Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Escala de Triagem de Vulnerabilidade ao Abuso se mostrou sensível ao rastreio e pode ser utilizada por diversos profissionais de saúde

idoso imagem saudegeia.com.brA violência doméstica contra os idosos é de difícil prevenção. Identificada por dois instrumentos epidemiológicos no Brasil, os dados são subestimados, já que só são registrados quando a violência já aconteceu ou quando profissionais de saúde visitam as residências. “É preciso conhecer o problema para enfrentá-lo, e para identificá-lo precisamos de uma ferramenta adequada”, afirma a autora de um estudo defendido junto ao Programa de Pós- Graduação em Promoção da Saúde e Prevenção da Violência da Faculdade de Medicina da UFMG, Raquel Batista Dantas.

A Escala de Triagem de Vulnerabilidade ao Abuso (VASS) é um instrumento de rastreio inédito no Brasil, originado na Austrália. Visando adaptá-lo culturalmente para uma melhor coleta de dados da violência contra idosos, a pesquisadora aplicou-o a 151 idosos, com 60 anos ou mais, membros de um centro de referência do idoso de Belo Horizonte. Os participantes responderam perguntas sobre suas informações sociodemográficas, dados clínicos e de saúde, numa pesquisa com respostas rápidas e média de preenchimento do instrumento foi de 2 minutos.

“O VASS se mostrou um instrumento de grande sensibilidade de rastreio, podendo identificar situações de violência de forma eficiente”, conta Raquel. As respostas do instrumento geram um índice, cuja somatória maior ou igual a 3 evidencia uma vulnerabilidade do idoso para ocorrência de abusos domésticos. “O resultado do indicador de vulnerabilidade aponta a necessidade de um acompanhamento multiprofissional, porque esse idoso está vivenciando ou tem fortes chances de sofrer uma violência doméstica”, diz.

Para Raquel, outra vantagem da ferramenta é sua facilidade de utilização: ele pode ser aplicado em pesquisas epidemiológicas, serviços de rastreio de violência doméstica na Atenção Primária e por profissionais de diversas formações, inclusive de ensino médio – como agentes comunitários em saúde.

A autora destaca que o rastreio da violência é fundamental. “É a partir dele que trabalharemos a prevenção. Numa região em que exista uma prevalência de vulnerabilidade, é preciso criar serviços de apoio ao enfrentamento da violência, como centros de referência para a população idosa, que darão a ela um meio social com acompanhamento psicológico, social e de saúde”, explica.

Notificação obrigatória e qualidade de vida dos idosos

A violência é um problema que traz conseqüências a médio e longo prazo. Idosos vítimas de abusos em qualquer esfera podem ser tornar dependentes e vulneráveis, chegando até mesmo a internações e declínio funcional. “A violência é um indicador da qualidade de vida, e a aplicação de um instrumento eficaz para seu reconhecimento revela-se como uma estratégia valiosa para identificar o perfil de saúde da população idosa”, afirma a pesquisadora.

Além da dificuldade de identificação, Raquel aponta outras situações que prejudicam o desenvolvimento de ações para prevenção da violência doméstica contra os idosos: o desconhecimento, por parte dos profissionais, da notificação obrigatória do evento, e o medo que eles têm de precisar atuar na instância policial.

“É preciso esclarecer que a violência contra o idoso, seja ela física, psicológica, sexual, social ou financeira, deve ser notificada, e ressaltar que a notificação epidemiológica não significa atuar no âmbito legal. Mas é responsabilidade do profissional identificar e comunicar às autoridades competentes”, conclui.

Título: “Violência domestica contra idosos: adaptação transcultural e validação da Escala de Triagem de Vulnerabilidade ao Abuso –VASS”
Nível: Mestrado
Autora: 
Raquel Batista Dantas
Orientadora: Andrea Maria Silveira
Coorientadora: Graziella Oliveira Lage
Programa: Promoção da Saúde e Prevenção da Violência
Defesa:  14 de agosto de 2014

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    Contador de visitas: 1.116 visualizações

    Veja também: