Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Foto: Reprodução

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O uso das novas tecnologias pelas crianças traz benefícios ao seu desenvolvimento, como a criatividade e persistência no alcance de um objetivo em jogos eletrônicos, por exemplo. No entanto, segundo a professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Cláudia Machado Siqueira, a utilização cada vez mais precoce dessas ferramentas prejudica um aspecto essencial no crescimento: a interação com os adultos. “A relação com o outro, até os seis anos de idade, é fundamental no desenvolvimento pleno do indivíduo”, diz.

Para a Academia Americana de Pediatra, o ideal é que uma criança de até dois anos utilize equipamentos eletrônicos como tablets e smartphones por 30 a 40 minutos diários, no máximo. Além da tecnologia, é preciso que elas aprendam a fazer outras atividades para seu desenvolvimento motor ou cognitivo.

Cláudia destaca que não é possível, nem necessário, colocar uma criança “numa bolha sem tecnologia”. “Devemos utilizar essas ferramentas para desenvolver o potencial dos jovens, como através de um jogo de memória, por exemplo”, explica.

Orientação dos pais é fundamental

Segundo dados de uma pesquisa realizada pela AVG Technologies em 2014, 97% das crianças brasileiras entre seis e nove anos usam a internet. Cláudia Machado explica que smartphones e tablets chamam a atenção das crianças pela resposta rápida dos jogos e aplicativos, o que pode ser um problema caso os pais não limitem o acesso aos recursos tecnológicos. “A persistência constrói aprendizado, mas a característica dinâmica dos dispositivos não permite isso. Se a criança não consegue superar um desafio, ela simplesmente muda de ferramenta”, comenta.

Para a professora, o uso do tempo quase que exclusivamente nesses meios pode levar a problemas como dificuldade de interação social e vício. “As crianças dão indícios de dependência: não querem sair de casa ou preferem um jogo ou rede social a qualquer outra brincadeira”, aponta. “Por isso os pais devem sempre estar atentos no tempo de uso da tecnologia e incentivar passeios, jogos manuais ou andar de bicicleta”, completa.

Outro ponto importante é a utilização de jogos e aplicativos adequados a cada faixa etária. Atividades de planejamento, organização, construção e gerenciamento de cidades, segundo Cláudia, são os mais benéficos aos jovens. “Mas o principal é diversificar as formas de desenvolvimento, com jogos de tabuleiro, livros e, sobretudo, as relações entre os indivíduos”, conclui.

 

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