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Fevereiro Roxo: especialista esclarece principais dúvidas sobre fibromialgia


11 de fevereiro de 2019


Primeira reportagem da série Fevereiro Roxo fala sobre a doença que causa dores por todo o corpo

*Guilherme Gurgel

Arte: CCS – Medicina/UFMG

Neste mês, celebra-se o Fevereiro Roxo com o objetivo de conscientizar sobre fibromialgia, lúpus e alzheimer, doenças ainda incuráveis e que tem como essencial o diagnóstico precoce para manter a qualidade de vida dos pacientes, através do tratamento adequado. 

Nesta primeira reportagem da série sobre a campanha, a professora do Departamento do Aparelho Locomotor da Faculdade de Medicina da UFMG, Fabiana Moura, apresenta o quadro e os sinais da fibromialgia, doença presente em aproximadamente 3% da população brasileira, de acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, e cuja principal característica é o quadro de dor no corpo inteiro.

Pergunta: Quais são as principais características da fibromialgia?

Resposta: Se trata de uma doença crônica, caracterizada pela dor difusa, por pelo menos três meses, associada a distúrbios do sono, alteração de humor e sintomas de ansiedade e depressão. Alguns pacientes também se queixam de cefaleia e dor abdominal.

A psiquiatria acredita que a fibromialgia é um fator psicossomático de um distúrbio psiquiátrico ou de humor. Na área da reumatologia, entende-se que a dor no corpo pode surgir, sem que se tenha uma doença psiquiátrica bem definida. Porém, a fibromialgia aparece associada a esses sintomas de ansiedade e depressão.

Hoje se entende que a fibromialgia é observada quando os neurotransmissores que aliviam a dor são diminuídos ou pouco funcionais.

O fevereiro roxo é voltado para a atenção ao diagnóstico precoce. No caso da fibromialgia, quais são os primeiros sinais a serem observados?

A dor em todo o corpo é o primeiro sinal, principalmente quando acontecer por mais de três meses. Alguns pacientes podem descrever como dores nas articulações, mas na fibromialgia não é possível fazer um diagnóstico preciso da causa. Este sintoma, associado aos outros, torna plausível o diagnóstico, desde que esteja excluída a possibilidade de outras doenças infecciosas ou inflamatórias. Esse é o ponto mais difícil, já que muitas doenças iniciam o quadro com sintomas de dor difusa.

Por esses motivos, é importante que o diagnóstico de fibromialgia seja sempre confirmado nas consultas por médicos reumatologistas. Isso excluirá o risco de confundir com outros quadros com sintomas semelhantes, como os distúrbios de tireóide e a falta de vitaminas no corpo.

Quais são os fatores de risco para a doença?

A fibromialgia tem influência de fatores genéticos, mas existem hábitos que aumentam o risco como sedentarismo e sono irregular. Atualmente, com a velocidade de informações e a presença constante da tecnologia, as pessoas não estão mais mantendo o ciclo ideal de sono, alimentação e repouso. Esses hábitos aumentam o risco da fibromialgia.

Além disso, a doença acomete principalmente mulheres, na faixa etária entre 40 e 50 anos.

Já que a prática de atividade física é importante no combate a fibromialgia, como o paciente pode superar as dores e evitar o sedentarismo?

A medicação pode auxiliar nos casos onde a dor no corpo dificulta muito o repouso e, consequentemente, a atividade física. Enquanto o paciente estiver praticando exercícios aeróbicos, a fibromialgia não apresenta piora.

Podem ocorrer casos de dor muscular devido à falta de uso da musculatura, mas, com a persistência no hábito, o paciente percebe que sair do sedentarismo é um fator de alívio e pode até permitir que seja interrompida a medicação.

Atualmente, não existe uma cura para a fibromialgia. Como vivem as pessoas que tem a doença?

Essa é uma doença de evolução benigna, já que não causa deformidade e o indivíduo não terá dificuldade para realizar suas tarefas comuns. No geral, o paciente tem mais dor para fazer quase tudo, porém não há um fator limitante.

Se o indivíduo fizer o tratamento com um médico reumatologista, ele pode levar uma vida completamente normal. Apesar de ser incurável, como as outras doenças do Fevereiro Roxo, é um quadro benigno, que não incapacita o paciente de nenhuma forma, diferentemente do Lúpus e do Alzheimer.

*Guilherme Gurgel – estagiário de Jornalismo
Edição – Deborah Castro

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