Pesquisa comparou dois medicamentos usados no tratamento da doença e identificou resultados positivos apenas com um deles

*Guilherme Gurgel

A alopecia androgenética causa perda de cabelo em mulheres e acomete até 55% da população feminina até 70 anos. Entre os principais efeitos da doença está o grande impacto psicológico. “O medo de desenvolver uma calvície mais grave, diminuição na autoestima e a impressão de perda de saúde são fatores que influenciam no psicológico das pacientes”, explica a pesquisadora Amanda Gomes Dell’Horto, médica dermatologista.

Amanda Gomes comparou dois medicamentos usados no tratamento de alopécia. Foto: Carol Morena

Ela analisou o tratamento dessa condição em sua dissertação, defendida junto ao Programa de Pós-Graduação em Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da UFMG. “A gravidade da doença não se relaciona proporcionalmente ao seu impacto psicológico, porque existe um medo muito grande da calvície. Este impacto atrapalha nas relações afetivas, familiares e outros aspectos da vida das mulheres, por isso é importante que haja acompanhamento psicológico”, defende Amanda.

A própria pesquisadora foi diagnosticada com alopecia androgenética e conta que algumas pacientes com quadro mais avançado tinham dificuldades em conseguir emprego. “Há uma necessidade de olhar para essa doença com carinho, não simplesmente falar que se trata de estética e, por isso, não é relevante para a saúde da mulher”, argumenta.

O objetivo da pesquisa era comparar duas medicações comumente usadas para tratamento de alopecia androgenética no Brasil: o minoxidil e o alfa-estradiol. Para realizar o estudo, Amanda contou com a participação de 102 pacientes do Ambulatório de Dermatologia da Santa Casa BH, que se queixavam de queda de cabelo e foram diagnosticadas com a doença.  Elas foram submetidas ao tratamento por nove meses e divididas em três grupos. Um era tratado apenas com Minoxidil, outro apenas com Alfa-estradiol e o terceiro grupo tratado com os dois simultaneamente

A pesquisadora conta que tanto o grupo tratado somente com Minoxidil quanto o grupo que utilizou os dois medicamentos ao mesmo tempo tiveram resultados quase idênticos, demonstrando, assim, a baixa eficácia do alfa-estradiol quando comparada ao outro fármaco. “No estudo, o alfa-estradiol, que é mais caro, não valeu a pena em termos financeiros, nem em termos práticos. O resultado condiz com estudos anteriores sobre o tema. Alguns países nem utilizam esse medicamento no tratamento de alopecia”, declarou.

A doença

A alopécia androgenética é um afinamento progressivo e crônico do fio. Foto ilustrativa – Carol Morena

A alopecia androgenética é um afinamento progressivo e crônico do fio do couro cabeludo, indo até o desaparecimento por completo. Pode acontecer desde a adolescência até a vida adulta e tem vários graus de acometimento, mas a maioria apresenta grau discreto. Segundo a pesquisadora, a doença está ligada a presença de um gene específico, mas nem todos os portadores deste gene desenvolverão a doença.

Amanda afirma que ainda não foi elucidado o motivo da velocidade de acometimento e gravidade da doença serem tão diferentes em cada caso. Mas alguns fatores externos podem influenciar. “Tabagismo, exposição à radiação UV do sol e o uso de algumas químicas capilares podem acelerar o processo”, exemplifica.

Além disso, até o momento, não existe uma prevenção para a doença, por isso o foco é voltado para o diagnóstico e tratamento precoce. “É uma doença que não tem cura, a partir do momento que se desenvolve é preciso tratar pelo resto da vida. É importante o diagnóstico especializado dos primeiros fios afinados e, a partir daí, iniciar um tratamento prático, fácil e custo efetivo”, diz a pesquisadora.

O tratamento

O Minoxidil é um vasodilatador que mantém o cabelo por um período maior na fase chamada anágena, em que os fios conseguem ganhar comprimento e espessura. “No momento em que você para de utilizar, o cabelo passa para a fase telógena e cai, por isso o uso é constante”, explica Amanda. Um dos efeitos colaterais do Minoxidil é o ressecamento do couro cabeludo, que pode causar dermatite. Isso acontece por estar diluído em meio alcoólico.

Ela alerta que, por ter o efeito vasodilatador e já ter sido usado como anti-hipertensivo, algumas pessoas podem apresentar queda de pressão, normalmente relacionada ao uso excessivo do Minoxidil. “Alguns pacientes acreditam que usar uma dose maior do que a recomendada, pode aumentar o funcionamento e acabam encharcando o couro cabeludo. A vasodilatação na região da cabeça pode causar cefaleia, por exemplo”, completa Amanda.

Já o alfa-estradiol inibe a enzima responsável pelo aumento do hormônio que causa a queda de cabelos. No entanto, segundo a pesquisadora, esse mecanismo e a eficácia do medicamento não estão comprovados cientificamente. Além disso, os resultados de sua pesquisa reafirmam a necessidade de mais investigação para que se defina o melhor tratamento a ser oferecido às pacientes acometidas pela alopecia.

Nome do trabalho: Análise comparativa da eficácia do minoxidil 2% e alfa-estradiol 0,025% no tratamento da alopecia androgenética feminino

Autora: Amanda Gomes Dell’horto

Nível: Mestrado

Programa: Pós-Graduação em Medicina Molecular

Orientadora: Maria Marta Sarquis Soares

Coorientadora: Michelle dos Santos Diniz

Data da defesa: 3 de agosto de 2018

*Guilherme Gurgel – estagiário de jornalismo

Edição: Deborah Castro

    Contador de visitas: 366 visualizações

    Veja também:

    metin2 pvp - metin2 pvp serverler - pvp serverler - metin2 pvp serverler - metin2 pvp serverler - mt2 - agario - agario - io games - okey