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Limpeza que promove saúde


Publicado em: ExternasRádio - 9 de Abril de 2016

“Lixo: Realidade Brasileira” aborda a importância social dos agentes de limpeza e a relação entre o lixo e a proliferação do mosquito Aedes aegypti, dentre outros assuntos

ImpressãoSeja em uma conversa entre pessoas que acabam de se conhecer, um papo casual ou de consultório, a pergunta não costuma demorar: “O que você faz”? É pela via do trabalho que os indivíduos se constituem como seres humanos e de identidade, de modo que a falta de reconhecimento social tende a influenciar no sentimento próprio de valorização, gerando sintomas como a baixa autoestima. Neste contexto, os agentes de limpeza urbana, que contribuem para a diminuição de doenças e equilíbrio ecológico por meio da reciclagem, ainda fazem parte de uma classe profissional vulnerável psicologicamente.

Garis, catadores e coletores de lixo estão expostos a quadros de alcoolismo e depressão, dentre outros. Segundo a professora do Departamento de Psicologia da UFMG, Vanessa Barros, esses trabalhadores padecem de uma infeliz “contaminação” com o objeto de seus trabalhos. “O fato do objeto de trabalho ser o lixo constroi uma representação ‘suja’ do trabalho que eles realizam. Então essa representação do que é jogado fora, dos dejetos, do que produz doença, tudo isso passa para o trabalhador”, afirma.

Foto: Reprodução | Internet

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Hoje, se caminha para uma visão geral mais consciente sobre o trabalho dos agentes de limpeza, indivíduos associados ao bom humor e à simpatia. “É importante notar também o outro lado. Existem as pessoas que veem como uma atividade de limpeza urbana. Essa é uma representação diferente, que pode promover um fortalecimento identitário, o reconhecimento social. A gente vê, inclusive em alguns veículos midiáticos, que é um trabalho reconhecido, que os trabalhadores dessa área também se apresentam com orgulho”, avalia Vanessa Barros.

Em Belo Horizonte, cerca de 300 mil pessoas não têm uma coleta regular de lixo, que se espalha pela cidade e é depositado em fundos de vale e córregos. Mais um motivo para valorizar socialmente, por exemplo, as atividades dos catadores de material reciclável e suas associações, fundamentais para o aumento da reciclagem. “Na época das chuvas, esse lixo entope os bueiros, as sarjetas, acontecem enchentes que atraem a proliferação de ratos, que, por sua vez, podem transmitir a leptospirose”, exemplifica o professor titular da Faculdade de Medicina e integrante do Projeto Manuelzão da UFMG, Antônio Radicchi.

A proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue, febre chikungunya e zika vírus, doenças que representam epidemias atuais no país, tem relação com o lixo mal armazenado, que pode se configurar em foco para acúmulo de água parada. Como tal condição favorece a reprodução do mosquito, é necessário dispor o lixo de maneira correta, eliminando-o por um sistema de coleta e dedicando atenção redobrada aos materiais que podem servir como recipientes para esse acúmulo.

Para saber mais sobre a saúde mental dos agentes de limpeza urbana e a associação entre lixo e proliferação do Aedes aegypti, além das políticas atuais para controle dos resíduos e os grupos mais vulneráveis pelo manejo incorreto do lixo, confira a nova série do Saúde com Ciência, que vai ao ar entre os dias 11 e 15 de abril.

Sobre o programa de rádio

O Saúde com Ciência é produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

O programa também é veiculado em outras 175 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

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