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Estudo inédito busca compreender inserção de pessoas com deficiência em BH

Pesquisa quer saber quem é e como vive esse público. Interessados em fazer parte do estudo podem se cadastrar.


    17 de julho de 2019


    Quem são as pessoas com deficiência em Belo Horizonte? Quais as dificuldades e necessidades? Quais atividades de lazer praticam? A busca por essas e outras respostas impulsionou pesquisadores da Faculdade de Medicina e da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional (EEFFTO) da UFMG, além da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), a desenvolverem pesquisa inédita no país, na qual busca compreender o desempenho ocupacional dessas pessoas.

    Com início neste mês, o estudo tem o objetivo de compreender os fatores que influenciam a participação e a restrição nas atividades cotidianas das pessoas com deficiência visual, auditiva e motora, totais e parciais. Para isso, serão avaliadas três áreas ocupacionais: autocuidado, lazer e trabalho. A ideia da pesquisa é jogar luz sobre questões que mascaram o universo no qual estão inseridas.

    “Hoje a gente tem uma noção, mas não temos uma pesquisa de vulto feita nesse sentido. O que se tem vai para saúde mental, ou só auditivo, por exemplo”, explica o professor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Ricardo Alexandre de Souza.

    Questionários com questões objetivas e subjetivas serão aplicados às pessoas com deficiência das nove regionais de Belo Horizonte. Por meio das entrevistas, serão analisadas as condições socioeconômicas delas, onde vivem, como é a vida em família, em comunidade, suas práticas de lazer e se recebem as mesmas oportunidades de satisfação social que outras pessoas sem deficiência.

    “Muitas pessoas com deficiências restringem sua vida a ir a uma unidade de saúde e voltar para casa. Muitas vezes acompanhadas da mãe, e a gente quer ver porque isso acontece, ou se acontece outras coisas, se conseguem solucionar situações que nós não estamos sabendo”, explica a professora do Departamento de Terapia Ocupacional da EEFFTO, Cristiane Miryam Drumond de Brito.

    Cronograma

    Serão 30 minutos de aplicação de questionário, mais ou menos, realizada por mais de 10 voluntários. As entrevistas iniciam neste mês, convidando mais de 1500 pessoas, para formar o grupo de 500 participantes. Interessados em fazer parte do estudo podem se cadastrar.

    A previsão de término é para final de julho ou meados de agosto. Os próximos passos são fazer analise descritiva e cruzamento desses dados.

    Metas

    Além dos professores e voluntários, equipe conta com dois doutorandos e dois mestrandos, que estão atrelados a essa base para ajudar na formulação de políticas públicas, na construção do conhecimento. “ A formulação de políticas públicas devem ser  feitas com base em evidências e vivências, com conhecimento científico e não apenas empiricamente, assim ir melhorando a cidade a partir das pessoas que nela habitam”, justifica Cristiane Mryam.

    Evidência e modelo

    A importância da pesquisa é mostrar a situação de invisibilidade, de pessoas que não têm circulação tão visível. “É uma população que está escondida, então colocá-las em evidência é colocar as necessidades delas em evidência. E também o que a gente propor para a cidade de Belo Horizonte pode ser aplicado em outras cidades do pais”, comenta a professora do Departamento de Terapia Ocupacional da EEFFTO.  

    Ela reforça que as necessidades das pessoas com deficiência devem ser ditas por elas mesmas, para assim, construir políticas públicas baseadas na real necessidade delas.

    Busca por apoiadores

    A coleta de dados está sendo bancada pelos próprios pesquisadores, incluindo o transporte dos entrevistadores. Por isso, eles também buscam apoio financeiro ou de qualquer outro tipo de recurso. “Vamos pegar nossas férias para fazer essa pesquisa e estamos abertos a qualquer tipo de apoio”, conta o professor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Ricardo Alexandre de Souza.

    A BHtrans apoia o trabalho, enviando as cartas aos possíveis participantes da pesquisa e cedendo a base de dados que dispõe. Também apoiam o Departamento de Terapia Ocupacional e do mestrado de Ocupação e de Lazer da EEFFTO, e do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina e a Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), através do Escola de Design – Centro de Design Social.

    Mais informações e cadastramento: 9 9514-0567 (WhatsApp)