O Laboratório de Micobactérias da Faculdade de Medicina da UFMG inicia nesta segunda-feira, 30, testes de novo método que permitirá resultados mais precisos e rápidos para a detecção da tuberculose. O teste é conhecido como Molecular Detect-TB Labtest e o resultado demora em média dois dias, com amostras respiratórias de pacientes  do Hospital das Clínicas da UFMG.

A implantação temporária do teste faz parte do projeto de pesquisa “Avaliação de custo-efetividade por meio de amplificação de ácido nucleico para o diagnóstico da tuberculose”, da Faculdade de Medicina da UFMG, com apoio do Hospital das Clínicas da UFMG, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

De acordo com a professora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Silvana Spindola de Miranda, coordenadora do Laboratório de Micobactérias da Unidade, o teste busca descobrir se os novos kits de diagnóstico são eficazes e com aplicabilidade na rede pública de saúde. “Com o termo de consentimento do paciente, vamos testar os kits para ver se eles têm validade, além de ser possível utilizar em diversos lugares como locais públicos, hospitais, centros de referências e ambulatórios”, diz.

Silvana Spindola explica que o novo método, altamente sensível e específico, levará cerca de 1h30 para gerar os resultados. “Atualmente, os exames de diagnósticos realizados não são tão sensíveis e específicos, com grande probabilidade de erro”, afirma a professora. Ela ressalta que, em muitos casos, os pacientes são tratados, mesmo sem um diagnóstico confiável. “Se o paciente estiver doente, com raio-X alterado e emagrecendo, por exemplo, é tratado para tuberculose, mesmo com o exame negativo. Pois eles [os exames] não são exatos”, conta.

Segundo a professora, os testes também serão realizados em outros dois estados, a fim de verificar se a resposta será a mesma nos diferentes locais. “De repente, o teste é feito no Hospital das Clínicas e funciona bem, mas no Rio de Janeiro ou em Manaus, por exemplo, não funciona. Então não vai ser um bom teste”, analisa. Parte dos kits de diagnóstico que serão utilizados foi produzida pela equipe do laboratório. “O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFMG (COEP) e esperamos que os resultados sejam os melhores”, conclui.

Mal de todos os séculos

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Dados da Organização Mundial de Saúde revelam que o Brasil ainda faz parte da lista de 22 países com maior número de casos de tuberculose.  De acordo com a professora Silvana Spíndola, são em torno de 70 mil novos casos por ano. Só em Belo Horizonte, são mais de mil novos casos, e na região metropolitana, mais de dois mil. “No decorrer de um dia, morrem, em média, 16 pessoas de tuberculose”, alerta.

A tuberculose é uma doença que está relacionada com a pobreza, condições precárias de saúde, alcoolismo e doenças crônicas como diabetes. Além desses fatores, atualmente a doença é a principal causa de mortes de pessoas infectadas pelo HIV/Aids, pois ataca as células de defesa e imunidade do organismo.

A tuberculose tem causa bacteriana e compromete na maioria das vezes os pulmões, mas também pode afetar outros órgãos e sistemas do organismo. Dentre os sintomas, estão a tosse continua por mais de três semanas, escarra de sangue, febre, emagrecimento e perda de apetite.

Apesar de ser financiado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o principal obstáculo do controle da tuberculose é o abandono ao tratamento. “Quando o tratamento é iniciado, o paciente já percebe que sintomas como tosse, febres e outros são reduzidos e, por isso, acha que já está curado. Isso é grave, pois é comprovado que a doença não é curada em menos de seis meses”, alerta a professora.

Pessoas com tuberculose ativa podem transmitir a doença através de espirros, tosse e também ao falar. “Por isso a importância da conscientização, principalmente em locais com maior incidência, e métodos mais eficazes para o diagnóstico”, ressalta Silvana.

*Atualizada em 01/10/2013, às  10h32

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