Pesquisa de âmbito nacional sobre a saúde dos magistrados trabalhistas desenvolvida por pesquisadoras da Faculdade de Medicina da UFMG será apresentada, a convite dos organizadores, durante o 33º Congresso Internacional de Direito e Saúde Mental, de 14 a 19 de julho de 2013, em Amsterdam, na Holanda.

De autoria das professoras Ada Ávila Assunção, do Departamento de Medicina Preventiva e Social, e Adriane Mesquita de Medeiros, do Departamento de Fonoaudiologia, o estudo avaliou a “sensação de segurança pessoal ameaçada” dos  magistrados brasileiros da Justiça do Trabalho.

De um universo de 3,4 mil magistrados, 579 participaram, respondendo a um questionário na internet.

A maioria dos participantes da pesquisa (54%) está na carreira há mais de 10 anos, tem idade entre 35 e 46 anos (48,9%), sexo feminino (51,2%), é casada (79,1%), tem filhos (73,8%) e se autodeclara branca (81,6%) . A escolaridade da mãe é superior a 8 anos (66,6%).

Mais de um terço dos magistrados (37,7%) que participam do estudo sentem que sua segurança pessoal é ameaçada no trabalho. Destes, também 58,8% negaram perceber reconhecimento pelos esforços despendidos, sendo que deste  total 28% ficam estressados ou muito estressados com a falta de reconhecimento.

A maioria destes (51,6%) é do sexo feminino. E elas relataram mais agressões interpessoais, cometidas principalmente por agentes externos, tanto usuários e seus acompanhantes, quanto advogados. Os homens contam terem vivenciado mais incidentes internos, como ameaças e agressões.

Outros estudos nos quais a pesquisa se baseia mostram que esse tipo de agressão resulta de uma série de circunstâncias, geralmente centradas no desespero e na vulnerabilidade do usuário dos serviços.

Avaliando a dinâmica da Justiça do Trabalho como por si conflituosa, Ada Ávila afirma ser possível que as situações de conflito evoluam de maneira a gerar atos interpessoais agressivos ou violentos, tendendo a gerar insegurança para os atores do sistema. “Agressão entre colegas ou perpetrada pela hierarquia está associada à diminuição do compromisso com a organização; por outro lado, agressão praticada por agentes externos aumenta o turnover e o absenteísmo”.

Controle excessivo de prazos e metas apertadas, estatisticamente associadas à percepção de segurança pessoal ameaçada, “levam ao desencadeamento de estresse e mal-estar, condições que tornariam os profissionais mais susceptíveis ou menos equipados para enfrentar essas situações”.

“Os resultados obtidos são consistentes e úteis na medida em que fornecem indícios sobre os fatores relacionados à insegurança no trabalho, todos eles passíveis de abordagem em tempos de reforma judiciária”, destacam as autoras.

O artigo das pesquisadoras será publicado  na revista International Journal of Law and Psychiatry

 

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