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Faculdade reconhece projetos discentes de iniciativa própria


03 de dezembro de 2019 - , , ,


Junto com o encerramento do ano letivo da UFMG, a Faculdade de Medicina destaca três estudantes, um de cada curso, em uma homenagem no hall de entrada e no site da Instituição como forma de reconhecer inciativas próprias, relevantes à trajetória do próprio estudante idealizador e também a da Escola. Assim, o “Destaque Discentes de 2019” apresenta os projetos da aluna de Fonoaudiologia, Sabrina Martins da Mata; do aluno de Medicina, Louison Mbombo; e a aluna do Curso Superior em Tecnologia em Radiologia, Bárbara Gualberto.

“Sabemos que no processo formativo dos cursos há um estímulo pelo protagonismo do estudante, mas nem sempre a comunidade fica sabendo de uma série de atividades idealizadas pelos próprios alunos”, aponta a vice-diretora da Faculdade, professora Alamanda Kfoury. Foi pensando nesse aspecto, além de ter o objetivo de promover ações positivas, que surgiu a ideia de dar visibilidade aos alunos com iniciativas próprias que tenham impacto na sua formação e para a Instituição.

“Quem sabe ao compartilhar essas ações com os outros estudantes e toda a comunidade não seja uma motivação a mais para que outros também possam fazer algo parecido e se envolvam. Além de ser um modo de dizer aos estudantes que a Instituição reconhece seu trabalho e sua dedicação”, afirma a vice-diretora.

As ações destacadas são apoiadas institucionalmente pela Faculdade de Medicina da UFMG e não se enquadram nas atividades de pesquisa, ensino ou extensão da Escola. A escolha dos representantes de cada curso contou com os coordenadores dos respectivos colegiados. Inclusive, também por isso, Alamanda Kfoury recomenda que os estudantes sempre informem suas inciativas e ideias, para que também possam ser reconhecidos. 

Conheça os projetos:

Sistema FM: a tecnologia que promove a inclusão do aluno com perda auditiva

A estudante Sabrina Martins da Mata do 10º período do curso de Fonoaudiologia está em Amsterdã, na Holanda, até o dia 6 de dezembro, no Youth Global Forum para apresentar seu trabalho sobre o uso do sistema de frequência modular (sistema FM) em Minas Gerais. Com orientação da professora Luciana Macedo, do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da UFMG, seu projeto foi escolhido entre outros do mundo todo em um edital que visa unir o desenvolvimento tecnológico com a inclusão social. Sabrina é a única representante da UFMG no evento e, além dela, só há mais um brasileiro. 

Ela explica que o sistema FM, do qual trata seu projeto, é um dispositivo pelo qual o professor usa um microfone que capta a sua voz e é enviada diretamente para o aparelho auditivo da criança com perda da audição, melhorando significativamente o entendimento da mensagem e o aprendizado, já que diminui os ruídos, como as falas dos colegas ou barulhos externos. Ou seja, através desse desenvolvimento tecnológico, promove-se a acessibilidade e inclusão do aluno.

Para o evento, Sabrina levou a abordagem da realidade brasileira, os desafios que apresenta, mas também seus benefícios, já que, segundo ela, “o Brasil é o único país que libera esse dispositivo do sistema FM para a população que necessita”. Para entender esse panorama, seu objetivo é fazer um levantamento, no estado de Minas Gerais, da população que utiliza o sistema FM e aquela que deveria usar, bem como os motivos para não estarem usando, uma vez que é garantido por lei. Além disso, ela procura entender os motivos educacionais, como os professores que tem receio de usar. “Normalmente os professores não recebem treinamento de como usar o sistema FM, nem sabe os benefícios para os alunos em sala de aula”, comenta.

No Fórum, haverá o debate, com especialistas de diversas áreas, sobre como melhorar sua proposta e aplicabilidade. Ao voltar para o Brasil, Sabrina começará as reuniões para colocar em prática o projeto já com as sugestões de melhoria. De acordo com ela, o objetivo principal do trabalho é favorecer a orientação dos professores da rede estadual e privada, sendo assim, uma parceria intersetorial entre a Fonoaudiologia e a Educação.

“A professora Luciana foi uma grande incentivadora. Essa ideia só se tornou possível porque ela abraçou junto comigo”, destaca Sabrina. “Temos mesmo que ter inciativa, conversar com os professores. Eu nunca recebi uma negativa. Os professores da UFMG são muito receptivos. Os alunos também devem aproveitar todas as oportunidades que aparecerem diariamente no site, por email e não desacreditar que vai dar certo”, ressalta.

“O meu sonho acadêmico, profissional e pessoal é poder retribuir para a sociedade o que foi me dado, a universidade pública na qual eu aproveitei o conhecimento, pesquisas, extensão e internacionalização. A UFMG especificamente me proporcionou muito e eu não quero deixar de retribuir todo esse conhecimento para o desenvolvimento do meu país, da minha área e de outras pessoas que me veem como exemplo devido a minha representatividade na população, ser mulher e negra”, enfatiza Sabrina Martins.

