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H1N1: a dimensão do problema


Publicado em: ExternasRádio - 13 de maio de 2016

Nova série do Saúde com Ciência esclarece os riscos das infecções pelo vírus H1N1 e outros tipos de gripe e as principais formas de prevenção

ImpressãoO vírus Influenza A H1N1 é responsável por mais de 2 mil casos de infecção no Brasil em 2016, segundo boletim divulgado pelo Ministério da Saúde (MS) no dia 9 deste mês e que apresenta registros até 30 de abril. Mais da metade desses casos se concentra na Região Sudeste, sobretudo em São Paulo, com 411 óbitos. Apesar dos números, não existe uma epidemia nem diferenças significativas entre o H1N1 e outros subtipos do vírus da gripe.

É o que afirma o infectologista e professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade, Dirceu Greco. Segundo ele, os números de óbitos causados pelo H1N1 e pela gripe “comum” são semelhantes em escala global, da mesma forma que os sintomas e grupos de risco. “A pessoa pode ter dificuldades respiratórias, febre alta que não melhora, pressão baixa”, destaca. “É necessário que haja cuidado com os grupos de risco, como crianças menores, idosos, pessoas com doenças crônicas ou institucionalizadas”, completa Greco.

A notoriedade do H1N1 está associada ao fato do ser humano, em um primeiro momento, não ter apresentado defesa imunológica contra o vírus, quando este sofreu uma mutação e deixou de ser restrito aos porcos. Entre 2009 e 2010, houve uma pandemia da doença, que causou mais de 18 mil óbitos no mundo. Sobre seu “retorno” ao Brasil neste ano, o professor explica: “Quanto mais tempo de espaço, mais suscetíveis os indivíduos estão à infecção. Com esses períodos de acalmia, pode diminuir a quantidade de pessoas vacinadas. E há aquelas que estão nascendo, crescendo, que ficam ‘expostas’ com o reaparecimento do vírus”.

Melhor forma de prevenção contra a gripe é vacinação todo ano. Foto: Reprodução

Melhor forma de prevenção contra a gripe é vacinação anual. Foto: Reprodução

Vacinação

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe, promovida pelo MS, foi antecipada na maioria dos estados brasileiros e tem previsão de encerramento no próximo dia 20. O também infectologista e professor do Departamento de Clínica Médica, Unaí Tupinambás, observa que a vacina trivalente, oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), faz a prevenção adequada: “O SUS oferece a tríplice, que protege contra três tipos (Influenza A H1N1, A H3N2 e Influenza B)”.

“Já a vacina quadrivalente, oferecida pelo serviço de saúde complementar, protege contra mais um tipo. Mas essa diferença é insignificativa, pois os tipos que circulam no Brasil estão cobertos pela trivalente”, garante o especialista. Esta tem eficácia de 70% a 80% dos casos, imunizando o indivíduo entre seis e sete meses, por isso a importância de se vacinar anualmente.

Existe a possibilidade de uma pessoa ser infectada após tomar a dose. Porém, a infecção não ocorre devido ao recebimento da dosagem, já que o organismo pode demorar até dez dias para produzir os anticorpos. Tupinambás destaca uma contra-indicação: “Geralmente, para quem tem alergia à proteína do ovo. Isso é raro. Quem não tem, está liberado”.

Outros cuidados preventivos

A população deve estar atenta às formas de contágio, que ocorrem, principalmente, pelas gotículas expelidas na tosse ou espirro, que respingam nas mãos das pessoas infectadas. É recomendável, portanto, lavar as mãos com água e sabão ou utilizar o álcool em gel com frequência, além de usar o antebraço ou lenço de papel ao tossir ou espirrar. Manter os ambientes bem ventilados e não compartilhar objetos pessoais são outras atitudes que ajudam a evitar a transmissão.

Para os indivíduos acometidos pela gripe, é indicada a hidratação constante, repouso e o uso de medicamentos sintomáticos, por exemplo, para combater a febre alta. O uso de remédios antivirais, como o oseltamivir, também é comentado por Dirceu Greco. “O máximo que vai acontecer é diminuir o tempo da infecção em um dia. Então, não faz sentido entrar com mais um medicamento”, pondera.

Sobre o programa de rádio

O Saúde com Ciência é produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

O programa também é veiculado em outras 177 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

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