Notícias Externas

Mais do que uma questão de estética, verrugas são problemas de saúde


Publicado em: ExternasNotícias - 26 de janeiro de 2016

Foto: Guia Infantil

Foto: Guia Infantil

O termo verruga é frequentemente utilizado para nomear qualquer lesão que apresenta alteração de relevo na pele. Para os médicos, no entanto, essa generalização é incorreta. É o que afirma a dermatologista e professora do Departamento de Clínica Médica, Luciana Baptista Pereira. Ela explica que a denominação “verruga”, deve ser utilizada somente para lesões causadas por um dos componentes da família de vírus do Papiloma Humano, mais conhecido como HPV.

Existem mais de 100 tipos diferentes de HPV e cada um deles tende a formar um tipo de lesão na pele da pessoa infectada, chamada de verruga. O tipo mais comum é a verruga vulgar, lesão elevada, geralmente esbranquiçada, áspera e com pontinhos pretos que pode aparecer em qualquer lugar da superfície cutânea, muito comum em crianças. Existe também a verruga filiforme, que, de acordo com a dermatologista, é mais comum na face, e tem a forma mais elevada e pendunculada. Outro tipo comum no rosto são as verrugas planas, que geralmente tem uma coloração parecida com a da pele.

Segundo Luciana, a preocupação maior é quando a verruga se localiza na genitália, tanto masculina quanto feminina, são os chamados condilomas, ou crista de galo. Ela explica que nesses casos é preciso investigar a possibilidade de transmissão sexual. No entanto essa não é a única forma de contágio. O contato da pele normal com a pele com verrugas pode ser suficiente para a contaminação.

Semelhança de patologias e importância do diagnóstico

Muitas marcas na pele podem ser confundidas com verrugas devido ao seu aspecto. Este é o caso das pintas, as quais podem ser adquiridas ao longo da vida ou estarem presentes na pele desde o nascimento e, com o tempo, aumentarem de tamanho. “São os chamados nevos melanocíticos, seu aspecto pode ser confundido com o de alguns tipos de verrugas, entretanto, não são contagiosas e o tratamento, quando necessário, é bem diferente do que é feito para verrugas virais”, explica a dermatologista.

O molusco contagioso, por sua vez, é outra doença que provoca o surgimento de pápulas na pele semelhantes às do HPV. Luciana diz que por ser causada por um vírus, a doença também pode ser passada pelo contato com objetos ou pessoas infectadas. Esta é muito comum em crianças e muitas vezes combatida pelo próprio organismo, assim como o HPV.

Já no caso das pessoas idosas, é muito comum o aparecimento da ceratose seborreica que, segundo Luciana, são lesões amarronzadas, graxentas, de aspecto gorduroso, mas que também não são verrugas. “Trata-se de um tumor benigno, que aparece na pele com a idade e por um componente genético”, conta.

Cuidado aos tratamentos alternativos

A médica destaca que é primordial que o paciente procure um médico antes de iniciar qualquer tratamento em uma lesão de pele. Os medicamentos para queimar verrugas, por exemplo, se utilizados de maneira incorreta podem interferir no aspecto da lesão e atrapalhar o diagnóstico de uma doença mais grave. “Não se deve tratar uma lesão de pele por conta própria, justamente porque pode-se confundir um tumor de pele com uma verruga que, quando diagnosticado precocemente, apresenta maior chance de cura. Por isso é importante procurar um médico antes de iniciar qualquer tratamento”, recomenda.

Luciana ainda explica que muitas vezes as verrugas recidivam na pele já tratada.  “Acredita-se que quando se contrai um HPV ele fica para sempre no núcleo da célula, em estado de latência, podendo voltar em qualquer época da vida, se multiplicar e fazer com que as verrugas apareçam novamente. Por isso, ao tratar as lesões, procura-se queimar também a pele normal em volta delas, pois sabemos que aquela região também está infectada”, diz.

Ela também orienta que os tratamentos caseiros e ‘alternativos’, como a benzeção, ou a utilização de algum produto natural, apesar de não terem a eficácia cientificamente comprovada, podem ser benéficos ao tratamento, desde que não machuquem ou prejudiquem o paciente, ou interfiram nas orientações médicas.  “Há uma autorresolução das lesões por um estímulo imunológico do próprio organismo. Por isso, esses métodos alternativos podem de alguma forma estimular o sistema imunológico a agir contra o vírus e fazer com que as verrugas desapareçam”, afirma.

Justamente pela diversidade de doenças da pele e o fato de muitas delas provocarem lesões semelhantes às verrugas, a médica afirma que a principal indicação é de que o paciente procure um especialista quando houver alguma suspeita.

    Contador de visitas: 1.098 visualizações

    Veja também: