Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Mastectomia é indicada como medida profilática


Publicado em: Saúde - 16 de Maio de 2013

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente entre mulheres. São, em média, 52 mil novos casos por ano, e aproximadamente 13 mil mortes, no mesmo período.

Prevenir ainda é o melhor remédio.

Por essas e outras razões, desde a declaração da atriz Angelina Jolie, nessa terça-feira, 14 de maio, de que teria feito uma cirurgia de retirada das mamas, o assunto vem atraindo a atenção sobre alguns aspectos relacionados – à atriz e à doença.

Há controvérsias quanto à medida, mas o debate está instalado.

Uma vitória recente, e bem menos divulgada trata-se da promulgação da Lei 12.802, em abril de 2013, que determina a cirurgia imediata de reconstrução mamária, pela rede pública de saúde, nos procedimentos de recuperação mamária pós-mastectomia. Cabe à equipe médica avaliar se é possível realizar os dois procedimentos no mesmo ato cirúrgico.

Em entrevista à Assessoria de Comunicação da Faculdade de Medicina da UFMG a mastologista Soraya Zhouri, professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFMG, esclarece algumas questões relacionadas ao câncer de mama:

 

ACS – A mastectomia dupla é, de fato, uma cirurgia preventiva?
Soraya Zhouri
– A adenomastectomia bilateral, que é o nome científico dessa cirurgia, é, sim, profilática. Ou seja, é uma prevenção em casos de risco aumentado para câncer de mama. A técnica usada, basicamente, consiste na retirada das glândulas mamárias, deixando pele, aréolas e mamilos. Importante lembrar que essa cirurgia pode ter complicações. Como toda cirurgia de reconstrução com prótese pode, desde ficar aquém das expectativas estéticas da paciente, oferecer riscos de encapsulamento (prótese fica dura), ruptura ou rejeição da prótese, dentre outras.

ACS – Em que casos ela é indicada?
SZ
– Pode ser indicada em pacientes com história familiar, onde parentes de primeiro grau, mãe ou irmã, apresentam o câncer principalmente por volta dos 50 anos de idade, ou menos. Essa cirurgia não garante 100% de proteção, mas em mais de 90% dos casos pode não ocorrer a doença.

ACS – Do diagnóstico à cirurgia de Angelina Jolie, segundo ela, o processo todo levou 3 meses. De fevereiro a abril. Em quanto tempo após o diagnóstico a cirurgia precisa ser feita?
SZ
– Não há um tempo determinado. Uma vez que o câncer de mama é diagnosticado em parente de primeiro grau, ou em mais de uma mulher da mesma família, o câncer genético familiar deve ser considerado. Caso o exame genético identifique a presença do gene BRCA, a opção da cirurgia profilática também deve ser apresentada à paciente como redutora de risco, além de métodos de exames de imagem. Não há necessidade obrigatória da cirurgia. A decisão final é sempre da paciente.

ACS – Quais os fatores de risco do câncer de mama?
SZ
– Além da história familiar é preciso avaliar a presença de lesões pré-malignas bilaterais (nas duas mamas). O diagnóstico é feito por biopsia prévia. E é preciso se levar em conta até mesmo se existe casos de “câncer in situ”, quando o tumor está restrito, sem se espalhar para o tecido em torno ou para outros órgãos do corpo.

ACS – O que significa “Falha no gene BRCA1”?

SZ – Todo tipo de câncer se caracteriza pelo crescimento celular anormal. O gene BRCA 1 (Breast Cancer 1), é responsável pela produção de uma proteína que tem a função de corrigir os erros do DNA que levaram à proliferação exarcebada das células de um mesmo tecido. Quando se diz “falha no gene”, refere-se à alteração ou mutação do mesmo.

Os genes BRCA1 e BRCA2 são responsáveis pelo câncer de mama e muitas vezes a associação de câncer de mama e ovários. Eles são herdados geneticamente de outros familiares. O BRCA2 é menos agressivo. Em casos de câncer familiar a tipagem desses genes pode ajudar na prevenção desse câncer em outras mulheres da família.

ACS – E com relação ao risco de 50% de câncer de ovário?
SZ
– Pacientes BRCA1 também têm risco aumento para o câncer de ovário. E com eles deve-se ter bastante atenção e cuidado. Exames, como ultrassonografia e dosagens de marcadores tumorais para o câncer de ovário devem ser realizados periodicamente. A cirurgia é radical e pode levar à menopausa precoce, com todas as suas consequências. Importante lembrar que “probabilidade alta” não significa que a paciente irá, certamente, desenvolver a doença. Mas, sim, que ela tem mais chances de ter esse tipo de câncer do que outra pessoa da mesma idade.

 

 

Detecção precoce do câncer de mama (Inca . Html)

My Medical Choice (Angelina Jolie – NYT)

Folheto Cancer de Mama

*Notícia atualizada em 17/05/2013, às 8h50

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