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Estudo associa ardência bucal a transtornos psiquiátricos – Faculdade de Medicina da UFMG

Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Uma ardência na boca, intermitente, como se a pessoa tivesse comido um prato extremamente apimentado. Junto com o incômodo, aparecem a tristeza, a ansiedade e outros sintomas usualmente associados a doenças de ordem psiquiátrica. É assim que se sentem os portadores da Síndrome da Ardência Bucal, transtorno crônico estudado por um grupo de pesquisadores das faculdades de Odontologia e Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

“A maioria dos pacientes com a síndrome da ardência bucal desenvolve sintomas psiquiátricos como depressão e ansiedade. Mas como ainda não delimitamos um marcador biológico que acarrete a síndrome, não podemos explicar se é a síndrome que traz os problemas psiquiátricos ou o inverso. Isto ainda está pouco claro na literatura”, afirma o pesquisador Fabrício Tinôco Alvim de Souza, um dos responsáveis pela pesquisa.

Em 2011, Tinoco defendeu dissertação de mestrado na Faculdade de Odontologia na qual daria início aos estudos que comprovariam a associação dos sintomas psiquiátricos à síndrome, aspecto também tratado no artigo Transtornos psiquiátricos na síndrome da ardência bucal, publicado em fevereiro do ano passado no Journal of Psychosomatic Research. Para fundamentar seu trabalho, o pesquisador avaliou 30 pacientes em tratamento nos consultórios da Faculdade de Odontologia da UFMG.

Os portadores da síndrome da ardência bucal não apresentavam qualquer alteração clínica ou laboratorial evidente que pudessem levar ao diagnóstico de outras doenças. “Como a ardência pode ser sintoma de outros problemas, precisamos excluir outras doenças durante o diagnóstico. Para isso, temos que fazer a análise bucal do paciente e não encontrar nada. Vimos que alguns mediadores inflamatórios da saliva dos portadores da síndrome podem estar aumentados ou diminuídos e isso pode ser um fator envolvido no desenvolvimento dessa doença”, explica Fabrício Tinôco.

O transtorno atinge mais mulheres que homens (numa proporção de 6 a 7 por 1), sendo que as primeiras costumam manifestar a doença depois da menopausa. Além da dificuldade para comer, o incômodo acaba afetando outros aspectos da vida dos pacientes, que apresentam, como sintomas associados, a sensação de boca seca e alterações do paladar.

“Analisamos a qualidade de vida dos pacientes usando questionários já validados na literatura médica. As respostas apontaram que, quantitativamente, os 30 pacientes do nosso grupo de estudo tinham pior qualidade de vida se comparados a pessoas que não possuíam a síndrome. Observamos se a doença alterava o dia a dia dos portadores, suas atividades de lazer e trabalho, sua alegria e seus relacionamentos”, conta Tinôco, que atualmente cursa doutorado em medicina molecular pela Faculdade de Medicina.

Os estudos sobre síndrome da ardência bucal envolveram vários profissionais, entre eles os professores Tarcilia da Silva, Arthur Kummer e Mauro Henrique Abreu, além de colaboradores das faculdades de Odontologia e Medicina da UFMG.

Estimulação mecânica

Um dos tratamentos possíveis para a síndrome, a terapia com estimulação mecânica, foi analisada e testada pelo pesquisador Fabrício Tinôco em sua dissertação de mestrado.

O pesquisador explica que nesse tratamento o paciente é levado, por meio de um aparelho mecânico colocado na boca, a realizar mastigações por certos períodos e com intensidades definidas. “O paciente mastigava o aparelho quatro vezes por dia, fazendo uma espécie de fisioterapia bucal. Chegamos à conclusão de que os pacientes que fizeram uso dessa terapia tiveram, de fato, melhoria nos sintomas da ardência na boca. O próximo passo é comparar os efeitos desse tratamento com outros já existentes para comprovar a sua eficácia e, posteriormente, torná-lo de uso efetivo.

Atualmente, os portadores da síndrome da ardência bucal realizam tratamentos paliativos, uma vez que ainda não existe uma cura para a doença. Os sintomas são atenuados com o uso de antidepressivos, anticonvulsivantes e sessões de acupuntura e laserterapia.

“Menos de 5% dos pacientes conseguem se curar totalmente da síndrome. Por isso, a grande maioria foca no alívio dos sintomas, que são muito incômodos. É importante que qualquer tratamento para a síndrome da ardência bucal envolva dentistas e psiquiatras, uma vez que o problema, além de bucal, é também psiquiátrico”, conclui.

(Centro de Comunicação da UFMG)

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