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Natimortalidade deve ser tratada como questão de saúde pública


Publicado em: ExternasNotícias - 21 de janeiro de 2016

Evento sobre série do The Lancet revelou que 2,6 milhões de bebês nascem mortos por ano

No dia 19 de janeiro, foi realizado na London School of Hygiene and Tropical Medicine o lançamento mundial da série Ending Preventable Stillbirths (Pelo fim da Natimortalidade Evitável), publicada no periódico The Lancet. No evento, especialistas discutiram os pontos principais propostos pela publicação. Segundo eles, ocorrem atualmente 2,6 milhões de natimortos por ano em todo o mundo e a redução desse número depende da adoção de uma agenda que compreenda a natimortalidade como uma questão de saúde pública.

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A transmissão do evento no Brasil aconteceu no auditório do Centro de Tecnologia em Saúde (Cetes) da Faculdade de Medicina da UFMG. Foto: Carol Morena

Transmitido simultaneamente em outras cerimônias pelo mundo, inclusive na Faculdade de Medicina da UFMG, o evento apresentou cinco estudos, conduzidos por mais de 200 especialistas em 43 países. Tendo como ênfase o impacto que essas perdas têm sobre famílias, profissionais da saúde, sociedade e governos, a série revela, ainda, que 98% dos casos são em países de baixa renda e, aproximadamente, metade ocorre durante o parto.

“A ideia de que uma criança, viva no início do trabalho, morra ao longo das horas seguintes por razões completamente evitáveis deveria ser considerada como um escândalo em matéria de saúde”, destaca Richard Horton, editor-chefe da The Lancet. O atendimento materno inadequado, também, é apontado como um dos principais agravantes do número de natimortos. Segundo a publicação, a prevenção ou o tratamento de infecções e complicações da gravidez como hipertensão arterial, diabetes ou retardo do crescimento do bebê antes do nascimento, poderiam evitar a maioria dos casos.

Luto e apoio às famílias

Outro aspecto importante apresentado pela série é o dos impactos sociais, financeiros e principalmente psicológicos para as famílias que passam pela perda de bebês natimortos. Os artigos apontam que sintomas de depressão são comuns e duradouros depois do nascimento de um bebê morto. De acordo com os autores, aproximadamente quatro milhões de mulheres em todo o mundo sofrem da doença após darem à luz um natimorto. Esse luto, no entanto, ainda é estigmatizado, tornando mais vulnerável a situação dessas famílias.

De acordo com a publicação, mulheres cujos bebês nasceram mortos podem se sentir solitárias, menos valorizadas pela sociedade e, em alguns casos, sofrer abuso ou dano por violência após a perda. Por isso, o comportamento dos médicos, obstetrizes e outros profissionais da saúde é fundamental para que os pais superem a experiência. O texto indica que serviços oferecidos com respeito, incluindo uma boa qualidade na atenção ao luto, podem reduzir os impactos negativos.

A série também indica cinco pontos principais para o enfrentamento da natimortalidade no mundo. Entre eles está o desenvolvimento de lideranças internacionais que planejem políticas voltadas à redução da natimortalidade; o aumento da visibilidade feminina; o aumento de recursos para a natimortalidade, incluindo-a nas políticas de saúde da mulher e da criança; a melhora na coleta de dados sobre natimortalidade no mundo; e o aumento da arrecadação de fundos para pesquisa e prevenção da natimortalidade.

Os artigos completos podem ser acessados no site do periódico.

Entidades mineiras firmam compromisso para enfrentar natimortalidade no Brasil

Foto: Carol Morena

Foto: Carol Morena

Na Faculdade de Medicina, representantes das principais instituições de ensino e saúde de Minas Gerais se reuniram para acompanhar a transmissão e debater a natimortalidade no Brasil. O vice-diretor da Unidade, Humberto Alves, destaca que a natimortalidade é um problema de saúde pública e a universidade tem um papel importante nas questões que envolvem a saúde da comunidade. “É preciso, além de produzir o conhecimento para atender especificamente esses casos, apoiar também a institucionalização e congregação de pessoas em prol da resolução desse problema”, afirma.

Após a exibição das palestras de Londres, ocorreu um debate entre os presentes, com relatos de três mães que deram à luz bebês natimortos. Ana Paula Lacerda e Silva, a qual passou recentemente por essa situação, destacou a importância do apoio recebido por parte da equipe de saúde e de seus familiares.

Segundo a professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade e coordenadora do Ambulatório de Gravidez de Alto Risco do Hospital das Clínicas da UFMG, Regina Aguiar, o evento se constitui como um importante passo para firmar o compromisso das entidades com o enfrentamento da natimortalidade. “Compromisso não só em termos de prevenção das ocorrências, como no âmbito do cuidado às famílias de bebês nascidos mortos”, declara. Alguns dos presentes também se pronunciaram firmando o compromisso dos órgãos por eles representados com a promoção de uma agenda de saúde que dê maior visibilidade à natimortalidade no país.

Ainda compuseram a mesa a patologista fetal e perinatal, atuante no suporte ao luto da perda gestacional Ana Maria Lana; a coordenadora da Comissão Perinatal e do Comitê de Prevenção do Óbito Materno, Fetal e Infantil da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, Sônia Lansky; a coordenadora de Atenção à Saúde da Mulher (Rede Cegonha) da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, Ana Maria Cardoso; a professora do Departamento de Pediatria da Faculdade, Márcia Penido; a professora do Departamento de Pediatria da Faculdade e presidente da Sociedade Mineira de Pediatria, Maria do Carmo Barros; e a professora do Departamento de Pediatria da Faculdade e representante da diretoria da Sociedade Mineira de Pediatria, Maria Cândida.

Também participaram do lançamento representantes do Conselho Regional de Enfermagem (Coren), da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (Abenfo), da Sociedade Mineira de Pediatria (SMP) e da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia de Minas Gerais (Sogimig).

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