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Grupo busca técnica mais eficaz para conservação de tecido ovariano

Técnica é indicada para pacientes submetidas à quimioterapia ou radioterapia, tratamentos que podem provocar a infertilidade


    19 de fevereiro de 2019


    A técnica é indicada para pacientes submetidas à quimioterapia ou radioterapia, tratamentos que podem provocar a infertilidade

    *Marcela Brito

    Grupo vem testando novas técnicas de conservação em ovários de macacos e bovinos. Foto: Carol Morena.

    Atual e promissor, o congelamento de tecido ovariano é uma opção para mulheres que sonham em ter filhos após passar por tratamento oncológico. Diferentemente do congelamento de óvulos, essa prática permite recuperar a funcionalidade do ovário, tanto no quesito fertilidade quanto na produção de hormônios. Para que o tecido congelado traga mais resultados positivos ao ser transplantado, professores e pesquisadores ligados à Faculdade de Medicina da UFMG e ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Hormônios e Saúde da Mulher (INCT-HORMONA) vêm desenvolvendo técnicas mais eficazes de conservação.

    Os avanços já são observados em modelos animais e, no primeiro semestre deste ano, as novas técnicas serão testadas em tecido humano. De acordo com o professor do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia e um dos pesquisadores envolvidos no projeto, Fernando Reis, embora a prática de congelamento de tecido ovariano já seja utilizada na medicina reprodutiva, ainda há muito a desenvolver.

    O congelamento de tecido é indicado para pacientes que serão submetidas à quimioterapia ou radioterapia, tratamentos que podem provocar a infertilidade. Por isso, quanto mais preservado estiver o tecido, melhor. Isso porque os fragmentos do ovário que forem congelados poderão ser transplantados de volta ao corpo da paciente, após sua cura. “Assim, o tecido irá se regenerar e ela poderá voltar a produzir hormônios, ovular e a engravidar espontaneamente ou através de tratamento de Reprodução Assistida”, explica Fernando.

    Por ser um material sensível, o grupo de pesquisa busca uma técnica que utilize novos materiais crioprotetores, para evitar possíveis danos ao tecido exposto ao frio extremo. Na pesquisa, são comparadas duas técnicas de congelamento: a lenta e a ultra-rápida (vitrificação), com e sem polímeros sintéticos, que são produtos químicos que poderiam proteger ainda mais as células.

    O grupo vem testando essas técnicas em ovários de macacos e bovinos. Segundo o professor, a escolha desses animais se deve à semelhança estrutural e funcional com os ovários humanos. Os testes em bovinos, em andamento, utilizam material doado por frigoríficos. Os resultados, possivelmente, serão conhecidos ainda neste ano.

    Tecido humano

    Co-responsável pelo projeto, a pesquisadora Jhenifer Kliemchen Rodrigues, pós-doutoranda ligada ao Programa de Pós-Graduação em Saúde da Mulher e professora convidada da Faculdade de Medicina, realizou os mesmos testes em ovários de macacas, nos Estados Unidos, com resultados satisfatórios.

    Agora, a expectativa do grupo é testar as duas técnicas e o efeito protetor dos polímeros em tecidos cedidos por mulheres que precisam se submeter a tratamentos como quimioterapia ou radioterapia, cujos efeitos colaterais podem lesar os ovários.

    De acordo com o protocolo do estudo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFMG, uma pequena parte do material obtido de cada doadora será usada para investigar as novas técnicas de congelamento. A maior parte será armazenada, utilizando a técnica padrão, para uso futuro da própria paciente.

    Arte: CCS-Medicina/UFMG

    *Marcela Brito – estagiária de Jornalismo

    Edição – Karla Scarmigliat