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Infecções hospitalares: problema de saúde pública


Publicado em: ExternasRádio - 15 de maio de 2015

Tipos, grupos de risco, formas de prevenção e as diversas causas de infecções hospitalares são destaques deste Saúde com Ciência

saudecomcienciaA infecção hospitalar, também denominada infecção relacionada à assistência à saúde, ou simplesmente IRA, tem relação com diversos fatores, que vão desde a falta de higiene, dificuldades com a infra-estrutura dos serviços de saúde, até o cuidado dos profissionais.

No Brasil, tal problema passou a ter mais visibilidade após a morte do mineiro Tancredo Neves, em 1985. O primeiro presidente eleito depois do período ditatorial foi diagnosticado com uma diverticulite e nem chegou a tomar posse, mas investigações posteriores sugeriram que o agravamento do seu quadro ocorreu devido a uma infecção hospitalar.

Quem comenta as múltiplas causas das infecções hospitalares é a professora da Escola de Enfermagem da UFMG, Adriana Oliveira. “Elas podem estar relacionadas ao paciente, aos procedimentos que ele realiza. Então, por exemplo, um paciente que se submete a uma cirurgia pode ter uma infecção cirúrgica, mas seu perfil também vai influenciar o surgimento da infecção”. Quando a professora cita o perfil do indivíduo, ela se refere a características como idade, doenças que ele apresenta – diabetes é lembrada –, e uso de medicamentos que deprimem o sistema imunológico, entre outras.

Segundo Adriana, existem quatro tipos principais de infecções hospitalares: urinária, cirúrgica, respiratória e infecção da corrente sanguínea. A incidência de cada uma está associada ao hospital ou unidade de saúde e ao tipo de procedimento que o paciente está sendo submetido. Pensando em um Centro de Terapia Intensiva (CTI), que abriga pacientes operados, em estado crítico, a especialista exemplifica: “Dependendo do CTI, nós vamos ter mais pacientes que usam o tubo respiratório, e aí o principal problema vai ser infecções como uma pneumonia”.

Infecções hospitalares estão diretamente ligadas à falta de higiene das mãos. Crédito da foto: movenoticias.com

Infecções hospitalares estão diretamente ligadas à falta de higiene das mãos.
Crédito da foto: movenoticias.com

Um dos cuidados preventivos mais importantes se refere à higiene das mãos, que deve ser realizada tanto pelos profissionais da saúde, quanto pelos pacientes e visitantes. O indivíduo deve lavar as mãos com água e sabão e, caso não haja sujeiras visíveis, o álcool em gel pode substituir a limpeza.

Recém-nascidos e gestantes

Gestantes e recém-nascidos representam, assim como idosos e diabéticos, grupos de risco para infecções hospitalares. Os bebês estão mais propensos por terem as barreiras de proteção do organismo em desenvolvimento. “Como no recém-nascido a pele ainda não está totalmente desenvolvida, ele tem mais propensão às infecções. Além disso, tem o sistema imunológico, nosso sistema de defesa, que ainda está em desenvolvimento”, afirma a pediatra e professora da Faculdade de Medicina da UFMG, Elaine Alvarenga.

As gestantes também ficam mais vulneráveis às infecções, já que estão dividindo suas defesas entre si e o bebê. Para evitar o quadro, além da limpeza das mãos, outro cuidado deve ser tomado: não depilar os pêlos pubianos antes de dar à luz. “O ideal é que a mãe faça no hospital uma tricotomia, ou seja, um corte dos pêlos, somente apará-los”, explica Elaine. A raspagem é contra-indicada, porque há grandes chances dos poros estarem abertos, o que propicia o crescimento de bactérias e aumenta o risco de infecção.

Problema de saúde pública

As entrevistadas da série indicam que as infecções hospitalares são encaradas como um problema de saúde pública, sendo um dos principais obstáculos na qualidade da assistência médica no Brasil e no mundo. Desde a década de 1980, algumas ações buscam o objetivo de reduzir a incidência das IRA’s no país. De acordo com a também professora da Escola de Enfermagem, Vânia Gôveia, de 2012 até o presente ano é realizado o Programa Nacional de Controle e Prevenção às Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde.

A partir desse programa, criado pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), houve uma evolução: “A gente tem materiais, protocolos disponibilizados no site da Anvisa para que os serviços implementem as medidas. Existe ainda a obrigatoriedade dos serviços reportarem os índices de infecção. Desta forma, vamos ter dados nacionais atualizados para serem trabalhados”, relata. O programa estabeleceu metas de prevenção de infecção, facilitando, segundo Vânia, a padronização das medidas preventivas pelos serviços de saúde.

Sobre o programa de rádio

Saúde com Ciência, que apresenta a série Infecções Hospitalares entre os dias 18 e 22 de maio de 2015, é produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. De segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h, ouça o programa na rádio UFMG Educativa, 104,5 FM.

Ele também é veiculado em outras 105 emissoras de rádio, que envolvem as macrorregiões de Minas Gerais e os seguintes estados: Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

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