*Carol Prado

Considerando o atendimento às gestantes, estudo propõe padrão para que diferentes especialistas consigam tomar melhores decisões em casos de urgência e risco à mãe e ao bebê

Imagem: Freepick

Com um estudo interdisciplinar entre as áreas da Saúde e Tecnologia da Informação, a analista de sistemas, Thábata Queiroz Vivas de Sá, propôs a criação de um modelo para informação eletrônica em saúde, que seja entendido por médicos do pré-natal ou pelo profissional do atendimento de urgência. O documento foi produzido como dissertação, defendida junto ao Programa de Pós-Graduação em Saúde da mulher da Faculdade de Medicina da UFMG.

Com o compartilhamento de informações padronizadas, a tomada de decisões pode ser baseada nos registros dos cuidados em saúde, segregados em diferentes sistemas de informação dos diversos locais onde a paciente foi atendida. Ao apontar a precariedade de informações padronizadas e integradas sobre a gestação no cenário brasileiro, Thábata argumenta que a continuidade da assistência é elemento crítico para redução da mortalidade e morbidade associadas às complicações obstétricas.

“A possibilidade de apoiar a tomada de decisão, de acordo com as informações disponibilizadas no modelo, é uma forma de contribuir com o aumento de desfechos positivos durante a gravidez e repercutir favoravelmente na saúde materno-infantil”, ressalta Queiroz. Principalmente porque “o impacto do acesso às informações sobre a gestação é ainda mais significativo pelo pouco tempo disponível para a tomada de decisão”. Thábata acrescenta: “O que é compreensível para uma especialidade ou dentro de uma unidade de saúde pode não ser para outras”.

 “Dentro deste contexto, a continuidade informacional sobre o cuidado pré-natal pode ser um dos determinantes do sucesso da gravidez no momento do nascimento”, comenta. Mas, a pesquisadora ressalta que adotar padrões de informações que possam transitar facilmente entre o médico e os demais profissionais de saúde é um grande desafio.

Informações padronizadas para o melhor cuidado

O modelo, composto pelos registros clínicos essenciais sobre o cuidado pré-natal, é baseado em padrões de interoperabilidade reconhecidos internacionalmente, de acordo com a pesquisadora. Ele foi elaborado justamente com o objetivo de abordar os dados essenciais para a tomada de decisão em um cenário de urgência obstétrica.

Além do apoio da Fundação de Amparo a Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), ela contou com nove especialistas em ginecologia e obstetrícia, pertencentes ao corpo clínico do Hospital das Clínicas da UFMG, que atuam diretamente no cuidado pré-natal e hospitalar obstétrico. Essa equipe foi responsável por apontar as informações mais relevantes para o modelo. O protótipo, como esclarece Thábata, “foi a melhor maneira de representar o conjunto de registros clínicos essenciais ”.

Entre as informações da gestante está o histórico obstétrico, riscos clínicos relacionados à gestação, medicamentos utilizados pela gestante, plano de cuidados e de parto. Mas, segundo a pesquisadora, é preciso ter gerenciamento apropriado dessas informações a serem trocadas. “Isso inclui a adoção de padrões que, muitas vezes, é o maior obstáculo dentro da instituição” explica. Por isso que, em sua pesquisa documental, ela procurou evidenciar a importância dessa padronização.

Além de apontar a relevância de obter informações duráveis e compreensíveis sobre o pré-natal, o estudou “revelou enorme fragilidade das informações registradas em documentos abertos à escrita livre”. “O uso excessivo de siglas e abreviaturas estava presente na maior parte das informações essenciais indicadas pelos especialistas, comprometendo a compreensão dos documentos clínicos” conta.

Modelo de Informação pode ser utilizado em diferentes instituições

Para a analista, esse é um importante primeiro passo para fomentar discussão nacional e a formalização de um documento eletrônico estruturado e vital para o cuidado à gestante em situação de emergência. “Acreditamos que o modelo proposto possa ser aprimorado por organizações que trabalham com a padronização de registros clínicos em saúde”, afirma Thábata.

De acordo com ela, a proposta foi pensando em ser levada para a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), representante da ISO no Brasil, que realiza reuniões periódicas com profissionais de saúde e tecnologia da informação, além de representantes do governo brasileiro, para promover diretrizes e padrões de informática em saúde.

“Futuramente também pode servir de subsídio para adoção nacional por meio do Ministério da Saúde que tem trabalhado padronizar dados em saúde em todo o território nacional”, acrescenta Queiroz.

“Podemos especular um cenário ideal em que a gestante chega à maternidade, em caráter de urgência, e o profissional de saúde tem acesso imediato aos dados essenciais do pré-natal para a tomada de decisão”, enfatiza Queiroz. Ela cita que esses dados podem ser os resultados de exames, fatores de risco identificados, diagnósticos, uso de medicamentos e o plano de cuidado indicado para a internação obstétrica.


Nome do trabalho: Compartilhamento de informações sobre o cuidado obstétrico entre a rede de atenção básica e a maternidade
Autor: Thábata Queiroz Vivas de Sá
Nível: Mestrado
Programa: Saúde da mulher 
Orientadora: Zilma Silveira Nogueira Reis
Data da defesa: 2 de março de 2018


*Carol Prado – estagiária de Jornalismo
edição: Deborah Castro

    Contador de visitas: 201 visualizações

    Veja também: