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Ética e direito a vida será tema de seminário em junho


Publicado em: AgendaExternas - 12 de maio de 2015

TV_MEDICINA_FINALIZADADiretora de documentário sobre chacina do Vigário Geral e violência policial é convidada para exibição do filme e debate

A violência e suas diversas implicações, incluindo as questões éticas, será o tema do “Seminário ética e direitos de todos à vida”, no dia 10 de junho, quarta-feira, na Faculdade de Medicina da UFMG. O evento terá início às 18h30, no Salão Nobre da Faculdade, com entrada franca, sem necessidade de inscrição prévia e aberto a toda população. Terá certificado e será considerado como Atividade Complementar Geradora de Crédito (ACGC) para alunos da Faculdade de Medicina da UFMG.

Inicialmente será exibido o documentário investigativo “À queima roupa”, que mostra a violência e a corrupção da polícia do Rio de Janeiro nos últimos 20 anos, com direção da Theresa Jessouroun, convidada para debate posterior.

Além da diretora, o Seminário também terá a participação da professora Elza Machado de Melo, coordenadora do Mestrado em Promoção da Saúde e Prevenção da Violência da Faculdade de Medicina UFMG; Heloísa Greco, professora de História e membro do Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania; e o professor José Luiz Quadros de Magalhães das Faculdades de Direito da UFMG e da PUC Minas. “O debate será iniciado pela Theresa Jessouron e os outros participantes se complementam: um advogado e professor, uma médica e professora de saúde pública, uma militante pelos direitos humanos e eu, que intermediarei a discussão. Em seguida, a palavra será aberta para a participação do público”, declara o professor Dirceu Greco, coordenador da atividade.

“Nós discutimos muito sobre o início da vida, a vida em si e sua terminalidade, mas nos esquecemos da violência como parte intrínseca neste processo”, afirma Greco. “A morte por tiro ou demais violências afeta principalmente jovens negros e de periferia, e obviamente suas famílias, mas há ainda várias repercussões, inclusive para o sistema de saúde. É um contexto muito mais amplo e que atinge e envolve toda a sociedade”, continua.

Segundo ele, é interessante falar sobre o assunto que, mesmo não sendo novo, ainda é pouco comentado. “É importante trazer para a medicina para que seja incluído entre as nossas obrigações profissionais, que extrapolam o tratamento de pessoas doentes e a promoção da saúde. Este é um tema que está inserido em todo o processo de saúde, onde também somos responsáveis e necessitamos nos envolver”, argumenta. “Quase certamente as pessoas sabem sobre isto, mas o tema será abordado de maneira diferente do que já acontece no país há muito tempo”, completa. De acordo com o professor Dirceu, se as pessoas se impactarem e se indignarem, não só com a dureza do filme, mas com o que sairá das discussões, já será uma vitória, mas é um processo longo de mudanças urgentemente necessárias. Segundo ele, se isso ajudar a refletir e questionar sobre as barbaridades que estão acontecendo, não só no Rio de Janeiro, vai valer ainda mais.

O Seminário está sendo proposto e organizado pela disciplina Seminários de Bioética em conjunto com o Mestrado Profissional em Promoção da Saúde e Prevenção da Violência e o Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania.

O filme
Partindo da chacina no Vigário Geral no Rio de Janeiro e passando pelas mortes na Baixada e no complexo do Alemão, entre outras, o documentário “À queima roupa” exibe cenas das execuções “sob tutela da lei” entre 1993 a 2013. Para isso utiliza entrevistas, imagens de arquivo e cenas ficcionais que reconstroem a memória dos sobreviventes. Apresenta o ponto de vista dos familiares, testemunhas, sobreviventes e demais envolvidos diretamente nos casos, tais como advogados, promotores e juízes. Toda a história tem como fio condutor o depoimento de um informante da polícia militar que participou das operações.

“É um documentário muito duro. Mostra o que tem acontecido nestes 20 anos e é preciso que a gente entenda que o que ocorre na polícia do Rio não é exceção. Acredito que esta será uma discussão marcante e convido todos a participar conosco”, salienta Greco.

Debate
O professor Dirceu Greco explica que cada palestrante contribuirá com sua experiência: José Luiz participa de diversos movimentos do direito em um sentindo amplo e dos direitos humanos em particular. Já Heloisa tem em sua história a luta pelos direitos humanos, contra a ditadura militar, e pelo desmantelamento do aparato repressivo estatal. A professora Elza tem experiência nestas mesmas questões e coordena mestrado de promoção da saúde e prevenção da violência. E os coordenadores estão envolvidos com estas questões e com a bioética.

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