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Infecção urinária em crianças não tem relação com higiene


Publicado em: ExternasSaúde - 13 de Janeiro de 2015

 

Ao contrário do que se ouve, a infecção urinária não é transmissível ou contagiosa, e não pode ser infectada em vias públicas, nem por má higienização dos genitais

Reprodução: internet

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A infecção do trato urinário (ITU) tem origem quando bactérias surgem no aparelho urinário: uretra, bexiga, ureteres e rins, e se alojam na parede que reveste essa região do corpo, denominada uroepitélio. Lá, elas se multiplicam e causam um processo infeccioso e inflamatório. “É muito importante que as famílias saibam que não há nenhuma relação entre a limpeza dos genitais e a infecção urinária”, ressaltou o professor aposentado do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, José Maria Penido.

Segundo o nefrologista, 50% das ITU são casualidades e não podem ser evitadas. As outras 50% ocorrem, geralmente, por algum fator que favoreça o alojamento dessas bactérias no trato urinário. “Existem pessoas com predisposição para a infecção do trato urinário. São aquelas com malformações do trato urinário, com disfunções miccionais, as portadoras de cálculo renal e aquelas que seguram muito a urina”.

Diferente dos adultos, que podem ter um aumento considerável da frequência das micções, sensações de “queimação” na uretra e desconforto ao urinar, o principal sintoma da infecção urinária em crianças é a febre. “Nos recém nascidos, até 28 dias de vida, e nos bebês até três meses de vida, a apresentação pode ser a de temperatura baixa (hipotermia), mas a febre continua sendo um achado frequente”, informou o especialista.

De acordo com o professor, acometimento do estado geral com prostração, perda do apetite e sucção fraca podem ser outros sintomas para alertar pais de recém nascidos. Em crianças maiores é normal observar queixas especificas do trato urinário, como aumento da frequência de micção e dor e dificuldade para urinar.

Tratamento

Uma vez confirmada à infecção urinária em crianças, que é diagnosticada por exames de urina alterados, o tratamento deve ser analisado e indicado individualmente. “Quando recém nascidos, ou crianças com comprometimento importante do estado geral, que não toleram medicamento por via oral ou estão desidratadas, é necessário internação; nas demais crianças o tratamento é feito em ambulatório, ou seja, ela é tratada em casa, tomando antibióticos por via oral”, avalia Penido.

Após o primeiro episódio de infecção urinária, existe uma chance entre 30% e 50% de reincidência no primeiro ano. “As preocupações médicas após o diagnóstico de ITU podem ser resumidas em possibilidade de reincidência, que pode ser leve ou acentuada ou que a infecção acometa os rins, prejudicando suas funções. Outra preocupação são as infecções urinárias não diagnosticadas ou não avaliadas adequadamente, atrasando o início do tratamento, o que pode resultar em prejuízos para a saúde da criança, como perda da função renal, hipertensão arterial sistêmica, entre outras”, ponderou o professor.

Segundo o especialista, pais de crianças com infecções urinárias de repetição devem observar aspectos quanto ao hábito miccional e intestinal, casos existentes ou semelhantes na família, e procurar ao pediatra para que se informem e discutam quanto ao assunto. “A visão atual da medicina é tentar definir aquelas crianças que potencialmente correm riscos de lesão para o trato urinário e acompanhá-las com muita atenção”.

Disfunções do trato urinário
As disfunções do trato urinário (DTUI), também chamadas de disfunções da bexiga, são situações que também podem favorecer a infecção urinária. “Nessas situações, a bexiga contrai fora de hora (a bexiga deve contrair só no momento da micção), ou não contrai de forma adequada, o que não permite o esvaziamento adequado da bexiga”, explica o nefrologista.

De acordo com o professor, as crianças que apresentam essas alterações, geralmente, iniciam na faixa etária entre quatro e seis anos de idade. Para os pais ou cuidadores, é essencial observar se a criança “segura” muito a urina, apresentando perdas urinárias, com gotas de urina nas vestes íntimas, ou quando apresentam urgência miccional. “Esses quadros, geralmente, também são acompanhados de constipação intestinal. Assim, as famílias devem observar as febres, queixas urinárias, alterações no hábito de micção e do funcionamento do intestino”, concluiu.

 

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