Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


*corrigida às 10h30 de 3 de abril de 2018

A leitura dos Códigos de Ética Médica tradicionais é fundamental para entender as mudanças que culminaram nos atuais parâmetros éticos da profissão


*Jayne Ribeiro

 

Na próxima sexta-feira, 6 de abril, a disciplina História da Medicina, oferecida pelo Centro de Memória da Faculdade de Medicina da UFMG (Cememor), promove a aula aberta “Os código brasileiros de ética médica no século XX: convite à sua leitura”. O palestrante convidado é o médico e professor aposentado do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da UFMG, Itamar Sardinha.

A aula será das 11h30 às 12h30, na sala s146, no andar subsolo da Faculdade de Medicina da UFMG, em frente ao Laboratório de Anatomia Humana*.

O professor explica que desde o século XX os médicos brasileiros adotaram formalmente sete códigos de ética profissional. A comparação desses códigos, segundo ele, ressalta algumas diretrizes, que continuam sendo fundamentais na prática médica, e outras que foram modificadas ao longo do tempo. “O que talvez surpreenda algumas pessoas e motiva a aula é que, ao mesmo tempo em que se mantém certas diretrizes essenciais, outras orientações para a conduta profissional mudam muito, às vezes chegando à inversão. O que em um momento é proibido ao médico, pode lhe ser permitido ou até tornar-se obrigatório em outro período”, afirma.

Mudanças e revisões
O professor conta que no Brasil, desde a década de 40, os médicos são responsáveis por escrever os códigos de ética da profissão. Itamar ainda pontua que o atual código de ética médica, em vigência desde 2010, está sendo revisado pelo Conselho Federal de Medicina e, por isso, é fundamental que os médicos entendam o processo. “Caso alguém imagine a ética médica como algo milenar que é e deve permanecer imutável, terá dificuldade em entender a revisão. Pode não aceitá-la, se achar que ameaça a identidade médica”, expõe. “Uma percepção da história ajuda a entender e a estimular a participação nesse processo de revisão, compreendendo que ser fiel à medicina não é estar fixado em um passado cristalizado”, continua.

Segundo Itamar, a mudança é inerente à Medicina, tanto no plano do conhecimento e dos equipamentos quanto nas relações entre médicos, pacientes e sociedade. “A Medicina é mutável, é histórica. A ética médica e os códigos de ética médica fazem parte da Medicina e são, assim, também mutáveis e históricos”, argumenta. “O objetivo da aula é pensar na história dos códigos não com saudosismo, mas buscando a compreensão das suas transformações. Proponho a leitura dos vários códigos, suas comparações, tomadas como recurso de compreensão, de interpretação, de construção de certo olhar, certa atitude, diante do código atual e sua revisão”, finaliza o professor.

História da Medicina
O Cememor oferece a disciplina História da Medicina, em que são discutidos temas como nascimento da ciência moderna e o desenvolvimento do método científico, a ciência contemporânea e seus desafios, a pesquisa e a discussão sobre novas fontes de história, por professores convidados.

A disciplina é ofertada como optativa e de formação livre dentro do sistema da UFMG, mas a participação é aberta para qualquer pessoa, sem necessidade de inscrição prévia.

Mais informações: Cememor – 3409 9106

 

*Redação: Jayne Ribeiro – estagiária de jornalismo
Edição: Mariana Pires

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