O ensino, pesquisa e tratamento de doenças bastante recorrentes em países tropicais, como dengue e leishmanioses, fazem parte, oficialmente, de uma nova área de atuação médica. Uma resolução do Conselho Federal de Medicina, publicada em 1º de agosto, legitimou a medicina tropical como uma subespecialidade da Infectologia. Medicina paliativa e medicina do sono também foram alçadas ao mesmo nível.

Para Unaí Tupinambás, infectologista e professor da Faculdade de Medicina da UFMG, esse reconhecimento é, principalmente, uma oportunidade para esclarecer a atuação dos profissionais que já se dedicam ao controle da cólera, malária, esquitossomose, entre outras “doenças tropicais”. A começar pelo próprio nome da subespecialidade.  “A impressão que as pessoas podem ter é que esse é um problema de saúde dos trópicos. E isso não é verdade. Está muito mais condicionado a condições sanitárias, de higiene, educação, do que a fatores climáticos”, elucida.

A ocorrência de algumas epidemias aparentemente típicas de regiões tropicais em países de clima temperado é um exemplo disso. “Antes da revolução industrial, a Inglaterra tinha cólera e tuberculose. Foram implementadas mudanças na qualidade de vida da população que propiciaram o combate dessas doenças”, explica.

A dengue, um grave problema de saúde pública no Brasil, poderia ser combatida com coleta de lixo mais efetiva e conscientização sistemática da população, segundo Unaí Tupinambás. “Precisamos de mais recursos e vontade política para acabar com a miséria da população”.

Segundo o Conselho Federal de Medicina, os médicos que ingressarem, a partir de agora, na residência de Infectologia, poderão receber treinamento adicional específico na área de medicina tropical. A Sociedade Brasileira de Infectologia deverá ser a instituição que aplicará provas aos profissionais que buscarem titulação na nova área.

 

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