é necessário realizar uma análise organizacional da Samarco, ao longo de todo o processo de tomada de decisão.

Há uma insuficiência da cultura de segurança nos espaços de produção. Muda a tecnologia, muda o modo de gerir, mas não é alterada a maneira de se lidar com o risco. “Por que, em sistemas produtivos complexos como a da Samarco, existe a dificuldade de assimilar as percepções dos trabalhadores como alerta?”, questiona o engenheiro

O que pode ser explicado pela psicóloga do trabalho e professora do IFMG, Renata Antipoff, que ressaltou a desconfiança na relação entre gestor e trabalhador, além do medo de demissão por ambos os profissionais. “O que menos se tem nas empresas de mineração são controvérsias, tamanho o autoritarismo da gestão”, relata Renata. Isso gera impacto direto na saúde mental, que pode ser comprovado, segunda a especialista, a partir do estudo das estratégias de enfrentamento utilizadas pelos trabalhadores.

Reunião Anual da SBPC
A 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) é maior evento científico do hemisfério sul, com o tema “Inovação – Diversidades – Transformação”, começou ontem na UFMG.

O evento vai até o sábado, 22 de julho. A programação científica inclui 69 conferências, 82 mesas-redondas, 16 sessões especiais e 57 minicursos. Também integram a agenda cinco assembleias, duas reuniões de trabalho e seis encontros de sociedades científicas e entidades, sessão de pôsteres e lançamento de livros. A reunião conta, além disso, com atividades culturais, voltadas para o público jovem e discussões sobre os povos afro indígenas, respectivamente na SBPC Cultura, SBPC Jovem e SBPC Afro e Indígena. A participação como ouvinte é gratuita.

Mais informações na página da SBPC e no hotsite SBPC na UFMG.

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*Redação: Ives Teixeira Souza- estagiário de jornalismo
Edição: Mariana Pires

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