Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


 Pesquisa aponta que 59,7% dos estudantes universitários da UFMG têm medo de falar em público. Autopercepção negativa da comunicação oral está muito associada.

*Jayne Ribeiro

 

Anna Carolina: “O aluno pode perder oportunidades na Universidade por causa da timidez e do medo de falar em público”. Foto: Reprodução – Pixabay

Um estudo realizado com 1.124 estudantes universitários, matriculados no campus Pampulha e no campus Saúde da UFMG, apontou que mais da metade dos estudantes universitários têm medo de falar em público, o que implica em consequências acadêmicas negativas. O trabalho é da fonoaudióloga Anna Carolina Ferreira Marinho, e foi defendido como dissertação no programa de Pós-graduação em Ciências Fonoaudiológicas da Faculdade de Medicina da UFMG.

Segundo a pesquisadora, a motivação do trabalho foi a constatação que muitos estudantes em tratamento no Ambulatório de Voz Profissional, que atende à comunidade da UFMG, tinham medo de falar em público e isso prejudicava as suas vidas acadêmicas. “O aluno pode perder diversas oportunidades dentro da Universidade por causa da timidez e do medo de falar em público. Deixam de participar de projetos de extensão, apresentar trabalhos científicos e até mesmo atividades em sala de aula, como trabalhos e provas orais. O medo pode paralisar a pessoa e a impedir de manifestar os seus pensamentos”, explica Anna.

Metodologia
A fonoaudióloga relata que o estudo quantitativo analisou os dados obtidos por meio de um questionário eletrônico disponível no sistema Minha UFMG, plataforma de uso exclusivo dos estudantes da Universidade, composto por perguntas de características sociodemográficas como idade, sexo, perfil do aluno e curso estudado. Além disso, o questionário reuniu questões referentes a sintomas somáticos do medo que incluem tremor, rubor, suor, resfriamento das mãos e aceleração da frequência cardíaca e respiratória. Também foram analisadas questões referentes à percepção do indivíduo acerca de sua comunicação.

“Algumas perguntas buscavam identificar se a pessoa era capaz de captar e manter a atenção do ouvinte, o influenciando com sua comunicação. Outras eram referentes à autopercepção vocal como, por exemplo, como a pessoa percebia a ressonância, dicção, velocidade de fala, tom e intensidade da voz”, conta a pesquisadora.

O estudo também utilizou a Escala para Auto Avaliação ao Falar em Público (SSPS) e a Escala Revisada de Timidez. Anna relata que o primeiro instrumento é um protocolo que auto avalia a fala em público, o que a pessoa pensa sobre a sua comunicação interpessoal. Já o segundo instrumento é uma escala revisa que tem como objetivo identificar se o indivíduo tem ou não sintomas de timidez.

Habilidades de comunicação oral precisam ser desenvolvidas
A pesquisa apontou segundo Anna, que 59,7% dos estudantes apresentaram medo de falar em público, e que 69,9% autorreferiu timidez. Sendo os sintomas somáticos do medo mais frequentes em estudantes que apresentam autopercepção negativa da sua voz e da sua comunicação oral.

Anna afirma que estudantes que autoavaliaram a sua fala de forma negativa apresentaram mais sintomas somáticos do medo de falar em público e explica essa autoavaliação. “A autopercepção da comunicação envolve uma avaliação da sua própria voz, linguagem corporal que incluem gestos, o contato visual corporal e também uma parte cognitiva. Muitas pessoas acreditam que vão ter um retorno negativo do outro com quem ela está interagindo e isso influencia de uma forma ruim sua comunicação”, alerta.

A fonoaudióloga admite que mesmo pessoas que autoavaliam a sua comunicação de forma positiva podem manifestar sintomas somáticos do medo, no entanto, de acordo com ela, essas pessoas conseguem focar em outras questões, o que impede que o medo as domine. “O medo e a timidez vão estar presentes em muitos momentos. A timidez não é uma doença, é uma característica da personalidade, mas é muito importante saber que está diretamente relacionada à autopercepção da comunicação”, destaca.

Em continuidade, a pesquisadora explica que o trabalho serve como um alerta para a necessidade das universidades e dos profissionais de fonoaudiologia estruturarem seus treinamentos comunicativos para a população universitária. “O trabalho demonstra o quanto é importante trabalhar as suas habilidades comunicativas. Muitas pessoas não estão cientes que essas habilidades precisam ser desenvolvidas e aprimoradas”, expõe. “Trabalhar o domínio do discurso, do autoconhecimento e parâmetros da voz faz com que o individuo consiga se expressar melhor e assim a não deixar que os sintomas somáticos do medo os dominem”, conclui.

Os estudantes da UFMG interessados em aprimorar as suas habilidades de comunicação e expressão oral podem solicitar atendimento no Ambulatório de Voz Profissional, pelo e-mail:  ambvopufmg@gmail.com. O ambulatório funciona às quintas-feiras, de 8h ás 9h, no 3° andar do Hospital São Geraldo.

Medo de falar em público e timidez em universitários
Nível: Mestrado
Autora: Anna Carolina Ferreira Marinho
Orientadora: Letícia Caldas Teixeira
Coorientadora: Adriane Mesquita de Medeiros
Programa: Pós-graduação em Ciências Fonoaudiológicas
Defesa: 7 de fevereiro de 2018

*Redação: Jayne Ribeiro – estagiária de jornalismo
Edição: Mariana Pires

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