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Febre amarela e a possibilidade de retorno aos centros urbanos


Publicado em: ExternasRádio - 17 de fevereiro de 2017

Programa de rádio apresenta um panorama sobre o surto atual de febre amarela em algumas regiões do país

Os primeiros casos de febre amarela no país foram registrados em Pernambuco no distante ano de 1685. A partir dali, a doença foi importante no nosso território por quase duzentos anos, até ser devidamente controlada a partir de campanhas de vacinação. O último caso em ambiente urbano brasileiro ocorreu no Acre, ainda na década de 1940. O ano atual, porém, começou trazendo os maiores índices recentes da doença em áreas silvestres, principalmente nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, ligando o alerta para o risco de a febre amarela ressurgir nos centros urbanos.

Foram confirmados, até o momento, mais de 250 casos e quase 90 óbitos, a maioria deles nos estados citados, onde o ciclo da doença ainda é ativo porque os vetores convivem tanto com macacos quanto com seres humanos. “O que está acontecendo agora é o contato do homem com a região silvestre, onde a febre amarela está ocorrendo um pouco mais intensa”, afirma o infectologista e professor da Faculdade de Medicina da UFMG, Dirceu Greco.

Há a possibilidade de o vírus voltar a circular nas áreas urbanas devido à presença nesses ambientes do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya, além da febre amarela. Para o infectologista, a “culpa” não é do mosquito, mas das pessoas que não se imunizam e se deslocam para as áreas de risco. “O risco é essa volta. Volta para a cidade com a infecção. Nas cidades, existe esse vetor que também pode transmitir a febre amarela”, observa Greco.

A melhor forma de combater o avanço da doença é por meio da prevenção vacinal. “Vacinar a população interrompe o surto”, garante o especialista. Ele explica que quanto maior for o índice de pessoas que vivem em áreas de risco vacinadas, menor são as chances dos surtos permanecerem. “Se isso acontecer, a tendência é que estabilize, porque as pessoas infectadas já têm o vírus e as pessoas suscetíveis estão imunizadas”, completa.

A vacina está disponível no calendário vacinal do Sistema Único de Saúde (SUS) e, recentemente, o Ministério da Saúde (MS) liberou mais de 13 milhões de reais para intensificar a vacinação contra a febre amarela nos cinco estados com mais casos da doença. Para as pessoas que não conseguirem o acesso à vacina, Dirceu Greco recomenda evitar os vetores, caso do inseto Haemagogus em áreas silvestres, com o uso de repelentes e telas nas janelas.

Foto: Carol Morena

Vacina: orientações gerais

Com o aumento dos casos de febre amarela, a procura pela imunização cresceu no país e potencializou o risco de esgotamento da vacina, melhor forma de combate aos surtos da doença. Nem todas as pessoas precisam ser imunizadas – as que devem se preocupar mais com a prevenção são as que vivem ou irão se deslocar para áreas mais propensas ao surto. Estudos já revelaram que somente duas doses são suficientes para deixar o indivíduo completamente imunizado.

Antes de se vacinar, é importante checar o cartão de vacinação para verificar a necessidade de aplicação do vírus. O MS indica que a primeira dose deve ser tomada no nono mês após o nascimento da criança e a dose de reforço aos quatro anos de idade. Após os cinco anos, apenas pessoas não imunizadas ou que tomaram a vacina somente uma vez devem procurar as unidades de saúde. E para quem vai se deslocar às áreas de risco, deve-se tomar a vacina com pelo menos dez dias de antecedência.

Sobre o programa de rádio

O Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

O programa também é veiculado em outras 186 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

Redação: Bruna Leles | Edição: Lucas Rodrigues

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