Luta contra a malária também é lutar contra a pobreza e as vulnerabilidades sociais

Louison Mbombo é estudante do curso de Medicina da UFMG e tem como projeto principal a erradicação da malária no Congo, país onde nasceu. Foi com esse objetivo que ele fundou, em 2016, a ONG Solidariedade na Mokili, que visa salvar vidas, derrotar a pobreza generalizada e fomentar a mudança sustentável para pessoas mais vulneráveis ​​à fome, violência e doença.

Com apoio de diversas instituições mundiais e doações, sua organização sem fins lucrativos foi premiada em 2017 pela Unesco, por causa de uma ação que tinha o objetivo de reduzir o número de mortes de crianças por malária na cidade de Gungu, que fica no interior da República Democrática do Congo. Além de ser vencedor dessa competição de empreendedorismo cidadão da UNESCO, com 1º lugar na categoria popular e o 3º geral, Louison Mbombo se tornou, em 2019, um dos jovens líderes mais influentes do mundo na lista da União Europeia.

“A malária é uma doença tratável e que pode ser evitada. No entanto, uma população pobre como a do Congo não consegue ter acesso a um tratamento adequado”, destaca Louison. “O acesso à saúde é muito difícil e caro. Nossa luta é para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas e ajudar no próprio desenvolvimento econômico do país”, acrescenta.

Neste mesmo ano de 2019, concorrendo com projetos do mundo todo, ele também esteve entre os três escolhidos para o Prêmio de Melhor Inovação Humanitária do The Dutch Coalition for Humanitarian Innovation (DCHI).Isso foi devido ao uso de fermentas de inteligência artificial, fornecida pelo Google, para a análise e apresentação de dados sobre a malária no Congo, o que permite prever os surtos e facilitar intervenções.

De acordo com o estudante, sua ONG já curou mais de 30 mil pessoas com malária. Para isso, usou a educação para a prevenção dessa doença que mata uma criança a cada dois minutos na África. O que inclui a conscientização da população, através de estações de rádio, sobre o risco e as formas de prevenção e tratamento, bem como o treinamento de agentes comunitários de saúde. Além disso, eles fornecem medicamentos e tecnologias de controle de vetores, como mosquiteiros tratados com inseticida.

“O objetivo do trabalho é fornecer evidências para a luta nacional contra a malária no meu país. Saber como, onde e quando lutar contra a doença”, afirmou Mbombo. “Não existe inovação como essa no Congo. Nós somos o encontro da pesquisa clínica com a inteligência artificial para derrotar a malária no meu país”, ressalta.

“A UFMG é uma das melhores universidades do Brasil e ser reconhecido por ela tem muito significado para mim. Eu fui crescendo dentro da Faculdade que sempre me apoiou. Eu lembro que as pessoas do Fundo Global da Luta contra a Malária disseram que estavam impressionados com minha referência dentro da Universidade. Foi isso que me ajudou a ir para o encontro com a União europeia e para o Fundo Global da Luta contra a Malária. Tenho eterna gratidão pela minha casa”, declara Louison Mbombo.

Núcleo conscientiza e desmitifica sobre as tecnologias nucleares

A estudante do 8º período do Curso Superior de Tecnologia em Radiologia, Bárbara Braga, é uma embaixadora nuclear, título concedido, em 2019, pela Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben) após vencer, junto a sua equipe, a premiação para iniciativas destinadas a impulsionar o alcance das informações sobre a tecnologia nuclear e seus benefícios.

O reconhecimento foi devido ao seu projeto Nucleotiza-Nuclear Conscientiza, grupo que criou para promover a conscientização sobre tecnologias nucleares, com diversas ações, de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), da Organização das Nações Unidas (ONU). De forma clara e simples, a equipe passou um ano, de 2018 a 2019, esclarecendo o assunto em escolas de ensino fundamental e médio, faculdades e outras instituições de ensino, hospitais e demais locais. A divulgação incluía o funcionamento dos reatores, da energia nuclear, a técnica do raio x, o uso na área médica, os seus benefícios, entre outros assuntos.

“As pessoas não sabem que a radiação está no dia a dia delas, então o objetivo era falar para as pessoas leigas, dizer que a radiação estava ali, todos os dias e que não é preciso ter medo, que é benéfica”, relata Bárbara. Esse projeto que gera conhecimento tornou-se um relatório, apresentado como sua monografia, e também foi divulgado durante a Conferência Internacional Nuclear do Atlântico.

Apesar de já ter sido finalizado, Bárbara diz que a pretensão é dar continuidade a ideia. Até porque, para ela, a Radiologia é mais do que uma profissão, é um amor para toda a vida e que faz tudo isso com prazer. Recentemente, inclusive, seu grupo realizou um evento com mais de 560 alunos do ensino médio com palestras sobre tecnologias nucleares. Agora, como a equipe está concentrada em Minas Gerais, ela conta que o objetivo é fazer grupos com os chamados “nucleotizadores” pelo Brasil, incluindo as cidades do interior.

“A gente vê muitos alunos fazerem coisas muito legais, principalmente da Radiologia que é um curso menos destacado, então essa inciativa da Faculdade é uma ótima forma de divulgar não só alunos e seus projetos, como o próprio curso”, conclui Bárbara.