Encontro vai apresentar balanço dos estudos do programa e debate sobre a epidemia da Aids

FACEBOOK_Novos-rumos-da-prevenção-HIV-AidsNa próxima sexta-feira, 28 de agosto, acontece na Faculdade de Medicina da UFMG o “Seminário Projeto Horizonte: 21 anos de pesquisa e prevenção”. O evento é aberto ao público em geral e vai apresentar resultados dos estudos desenvolvidos no programa, às 19h, na sala 22.

“Esta é uma comemoração de 21 anos do projeto, que foi implantado em 1994. Na época, o Ministério da Saúde desenvolveu três centros de estudo para busca da vacina contra o HIV, mas hoje o Horizonte é único que trabalha com homens que fazem sexo com homens”, explica a coordenadora do Projeto e responsável pela abertura do seminário, Mariângela Carneiro.

Para discussão de temas atuais relacionados à epidemia do HIV/Aids, pesquisa e prevenção, o encontro vai contar com a presença do Membro do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids e do Centro de Referência da Defesa da Diversidade de São Paulo, Eduardo Barbosa; do ativista em HIV/Aids, Floriano Furtado Leite; e do psicólogo da Equipe do Projeto Horizonte, Julio Andrade.

Um reforço à prevenção da Aids

Uma das pesquisas desenvolvida no Projeto Horizonte, e que será apresentada no evento, é a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEp Horizonte). O estudo é coordenado pela professora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina, Marise Fonseca. “Nos últimos anos, tivemos avanços no combate à epidemia de HIV/Aids no Brasil, com medidas como o diagnóstico laboratorial e disponibilização de medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS). Mas apesar destas conquistas, a infecção continua a acontecer e é preciso sempre buscar novos métodos de prevenção”, destaca a professora.

E este é o objetivo da PrEp: complementar a prevenção da infecção do HIV pelo uso oral de antirretrovirais por pessoas não infectadas. Os antirretrovirais, medicamentos usados no tratamento do HIV e que impedem a multiplicação do vírus da Aids, são usados por voluntários homens que fazem sexo com homens, antes da exposição ao risco, ou seja, das relações sexuais.

Marise conta que estudos como este já aconteciam, mas algumas drogas eram antes somente utilizadas pós exposição. “Neste estudo, utilizamos o Tenofovir e a Lamivudina, e os voluntários que os consumiram tiveram um risco de infecção menor que quem não os usou”, explica.

Mas este é apenas o primeiro passo do inquérito, que contou com 250 voluntários. É preciso testar a segurança, tolerância, adesão e reflexos no dia-a-dia daqueles que se propuserem a essa prevenção. “Também há questões como quem pode usar desse método e se o uso prolongado evita por completo a aquisição do HIV”, lembra Marise.

Para a professora, há ainda um ponto crucial: o uso da camisinha nas relações sexuais. “O consumo do medicamento não descarta a necessidade do preservativo, já que existem diversas outras doenças sexualmente transmissíveis para se prevenir”, enfatiza.

Projeto Horizonte

Criado em 1994, o Projeto Horizonte desenvolve estudos que visam determinar a incidência da infecção pelo HIV e os fatores sociocomportamentais associados à infecção de homens que fazem sexo com homens. Resultado de uma iniciativa do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), ele avalia o comportamento individual e sua influência na transmissão e prevenção do HIV/Aids, além de discutir com voluntários do estudo questões relacionadas às vacinas anti-HIV e a possibilidade de participação em futuros testes.

O Projeto Horizonte é financiado pelo Ministério da Saúde e executado pela UFMG.
Mais informações: http://www.medicina.ufmg.br/projetohorizonte/

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