Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Nupad capacita profissionais africanas para triagem neonatal e acompanhamento de pacientes com a doença falciforme

No dia 19 de junho, instituído pela ONU como Dia mundial da doença falciforme, o Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico da Faculdade de Medicina da UFMG (Nupad) recebe duas profissionais de Benin, país da África Ocidental, para treinamento e capacitação em Triagem Neonatal.

As profissionais técnicas estarão no país durante duas semanas para conhecer as práticas de diagnóstico, tratamento e acompanhamento realizadas pelo Nupad. De acordo com o professor José Nélio Januário, diretor do Nupad, cerca de 2% da população africana subsaariana tem a doença falciforme. “Em Minas Gerais, uma em cada 1400 pessoas tem a doença, enquanto na África a proporção é de uma em cada 50”, explica. Para Nélio, o mundo deve, indubitavelmente, ajudar o continente que tem um dos mais altos índices da enfermidade no globo. “Não só pela alta prevalência, mas porque reconhecemos as dificuldades dos sistemas de saúde dos países nessas áreas”, explica o professor.

As ações fazem parte de um acordo de colaboração entre o continente africano e o Brasil, assinado há três anos pelo Ministério das Relações Exteriores, por meio de sua Agência Brasileira de Cooperação (ABC). O acordo prevê ainda que a ABC repasse recursos aos países para a compra de equipamentos e insumos. Para Benin, o valor destinado é da ordem de cerca de 500 mil dólares.

Os parceiros para a realização das ações técnicas são o Ministério da Saúde, a UFMG, por meio do Nupad, referência no Programa Nacional de Triagem Neonatal do Brasil (PNTN), e a Fundação Hemominas. Além de Benin, acordos de cooperação científica e técnica para triagem neonatal e doença falciforme são desenvolvidos também com os países Gana, Angola e Senegal, em níveis diferentes de investimentos.

A doença
A doença falciforme é uma das doenças hereditárias mais comuns no Brasil, caracterizada pela deformação das hemácias (glóbulos vermelhos), que estão presentes no sangue. Com a circulação do sangue dificultada, o paciente pode apresentar dor, destruição dos glóbulos, icterícia (olhos amarelos), anemia, úlcera de perna entre outros sintomas.

A doença não tem cura, mas tem tratamento. Por isso é fundamental o diagnóstico precoce, realizado por meio da Triagem Neonatal, conjunto de exames conhecido popularmente no Brasil como “teste do pezinho”. “Quanto antes a doença for diagnosticada e o tratamento e acompanhamento iniciados, melhor a expectativa e a qualidade de vida do paciente, que pode ser bem próxima de uma pessoa que não tem a doença”, explica o professor Nélio Januário.

Em Minas Gerais, o Nupad é o órgão responsável pela triagem neonatal, realizando a cobertura de 96% dos nascimentos do estado, sendo os outros 4% realizados por laboratórios privados. Em parceria com a Hemominas, realiza o acompanhamento eficiente de todos os casos positivos dos 853 municípios do estado. Com reconhecida capacidade técnica em métodos laboratoriais, o Nupad foi convidado pelo Ministério da Saúde para apoiar técnicamente a expansão e reformulação do Programa Nacional de Triagem Neonatal, levando capacitação e treinamento para o resto do país. “Hoje, apenas 19 estados brasileiros realizam a triagem para a anemia falciforme, cobrindo 60% dos nascimentos do Brasil. A meta do Ministério da Saúde, a partir do projeto de reformulação, é que até o final de 2013 todos os estados estejam realizando a triagem para essa doença”, afirma o professor Nélio.

Dia Mundial da Anemia Falciforme
O Dia Mundial da Doença Falciforme foi estabelecido pela ONU em reconhecimento da doença como um importante problema de saúde pública e “uma das principais doenças genéticas do mundo”. Por isso, entre os objetivos da resolução A/63/L63, que estabeleceu o Dia Mundial da Doença Falciforme – proposta por especialistas da República Democrática do Congo, iniciada pela Organização Internacional de Doença Falciforme e assinada por 20 países, incluindo o Brasil – destaca-se a instituição do dia 19 de junho de cada ano para ser dedicado a campanhas de educação e sensibilização sobre a doença em níveis nacional e internacional. (Fonte: Ministério da Saúde)

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