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Hepatite C representa mais de 70% dos óbitos por hepatites virais

Entenda os cuidados para prevenir a doença


    29 de julho de 2019


    *Giovana Maldini

    Mais de 42 mil casos de hepatites virais foram registrados no Brasil em 2018, segundo o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais, divulgado pelo Ministério da Saúde. Somente nos casos de hepatite C, foram mais de 26 mil pessoas infectadas no último ano. Esse tipo de infecção também foi responsável por 76% dos óbitos por hepatites virais. Para encerrar o mês de conscientização sobre as hepatites, conhecido como Julho Amarelo, o Saúde com Ciência reapresenta série sobre os diferentes tipos da doença, como prevenir e tratar.

    A hepatite pode ser dividia em cinco principais tipos. As variações A e E são transmitidas via fecal-oral. Já os tipos B, C e D podem ser transmitidos por meio do contato com sangue contaminado, relação sexual desprotegida e compartilhamento de objetos de uso pessoal. O tipo C é considerado o mais crítico, com evolução silenciosa. “As pessoas que adquirirem o vírus C, frequentemente evoluem para a forma crônica”, relata a professora da Faculdade de Medicina da UFMG, Rosângela Teixeira, coordenadora do Ambulatório de Hepatites Virais do Hospital das Clínicas da UFMG.

    Sintomas

    Os primeiros sintomas da hepatite C aparecem tardiamente, o que retarda o diagnóstico e contribui para o desenvolvimento de quadros mais graves, como cirrose hepática e até mesmo câncer no fígado. “As pessoas infectadas não apresentam sintomas ou eles são muito inespecíficos, como fadiga e cansaço. As manifestações aparentam sinais comuns da vida cotidiana, mas a inflamação no fígado está acontecendo”, explica a professora.

    Em adultos, as manifestações são mais visíveis do que em crianças. Nos pequenos, os sinais geralmente podem ser confundidos com uma gripe. “Em adultos, podem aparecer sintomas como icterícia, que é o olho amarelado; urina escura e fezes claras”, relata Rosângela Teixeira.

    Acima dos 40 é preciso fazer exame

    Por isso, ao identificar esses sintomas, é recomendado que os pacientes procurem um médico para um diagnóstico diferencial da doença. Na rede pública, essa identificação é realizada por meio de um teste gratuito. “Todas as pessoas acima de 40 anos devem fazer esse teste, pois os estudos mostram que a maior prevalência dessas doenças crônicas está em pessoas dessa faixa etária. E como são assintomáticas, a única maneira de reconhecer a doença é fazendo o teste”, recomenda a professora. Caso o exame aponte para alguma hepatite, os pacientes devem procurar um serviço de referência para avaliar em qual estágio a doença se encontra.

    Prevenção e Tratamento

    A hepatite C é transmitida por meio do contato com sangue infectado com o vírus. Por isso, uma forma de prevenção é evitar o compartilhamento de objetos de uso pessoal, como alicates de cutícula e lâminas de barbear. Durante o uso desses equipamentos, pode haver traumatismos na pele que provocam sangramentos.

    Os tratamentos para a hepatite C variam de pessoa para pessoa. Por isso, é importante procurar um especialista que avalie o estado de cada paciente. Os medicamentos utilizados são ofertados gratuitamente pelo SUS. De acordo com o Ministério da Saúde, nos últimos três anos foram disponibilizados mais de 100 mil tratamentos contra o vírus da hepatite C.

    Segundo a professora Rosângela Teixeira, não existem formas caseiras para melhorar o quadro. “A única recomendação é que as pessoas se abstenham do uso de bebidas alcoólicas. Porque, se o fígado está prejudicado por agentes virais, mais um fator será somado ao ingerir álcool, o que pode levar a evolução do quadro para uma cirrose, por exemplo”, explica.

    Além de abster do consumo de bebidas alcoólicas, são recomendadas outras práticas diárias para facilitar na recuperação. “Levar uma vida saudável, com alimentação equilibrada, prática regular de esportes, não fumar e, se possível, não beber”, orienta Rosângela.

    Sobre o programa de rádio

    O Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h. Também é possível ouvir o programa pelo serviço de streaming Spotify.


    * Giovana Maldini – estagiária de Jornalismo

    edição: Karla Scarmigliat