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Estudante desenvolve aplicativo de saúde em estágio internacional


Publicado em: ExternasTecnologia - 9 de maio de 2017

Plataforma objetiva facilitar diagnóstico médico.

Alice Leroy*

A aluna do 8º período do curso de Medicina da UFMG, Mariane Melo, desenvolveu um aplicativo em seu período de mobilidade pelo Ciências Sem Fronteiras. Estudante da University East London, em Londres, onde cursava Fisiologia Médica, a aluna conheceu, através de um evento, a oportunidade de trabalhar na startup Dem Dx, que também nomeia o aplicativo.

Clique para baixar.

Mariane, co-fundadora do aplicativo, explica que o Dem Dx é um facilitador do diagnóstico médico. Funciona como uma árvore de decisões: o usuário cadastra os sintomas básicos e o aplicativo sugere outros mais específicos, chegando em um diagnóstico mais provável a partir do informado. Segundo a estudante, a maioria dos erros médicos estão no diagnóstico. O aplicativo diminui esse problema e consequentemente, evita erros. “A ideia não é vender o diagnóstico, mas sim dar uma segunda opinião para que os profissionais tenham mais confiança”, conta. Apesar de o público principal ser de médicos, o Dem Dx também pode ser usado por estudantes, já que ajuda a estruturar o raciocínio clínico.

A estudante explica que a maior dificuldade é melhorar o conteúdo para relacionar os sintomas de maneira clara.A árvore de decisões é muito grande, e todas as pessoas tem que conseguir encontrar resultados, mesmo que pensem de maneira diferente”, relata.  Ela pretende ir em busca de investidores para conseguir parcerias. O mais difícil de um aplicativo novo no mercado como esse é fazer as pessoas usarem de verdade”, avalia.

O aplicativo é gratuito e, por enquanto, só está disponível em inglês para iPhone e iPad, mas a equipe já está trabalhando nas versões para plataforma Android e em português, que deve ser lançada em junho. “O Brasil se tornou o país com o maior número de downloads”, comemora a estudante.

Trabalho multidisciplinar
A startup responsável pelo Dem Dx foi idealizada por Lorin Gresser, médica e com MBA em Business pela Universidade de Harvard, mas o aplicativo foi construído em conjunto por médicos especialistas e uma equipe multidisciplinar de seis pessoas, contendo profissionais de áreas como programação e design.

“O aplicativo foi uma experiência muito boa porque eu nunca soube que podia mexer, dentro da área, com alguma coisa além da medicina. Percebi que tenho jeito para negócios e empreendedorismo. A experiência abriu muito minha visão”, reflete Mariane.

Assista ao vídeo sobre o Dem DX:

Baixe o aplicativo.

Voluntariado em Londres
Durante seu período de mobilidade, Mariane Melo ainda foi voluntária da ONG Doctors of the World. A organização ajuda imigrantes ilegais a conseguirem atendimento médico, já que para o sistema de saúde do Reino Unido (NHS) é necessário ter comprovante de endereço e identidade. A ONG fornece uma declaração em nome da Doctors of the World, que tem validade como comprovante de endereço. Assim, aumenta-se a inclusão no sistema de saúde.

Congresso Mundial de Neurocirurgia
Durante o intercâmbio, Mariane ainda encontrou tempo para estagiar na King’s College Hospital e Evelina Children’s Hospital, hospitais constituintes da universidade King’s College of London. Durante o período de seis meses, a estudante desenvolveu dois artigos, e foi aprovada para apresentar um deles no Congresso Mundial de Neurocirurgia, que acontecerá em Berlim, no final de junho.

O artigo de Mariane compara duas técnicas de neurocirurgia funcional, que melhora o funcionamento do cérebro. O procedimento utilizado é chamado de Deep Brain Stimulation, tratamento que usa eletrodos cerebrais que envia impulsos elétricos para determinada parte do cérebro. A aluna cita a doença de Parkinson como exemplo e conta que o efeito dos eletrodos na cabeça do paciente é extremamente positivo. “Em alguns casos, o paciente para de tremer na hora”, conta.

A estudante credita à experiência vivida através do Ciências Sem Fronteiras como muito positiva. O estágio na King’s College foi maravilhoso. Consegui ver como o sistema de saúde funciona. Lá, a equipe é multidisciplinar, e o médico não é considerado mais importante do que o enfermeiro, o psicólogo ou o fonoaudiólogo. Além de tudo, aprendi a fazer pesquisa. Por mais que aqui no Brasil a gente estude métodos de pesquisa, lá eu aprendi na prática, com a vivência”, relata.

Financiamento coletivo
Apesar da conquista, Mariane não pode arcar com os custos da viagem para o Congresso Mundial, e por isso, junto com seus amigos, criou uma arrecadação online para que consiga viajar. Contribua aqui.

Assista ao vídeo do Financiamento Coletivo:

Ciências sem Fronteiras
No dia 11 de maio, o Salão Nobre da Faculdade de Medicina da UFMG recebe o debate “Ciências sem Fronteiras: discutindo e conhecendo os passos dos nossos alunos lá fora”, das 11h30 às 12h30. A reunião é aberta a toda a comunidade acadêmica interessada no assunto, e conta como Atividade Complementar Geradora de Crédito (ACGC).

Leia também: Debate propõe compartilhar experiências do Ciências sem Fronteiras

  • Redação: Alice Leroy – estagiária de jornalismo
    Edição: Mariana Pires

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