saudecomciencia“Doença hemorroidária é quando ocorre o sangramento e saída da pele que reveste a parte interna do ânus, o coxim hemorroidário”, define o professor do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG, Rodrigo Gomes. Segundo o coloproctologista, muitas pessoas não procuram atendimento médico devido à doença, popularmente conhecida como hemorroida, ser estigmatizada, e por medo de sentir dor ao realizar o exame local. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a doença acomete cerca de 50% da população global após os 50 anos. Além disso, 25 mil pacientes são operados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a cada ano.

Os pacientes que percebem alguns dos sintomas da doença, como sangramento anal e prolapso (saída da pele para a parte exterior do ânus), demoram muito tempo para procurar um especialista e ter um diagnóstico correto. Isso porque o uso de pomadas que aliviam a dor é de fácil acesso a população. “Existe uma demora muito grande no paciente portador de doença hemorroidária em procurar assistência médica, sobretudo entre a população masculina. Isso traz um grande problema quando na verdade ele não é portador de doença hemorroidária, e está sangrando por causa de um câncer de colo retal ou câncer de intestino, que têm uma tendência a ser muito semelhante àquele causado pela doença”, explica o professor do Departamento de Cirurgia da Faculdade, Antonio Lacerda. Por isso, é essencial procurar um médico ao perceber um dos sintomas, preferencialmente o especialista, o coloproctologista.

Antonio Lacerda diz que ainda não se sabe ao certo qual é a real causa da doença, porém sabe-se que alguns hábitos de vida estão relacionados a ela. Dentre eles o sedentarismo, alimentação pobre em fibras, uso excessivo do papel higiênico para limpeza anal e demora ao evacuar, quando a pessoa passa muito tempo sentada no vaso sanitário, por exemplo, lendo. “Os pacientes portadores de hemorroidas devem ser orientados para evitar o uso de papel higiênico, fazendo a limpeza com água para evitar o atrito, não permanecerem sentados por períodos prolongados durante a evacuação, sobretudo evitando a leitura, e manter uma dieta rica em fibras, com ingestão abundante de água no sentido de favorecer as evacuações”, esclarece o professor.

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Alimentação rica em fibras ajuda a evitar a doença hemorroidária. Foto: reprodução internet

Passar a ter bons hábitos de vida é também uma forma de tratamento.Porém, em alguns casos, a cirurgia é a melhor opção para o alívio da dor. As mais comuns, também realizadas pelo SUS e pagas pela maioria dos planos de saúde, são a Milligan-Morgan e Ferguson. “Nas duas técnicas são retirados os mamilos hemorroidários, pele que reveste a parte interior do ânus, que estão machucados”, explica Magda Profeta, professora do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG. O problema dessas cirurgias é o pós-operatório, em que vários pacientes relatam muita dor e dificuldade para evacuar. Por isso existem técnicas como a ligadura elástica, em que a cirurgia não é necessária. Magda explica que a ligadura elástica é o método não cirúrgico mais utilizado e o mais eficaz. Consiste na colocação de um anel de borracha no coxim hemorroidário, que corta a circulação local e causa necrose da hemorroida, que “cai” em alguns dias.

Para aqueles pacientes que estão com doença hemorroidária, Rodrigo Gomes recomenda a ida ao médico para melhor acompanhamento do caso, e dá uma dica para diminuir o desconforto. “Sempre fazer higiene com água, utilizando o papel apenas para secar a região. Isso porque o papel higiênico pode raspar e lesionar a região que já se encontra bastante ferida”, explica.

Tema da semana

A doença hemorroidária afeta grande parcela da população, mas muitas pessoas não procuram auxilio médico, por medo ou constrangimento. No programa desta semana, o Saúde com Ciência explica como reconhecer a doença, formas de tratamento e aborda dúvidas mais frequentes:

Introdução e principais fatores – segunda-feira (21/07)

Sintomas – terça-feira (22/07)

Cirurgias – quarta-feira (23/07)

Dúvidas frequentes – quinta-feira (24/07)

Cuidados – sexta-feira (25/07)

Sobre o programa de rádio

O Saúde com Ciência é produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. De segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h05, ouça o programa na rádio UFMG Educativa, 104,5 FM. Ele ainda é veiculado em 39 emissoras de rádio de Minas Gerais, Paraná e Estados Unidos. Também é possível conferir as edições pelo site do Saúde com Ciência.

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