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Fake News sobre vacinas ameaçam o combate de doenças

Saúde com Ciência debate os tipos, como agem no organismo e a produção de vacina na UFMG além de desmitificar mitos sobre a imunização


    14 de outubro de 2019 - , , , ,


    *Antônio Paiva

    As vacinas são uma importante forma de prevenção contra as doenças. Não apenas protegem o indivíduo imunizado, mas toda a população, sendo capaz de erradicar diferentes enfermidades. O seu processo de produção é complexo e passa por diversas etapas que garantem a segurança e eficácia, mas o compartilhamento massivo de notícias falsas tem trazido dúvidas e desconfianças à população sobre essa imunização. A desmitificação dessas informações, assim como a explicação do processo de produção e os tipos de vacinas são temas do Saúde com Ciência desta Semana.

    O “movimento antivacina” é reconhecido como um dos dez maiores riscos à saúde global pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A expansão desse grupo ameaça o combate de algumas doenças, como o sarampo e a poliomielite que já haviam sido erradicadas no Brasil, através do Calendário Nacional de Vacinação, mas estão voltando com a queda na porcentagem de imunizados no país.

    Mais de 100 notícias falsas tiveram que ser desmentidas pelo Ministério da Saúde, tendo a vacinação como principal alvo, através do seu canal Saúde sem Fake News, onde as informações são verificadas e contestadas.

    Pensando no surgimento de tantos boatos e desinformações, a infectologista e professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Lilian Diniz, e a professora Titular do Departamento de Bioquímica e Imunologia do Instituto de Ciências Biológicas, Santuza Maria Ribeiro Teixeira, também coordenadora do Centro de Tecnologia de Vacinas da UFMG (CT-Vacinas), esclarecem alguns mitos e verdades sobre a vacinação:

    Vacinas são úteis, mas, às vezes, causam mais doenças do que previnem

    MITO. A vacina injeta bactérias e vírus vivos enfraquecidos, ou parte destes, em nosso organismo, de maneira que o indivíduo inoculado não vá adoecer. A vacina injetada faz com que nosso sistema imunológico, isto é, nossas células de defesa, reconheça aquela parte de vírus ou bactéria e produza uma proteção contra eles. Quando entramos em contato com a doença, o nosso organismo reconhece e destrói o vírus ou bactéria causadora da enfermidade, porque ele já está preparado para combater aquilo. Esse preparo para combater as infecções é um resultado das vacinas.

    Vacinas causam efeitos colaterais perigosos

    MITO. Todas as vacinas apresentam efeitos colaterais, porém algumas pessoas têm dado muito valor a isso, tomando uma dimensão que não é a real. A proteção é muito maior do que a chance desses efeitos. E quando acontecem, na grande maioria dos casos, não são graves. A pessoa pode ter febre ou dor no local da vacina, por exemplo. Ainda mais quando se considera a proteção contra doenças tão graves, isso é muito mais importante do que a importância desses efeitos colaterais.

    Além disso, alguns efeitos que estão sendo atribuídos à vacina, como desmaio e sangramento nas fezes, não são realmente decorrentes dela. São associações temporais de surgimento de sintomas após a administração da vacina, mas que não significam que é uma consequência dela. Dessa forma, são notícias falsas que estão sendo divulgadas.

    É preciso se vacinar mais de uma vez

    VERDADE. A proteção que é gerada pode cair e reduzir com o tempo.  Alguém pode se vacinar hoje e ter 95% de proteção contra a doença, mas, daqui a cinco anos, a proteção pode cair a 50%, por exemplo. Dessa forma, precisamos revacinar para aumentar novamente a proteção.

    Não há evidência de que as vacinas sejam seguras e eficazes

    MITO. Antes de a vacina ser comercializada, ela passa por um processo complexo e demorado para ter certeza de que seja segura na hora que chegar no mercado.

    A aprovação de vacinas para seres humanos é algo muito difícil. O primeiro trabalho é identificar o componente do parasita que causa a doença e que possa ser alvo da resposta imune do indivíduo infectado. Isso envolve todo um trabalho de seleção de proteínas e de antígenos. Uma vez identificado, começam a ser testados quais são os melhores antígenos para fazer a vacina.

    Para o teste, é preciso ter um modelo da doença e, dessa forma, testam os antígenos em camundongos para analisar quais grupos desenvolvem ou não a doença após essa imunização. Com o resultado, é preciso convencer a Anvisa que já se tem um conjunto de dados suficiente para poder fazer os testes em seres humanos.

    A rede pública fornece todas as vacinas

    MITO. O Programa Nacional de Imunização, que organiza o Calendário Nacional de Vacinação no Brasil, apresenta um calendário muito completo. No entanto, ele não tem 100% das vacinas. Cerca de 85% das vacinas mais importantes estão inclusas nesse calendário e presentes na rede pública, fornecendo, portanto, proteção para 85% das doenças que apresentam opções vacinais. Já as outras vacinas, como a da dengue e a do herpes zoster, estão presentes apenas no sistema privado.

    Não é qualquer pessoa que pode se vacinar

    VERDADE. As contraindicações acontecem, principalmente, para vacinas de vírus vivo ou atenuado. Essas vacinas são contraindicadas em pacientes que têm problema de imunidade ou que tomam algum remédio que reduz a imunidade do organismo. Elas também são contraindicadas para grávidas e pessoas que já tiveram reações graves à vacina.

    Sobre o Programa de Rádio

    Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h. Também é possível ouvir o programa pelo serviço de streaming Spotify.

    * Antônio Paiva – estagiário de Jornalismo
    Edição: Deborah Castro