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Laqueadura e vasectomia devem ser última opção de contracepção


Publicado em: ExternasSaúde - 20 de julho de 2017

*Alice Leroy

A laqueadura de trompas e a vasectomia são métodos contraceptivos cirúrgicos que impedem definitivamente o contato de espermatozoides e óvulo. A laqueadura, ou ligadura, consiste no corte das tubas uterinas, também conhecidas como trompas de falópio. Já na vasectomia, o que se corta são os canais deferentes, que levam os espermatozoides até a vesícula seminal.

Professor Antonio Aleixo Neto: métodos definitivos devem ser última opção. Foto: Carol Morena

O professor Antônio Aleixo Neto, do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFMG, explica que ambas as cirurgias são simples e com recuperação rápida. A laqueadura, no entanto, envolve mais cuidados, se feita por método abdominal.

As cirurgias não envolvem efeitos colaterais comprovados. “Há uma controvérsia nas pesquisas médicas. Alguns estudos demonstram um aumento do fluxo menstrual na mulher após a laqueadura, devido à destruição de uma parte da circulação arterial e venosa que irrigaria os ovários, mas não há nada comprovado”, conta o professor.

A vasectomia e a laqueadura de trompas são muito eficazes, chegando a atingir, no máximo, 0,5% de falha. O índice se equipara ao de alguns métodos hormonais, como o implante hormonal, o Implanon, e o DIU Mirena.

Antônio Aleixo Neto alerta, entretanto, para a seriedade do método. Por se tratar de uma cirurgia irreversível, é necessário que os pacientes tenham ponderado bastante a respeito da decisão, pensando em longo prazo com maturidade. “O método cirúrgico deve ser a última opção por ser definitivo. A possibilidade de reversão é muito baixa, e se essa decisão não for tomada com cautela pode haver consequências emocionais para o paciente”, avisa.

Laqueadura de trompas e alto índice de cesarianas
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), dados de 2015  mostram que o Brasil é o país com o maior número de cesáreas no mundo,.  De acordo com a OMS, a cada 10 partos realizados, apenas 1,5 deve ser cesárea. No Brasil, o número chegava a 8,5.

Uma das causas para o alto número de cesarianas realizadas, de acordo com o professor, é a ligadura das tubas uterinas. “A gestante muitas vezes optava pela cesariana sem necessidade, apenas pelo desejo de fazer a ligadura logo após o parto”, explica. O método é popular no Brasil, principalmente na região Centro-Oeste: mais de 40% das mulheres casadas ou em união estável já fizeram a laqueadura de trompas, segundo Antônio Aleixo Neto.

Fonte: Brasil: Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde de 1996. Rio de Janeiro: Sociedade Civil Bem-Estar no Brasil, 1997

Contudo, essa situação tende a mudar. O professor conta que desde 1996, pela Lei nº 9.263/96 só é permitido realizar a cirurgia contraceptiva pós cesariana após a terceira cesárea. O número de cesarianas também tem diminuído: em 2015, o procedimento caiu 1,5 ponto percentual.

Outro aspecto importante que contribui para essa situação é o aumento do uso de métodos contraceptivos de longa duração, como o DIU e o Implanon.

Lei do planejamento familiar
A Lei do Planejamento Familiar (Lei Nº 9.236) sancionada em 12 de janeiro de 1996 pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, regulamenta o planejamento familiar no Brasil e trata, em seu artigo 10, da esterilização voluntária, como a laqueadura de trompas e a vasectomia.

A Lei estabelece que a esterilização é permitida para homens e mulheres com capacidade plena acima dos 25 anos ou com pelo menos dois filhos vivos. Em caso de união conjugal, é necessário o consentimento expresso do cônjuge. Para o professor Antônio Aleixo, essa medida evita complicações legais, principalmente em caso de divórcio.

Leia mais: DIU é alternativa para contracepção segura

 

*Redação: Alice Leroy – estagiária de jornalismo
Edição: Mariana Pires

 

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