Coletivo nasceu no interior de uma ocupação urbana

‘Mulheres de Luta’ é um coletivo de pesquisa teatral focado na busca pela liberdade e dignidade femininas. Foto: Kika Antunes


No segundo dia do 13º Festival de Verão da UFMG, na terça-feira, 12 de fevereiro, o miniauditório do Conservatório UFMG vai sediar, às 10h, o debate População de rua, ocupações, arte e cultura. Mais tarde, às 20h, no Centro Cultural UFMG, acontecerá uma performance do Grupo de Teatro Mulheres de Luta.

A atividade das 10h, no Conservatório UFMG, contará com a presença da diretora Cristina Tolentino, que vai relatar a trajetória do Grupo de Teatro Mulheres de Luta, formado por mulheres da Ocupação Carolina Maria de Jesus, instalada, desde 2017, em imóveis inativos de Belo Horizonte. A entrada é franca, sujeita apenas à lotação do miniauditório. Interessados em obter certificados devem se inscrever previamente no site do Festival.

Na ocasião, o debate terá, ainda, a participação do ativista Leonardo Péricles Vieira, que é morador da Ocupação Paulo Freire, na região do Barreiro, e vai falar sobre a situação dos moradores de rua no Brasil. Ele abordará, dentre outros temas, da ausência de uma política habitacional no país, que demanda uma profunda reforma urbana, e da relação entre essa deficiência e o crescimento da população em situação de rua e das ocupações.


Dignidade e liberdade
Às 20h, o Centro Cultural UFMG recebe a performance Todas as vozes, todas elas, projeto desenvolvido pelo Grupo de Teatro Mulheres de Luta, um coletivo de pesquisa teatral cujas integrantes têm em comum a trajetória de superação das limitações da vida doméstica e de busca de um sentido libertário para suas vidas e comunidade.

Formado em 2017 por oito mulheres, o coletivo funciona como um espaço em que se encontram, convivem de forma lúdica e trocam experiências. O teatro, segundo a diretora e fundadora Cristina Tolentino, “foi o meio escolhido para potencializar suas vozes e luta. Essas mulheres eram muito tímidas e nunca haviam ido ao teatro. Com o Grupo, desenvolveram sua autoestima, reconheceram a importância das suas histórias e descobriram o poder das suas vozes”, conta.

O projeto começou com a cena Todas as vozes, todas elas, que estreou em dezembro de 2017 e já se apresentou em vários eventos e espaços na cidade. “Mais do que uma cena, é um processo de criação de novos mundos possíveis, de uma microrrevolução, de beleza, de lugar de fala, de delicadeza e corajosa ousadia, de criação de tessituras de vida e de arte”, define a diretora.

A Ocupação Carolina Maria de Jesus, cujo nome homenageia uma das mais importantes escritoras negras do Brasil (autora de Quarto de despejo), fica em um prédio na Rua Rio de Janeiro, Centro de Belo Horizonte. O movimento negocia com o Governo de Minas Gerais a construção de moradias na região do Barreiro.


‘Mulheres de Luta’ é um coletivo de pesquisa teatral focado na busca pela liberdade e dignidade femininas
Foto: Kika Antunes


13º Festival de Verão da UFMG
Com o tema Desaplanando Horizontes, o 13º Festival de Verão da UFMG começa nesta segunda-feira, dia 11, e irá até 14 de fevereiro no Centro Cultural UFMG, no Espaço do Conhecimento da UFMG e no Conservatório da UFMG, localizados na região centro-sul de Belo Horizonte. Além dos três espaços, haverá atividades ao ar livre no bairro Lagoinha, Praça da Liberdade e Viaduto Santa Tereza.

Hoje e amanhã, dias 11 e 12 de fevereiro, caso ainda haja vagas, interessados poderão se inscrever presencialmente na secretaria do Festival, situada no Conservatório da UFMG. Todas as oficinas são oferecidas a preços populares, entre R$ 10 e R$ 30, e abertas ao público.


Serviço:
Debate População de rua, ocupações, arte e cultura
Data: terça-feira – 12/02/19
Horário: 10h
Local: Conservatório UFMG – Avenida Afonso Pena, 1.534

Cena Todas as vozes, todas elas
Data:  terça-feira – 12/02/19
Horário: 20h
Local: Centro Cultural UFMG – Av. Santos Dumont, 174

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