Faculdade de Medicina

Universidade Federal de Minas Gerais


Na capital mineira, a proporção de óbitos decorrente de acidentes de trabalho é de 4,3% por acidente

 

Ives Teixeira Souza*

 

Com o objetivo de descrever os acidentes de trabalho grave em Belo Horizonte, entre 2008 e 2014, notificados no Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), membros do Observatório em Saúde do Trabalhador da Faculdade de Medicina da UFMG (Osat) produziram um relatório técnico, com o apoio da Gerência de Saúde do Trabalhador do município.

De acordo com o Ministério da Saúde o acidente de trabalho é considerado grave quando acarreta mutilação, física ou funcional, levando à lesão cuja natureza implique em comprometimento extremamente sério, ou que pode ter conseqüências fatais. No período do estudo, foram notificados cerca de 12 mil acidentes graves, sendo que 6,7% desse total evoluíram para o óbito do paciente. A maior parte dos trabalhadores acidentados é  do sexo masculino (80,9%), com idade entre 20 e 49 anos. Sendo quase a metade dos acidentados relacionados às atividades de produção de bens e serviços, área em que também foi observado o maior registro absoluto de óbitos.

Os membros superiores e mãos foram os mais acometidos nos acidentes de trabalho graves (ATG), cerca de 44%. Imagem: reprodução/internet

Classificação dos acidentes
Em Belo Horizonte, a origem mais frequente dos acidentes foram as “causas externas de traumatismo acidentais”, aproximadamente 64%. Seguido por “acidentes de trajeto”, 32,8%, mantendo o padrão encontrado em investigações realizadas em outros municípios brasileiros.

A maior parte dos eventos foi avaliado como típico, quando o resultado do acidente é caracterizado a partir da atividade profissional do acidentado. Por outro lado, é alarmante o fato de que a segunda maior causa é decorrente de acidentes durante o caminho entre o local de trabalho e a residência do trabalhador.

Os membros superiores e mãos foram os mais acometidos nos acidentes de trabalho graves (ATG), cerca de 44%. Para Maria Cristina Fonseca, uma das autoras do relatório e gerente do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador Barreiro, esse tipo de trauma costuma apresentar consequências mais sérias, se comparados a outras partes do corpo, causando, muitas vezes, incapacidade funcional. “Dos registros analisados, mais de 94% dos acidentados tiveram algum tipo de incapacidade, seja temporária parcial, ou permanente”, conta.

Notificação inadequada
O estudo do Osat constatou que um grande número de dados não foi informado nas notificações. Em 27,9% delas, por exemplo, não há a comunicação se houve outros trabalhadores atingidos. A região em que estão localizadas as empresas também não consta em cerca de 30% das notificações. Da mesma maneira, registros de gravidez (97,2%), raça (98%) e escolaridade (74,5%).

Para Cristina, ainda será preciso criar uma cultura que valorize a notificação dos ATG, assim como de outros agravos à saúde. “Além disso, o número de itens constantes na ficha de notificação do ATG, a sobrecarga de trabalho dos profissionais que fazem o serviço e a ausência de integração dos dados oficiais são fatores que podem justificar a dificuldade em notificar corretamente os acidentes de trabalho graves”, conclui.

Acesse o relatório completo.

*Redação: Ives Teixeira Souza – estagiário de jornalismo
Edição: Mariana Pires

    Contador de visitas: 422 visualizações

    Veja também: