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Estatística na saúde auxilia na compreensão de doenças e tomada de decisões


20 de julho de 2018


*Jayne Ribeiro

 

A estatística é um estudo matemático muito utilizado para quantificar valores e estabelecer relações, mas a sua utilidade não se limita às áreas exatas, sendo muito importante também para áreas da saúde. Isto é o que explica a economista, especialista em demografia e professora do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da UFMG (MPS), Carla Jorge Machado.

Carla conta que a estatística na área da saúde é utilizada como uma forma de quantificar adequadamente os fenômenos na área de saúde, o que, de acordo com ela, é necessário para que os alunos e profissionais do campo possam tomar decisões que vão afetar diretamente a saúde e a qualidade de vida das pessoas.

Contar números de doentes e internações e calcular o tempo médio de internação de pacientes são alguns dos exemplos da utilização da estatística aplicada à área da saúde. Foto: Carol Morena.

Contar números de doentes e internações e calcular o tempo médio de internação de pacientes são alguns dos exemplos da utilização da estatística aplicada à área da saúde, segundo a professora Carla. “A estatística ajuda a definir se o que está sendo observando é simples obra do acaso ou não. Ajuda a fazer uma previsão, levando em consideração que as pessoas são diferentes. Enquanto a área da saúde pública se preocupa com as implicações dos resultados encontrados para populações, na prática médica o conhecimento é aplicado a um paciente por vez”, pontua.

Carla ressalta que a estatística auxilia no estabelecimento de previsões sobre o curso de determinadas doenças, o que é fundamental para a escolha de um tratamento individualizado e adequado. “É possível fazer previsões sobre a capacidade de uma doença levar à morte, ainda que nem todas as pessoas sigam o mesmo caminho após terem contraído a patologia. A estatística vai auxiliar na descoberta de padrões de resposta, ou seja, dos principais grupos de indivíduos e suas características. Assim, será possível propor intervenções para prevenir a transmissão”, afirma.

A professora aponta a investigação do ressurgimento da febre amarela no Brasil como um exemplo aplicável da estatística na área da saúde. “Os estudantes e pesquisadores precisam saber o que vem causando o ressurgimento da doença no Brasil, depois de tantos anos. Para isso, é necessário que saibam que existem muitas variáveis genéticas, econômicas, sociais e ambientais nessa resposta, e que saibam trabalhar com elas”, argumenta.

A professora destaca que os protocolos clínicos que auxiliam profissionais que atuam na assistência médica ao paciente contêm informações com proporções de doentes, números de novos casos ao ano, taxas e fatores de risco associados e, por isso, é imprescindível que consigam interpretar esses dados. “Os protocolos e diretrizes terapêuticas são essenciais na tomada de decisão acerca do melhor tratamento a ser adotado para o paciente”, explica.

Blog Epidemiologia
A professora, que ministra a disciplina Epidemiologia para os estudantes de graduação em Medicina e em Fonoaudiologia e Métodos Quantitativos Aplicados à Cirurgia na pós, mantém o blog “Epidemiologia”, composto por exercícios de concursos públicos brasileiros e questões relacionadas à estatística e demografia na área da saúde, em grande parte, comentadas. “A plataforma é de livre acesso, no entanto, seu conteúdo é destinado essencialmente para os alunos de graduação e pós-graduação que estejam cursando matérias de epidemiologia”, afirma.

Segundo Carla, a motivação para escrever o blog veio da necessidade de melhorar a comunicação com os estudantes e como uma forma de armazenar o grande volume de informações e questões que adquiriu desde que começou a lecionar na Faculdade de Medicina.  “Não sou médica e, por isso, comecei a sentir que precisava ter uma linguagem para me comunicar melhor com os meus alunos e colegas médicos da Faculdade. Compilei ao longo dos anos muitas questões de provas de residência e de concursos públicos para preparar as provas das disciplinas e melhorar minhas aulas, precisava organizar todo esse material”, conta.  A professora é especialista em demografia, campo que utiliza fundamentalmente das técnicas da estatística e trabalha com grandes volumes de números e grandes contingentes populacionais. “Sempre tive interesse em tornar a estatística tão clara para os alunos quanto é para mim”, afirma.

Carla ressalta que o blog, que já recebeu mais de 400 mil acessos, não é um substituto para livros e nem para um curso, mas que pode ajudar muito no aprendizado. “Eu sempre acreditei que listas de exercícios são fundamentais, porque o aluno pode ver o conteúdo de várias maneiras diferentes e, assim, se preparar para provas”, aponta.

 

Acesse o blog Epidemiologia.

 

*Redação: Jayne Ribeiro – estudante de jornalismo
Edição: Mariana Pires