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Homeopatia, musicoterapia e meditação são abordadas em mesa-redonda


Publicado em: CongressoExternas - 30 de agosto de 2017

Práticas Integrativas e Complementares foi o tema discutido nesta quarta-feira, 30 de agosto, em mesa-redonda do 4º Congresso Nacional de Saúde da Faculdade de Medicina da UFMG.

Os fundamentos básicos e evidências científicas da Homeopatia foram apresentados pelo professor e coordenador da disciplina optativa Fundamentos da Homeopatia, da Faculdade de Medicina da USP, Marcos Zulian.

Marcos Zulian explicou que a Homeopatia é um método terapêutico que emprega o princípio de cura pelos semelhantes. Foto: Carol Morena.

De acordo com o professor, a Homeopatia é um método terapêutico que emprega o princípio de cura pelos semelhantes, utilizando medicamentos que causam sintomas em indivíduos sadios para tratar sintomas semelhantes em indivíduos doentes. Além disso, é um modelo antropológico vitalista que busca entender a saúde e a doença de forma globalizante. “Ou seja, vendo o indivíduo não apenas como um conjunto de órgãos, mas com sua individualidade, sua mente, espírito, sua força vital e todas as instâncias que o compõe”, destacou.

Zulian também explicou que os medicamentos são únicos e individualizados, englobando a totalidade de sinais e sintomas característicos do paciente. Atualmente, já existem 3 mil medicamentos experimentados e descritos.

O professor também citou alguns preconceitos sobre a homeopatia, dentre eles a demora no tratamento. “Não é o tratamento homeopático que é demorado, essa individualização pode demorar mais, mas o efeito do remédio é imediato e automático, desde que seja bem escolhido”, avaliou. Zulian também comentou sobre a possibilidade de não poder associar o tratamento a outros remédios. “Deve ser associado sim e deve, eticamente, até que você tenha certeza que o seu remédio está atuando, você não pode suspender os remédios que o paciente está utilizando e traz segurança”, explicou.

Ainda segundo o professor, há comprovação científica do tratamento. “A pesquisa básica mostra a validade dos pressupostos homeopáticos e a pesquisa clínica, através dos ensaios clínicos homeopáticos”, argumentou.

Musicoterapia

A musicoterapia, outra prática integrativa, foi apresentada pelo professor da Escola de Música da UFMG, Renato Sampaio.

De acordo com Renato Sampaio, a musicoterapia promove uma mudança na condição de saúde da pessoa. Foto: Carol Morena.

A música é utilizada de diversas formas no dia a dia das pessoas, como energizar o movimento (durante uma caminhada), nos rituais sociais (casamentos e aniversários) e para as práticas religiosas, por exemplo. Entretanto, é preciso separar o que seria os efeitos benéficos da prática musical com a música e saúde, que são práticas mais direcionadas e intencionais.

De acordo com Renato, nem todo uso da música é musicoterapia. Um fisioterapeuta, por exemplo, que utiliza música para organizar o movimento do paciente, a atividade não é considerada como musicoterapia. A diferença é que é mais que um recurso terapêutico, mas o meio pelo qual a mudança de saúde acontece. “A musicoterapia é um processo sistemático de intervenção do desenvolvido por um profissional qualificado, no qual a experiência musical de uma relação terapêutica favorece a promoção, a manutenção ou a recuperação, considerando sempre as condições específicas daquele indivíduo”, avaliou.

Na musicoterapia são utilizados quatro tipos de experiências musicais: audição, performance, composição e improvisação. Além de critérios para selecionar os tipos de atividades musicais usadas, como as necessidades clínicas, as habilidades, potenciais, e gostos do paciente.

Segundo Renato, a musicoterapia que promove uma mudança na condição de saúde da pessoa. Por exemplo, no caso de crianças autistas, que precisam de uma melhora na comunicação e na integração social, combinam-se gostos e interesses utilizando qualquer tipo de som, como o arrastar da cadeira ou a música erudita. “Uma das grandes dificuldades da pessoa com autismo é a atenção compartilhada. Se ele permanece na atividade musical compartilhada por um período de tempo maior, eu estou trabalhando e estimulando isso e tratando a pessoa com autismo para que ela tenha uma melhor condição de interação social”, explicou.

Meditação da atenção plena e a interação mente-cérebro na promoção da Saúde

A meditação também foi uma das terapias complementares discutidas no 4º Congresso Nacional de Saúde. O assunto foi abordando pelo professor do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, Ramon Cosenza.

Ramon Cosenza explicou que a meditação é um treinamento da atenção voluntária. Foto: Carol Morena.

De acordo com o professor, o sistema nervoso tem uma plasticidade enorme e está constantemente mudando. A estimulação mental pode alterar a organização do sistema nervoso de uma maneira semelhante da que ocorre com um treinamento físico, por exemplo.

A meditação é um treinamento da atenção voluntária. “Como a gente consegue ficar prestando atenção no momento presente? A maneira mais comum é prestar atenção na respiração e ir treinando a capacitação de atenção. É muito difícil manter a atenção voluntária, e quando estamos meditando, isso não muda”, explicou Ramon. O professor também explicou que há ciclos durante a meditação, com intervalos de concentração e divagação.

Segundo Consenza, a meditação com atenção plena é um processo de aumento da autorregulação que atua através do controle da atenção, regulação emocional (a redução do estresse) e a alteração da auto-percepção e da consciência corporal.

O professor explicou também que a meditação auxilia no controle e tratamento de doenças como ansiedade, depressão, transtorno bipolar, transtornos de alimentação, hipertensão, dor crônica, além de poder atuar na prevenção de demências.

A mesa-redonda Práticas Integrativas e Complementares foi presidida pela superintendente do Hospital das Clínicas da UFMG, Luciana de Gouvêa e moderada pelo professor do Departamento do Aparelho Locomotor,  Ubiratan Brum.

Congresso Nacional de Saúde

A programação da 4ª edição do Congresso reúne mais de 10 mesas-redondas, workshops e oficinas em torno do tema “Promoção da Saúde: Interfaces, Impasses e Perspectivas”, além de três simpósios internacionais nas áreas de prática e ensino de Saúde.

A programação do Congresso Nacional de Saúde se encerra hoje, 30 de agosto de 2017. Além da programação científica, o Congresso contou ainda com atividades culturais, exposições, apresentações, lançamentos de livros e intervenções durante toda a programação, que integrou  a programação das comemorações dos 90 anos da UFMG, celebrados em 2017.

A Secretaria executiva do 4º Congresso Nacional da Saúde atende na sala 5, no térreo  da Unidade.

Confira a programação completa na página do Congresso Nacional de Saúde.

Mais informações: 3409 8053, ou ainda pelo e-mail 4congresso@medicina.ufmg.br

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