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Gravidez na adolescência preocupa mais pelos hábitos no pré-natal


Publicado em: ExternasRádio - 7 de outubro de 2016

Programa de rádio discute impactos de gestação na adolescência e alguns preconceitos envolvidos

ImpressãoNo Brasil, de todas as mulheres que engravidam anualmente, entre 15% e 25% têm até 18 anos, ou seja, estão naquela fase caracterizada por ser um momento de amadurecimento físico e psíquico do ser humano: a adolescência. Uma gestação nesse período costuma ser associada a adversidades médicas que, de fato, têm um risco aumentado, como um parto prematuro ou recém-nascido de baixo peso. Na maior parte das vezes, porém, os contratempos não estão relacionados ao desenvolvimento corporal da adolescente.

“Normalmente, quando as adolescentes engravidam, elas demoram mais para aceitar e comunicar essa gravidez”, indica a professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFMG, Andrezza Vilaça. Tal comportamento está ligado ao receio que essas mulheres têm da reação dos familiares, companheiro e amigos diante de uma gestação considerada inadequada aos padrões sociais. Elas tendem a iniciar os exames necessários tardiamente, além de não manterem uma frequência regular nas consultas.

Com o nascimento do bebê, a jovem gestante lida com outras mudanças, a curto e longo prazo. “Grande parte dessas adolescentes interrompem, temporariamente ou permanentemente, o curso escolar”, afirma a ginecologista. Questões próprias da adolescência, como as inconstâncias emocionais e a busca por um entendimento próprio, e a provável falta de autonomia financeira, também fazem parte desse contexto.

Sobre os cuidados médicos à adolescente grávida, Andrezza destaca que eles devem ser realizados, de preferência, por uma equipe capacitada e direcionada a esse público, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). “Essa adolescente deve ser acolhida com muito respeito, de uma forma mais humanizada e, principalmente, sem julgamento de valores”, diz. Caso a jovem não se sinta confortável durante as consultas, elas podem abandonar o acompanhamento pré-natal.

A professora ainda acredita que esses profissionais devem aconselhar as pacientes não apenas sobre os procedimentos da gestação, mas também sobre as próximas decisões a serem tomadas por elas. “A paciente adolescente deve ser orientada e a gente tem que ajudar a desenvolver nela a autonomia para que ela assuma sua gestação”, completa.

Crédito da foto: Portal Brasil Escola

Crédito da foto: Portal Brasil Escola

Outro lado

A gravidez na adolescência é um acontecimento “trágico”? Não para Fernanda Amaral, estudante de 18 anos. Sua gestação foi bem recebida tanto pelos pais adolescentes quanto pela própria família. Apesar da surpresa e das dificuldades enfrentadas no convívio social ao engravidar aos 17, Fernanda conta que, apesar da pouca idade, se sente realizada. “O casamento foi planejado, já a gravidez era para ser mais pra frente, mas eu não me arrependo de forma alguma”, garante.

Médica ginecologista do Núcleo de Saúde do Adolescente do Hospital das Clínicas da UFMG, Karine Ferreira acredita que uma gravidez na adolescência pode, sim, trazer benefícios. Para exemplificar, ela relata casos em que as jovens gestantes abandonaram o uso de drogas, além de outros comportamentos prejudiciais à saúde, para cuidarem dos seus bebês, criando uma identidade responsável perante a sociedade. “Elas mesmas falam que, depois da gravidez, encontraram um sentido para a vida”, revela a especialista.

Sobre o programa de rádio

Saúde com Ciência é produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

O programa também é veiculado em outras 180 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

Redação: Bruna Leles | Edição: Lucas Rodrigues

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