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Universidade Federal de Minas Gerais


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Esquizofrenia: combate à psicofobia, internação e uso de drogas


Publicado em: Aspas SonorasExternas - 22 de junho de 2017

Especialistas analisam o debate sobre o preconceito contra pessoas com esquizofrenia e o a forma de tratamento em casos mais graves

A esquizofrenia é um dos transtornos psiquiátricos de maior incidência, atingindo cerca de 1% da população brasileira. Alguns de seus sintomas, como alucinações e delírios, são os popularmente definidos como loucura, o que culmina em um preconceito histórico em relação à condição. Os principais sintomas foram tema do programa de segunda-feira da série “Esquizofrenia”, produzida pelo programa de rádio Saúde com Ciência.

O preconceito contra pessoas com transtornos psiquiátricos é denominado “psicofobia” e é o tema do programa de sexta-feira. A psicofobia não afeta apenas a pessoa que apresenta o transtorno, sendo também uma preocupação a mais para sua família. O professor do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG, Rodrigo Nicolato, fala sobre a importância do apoio aos familiares de quem tem esquizofrenia:


A também professora do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG, Tatiana Mourão, afirma que o preconceito contra pessoas com esquizofrenia pode ser explicado pelos padrões sociais rígidos do que é considerado normal e fala sobre sua experiência com pacientes com transtornos psiquiátricos:

 


Tratamento e internação

A atenção às pessoas com esquizofrenia foi marcada por períodos históricos em que o tratamento envolvia o isolamento social do indivíduo. A internação em sanatórios com condições precárias de higiene e sem os cuidados necessários para o tratamento da esquizofrenia motivou movimentos como a luta antimanicomial, que luta pelo tratamento digno para pessoas com sofrimento psíquico. A realidade do tratamento da esquizofrenia no Brasil foi tema do programa de quarta-feira.

O professor Rodrigo Nicolato fala sobre a importância dos medicamentos antipsicóticos, que reduziram a necessidade de internação e possibilitaram um tratamento com menor necessidade do afastamento do indivíduo de seu convívio social, mas ressalta que a internação em hospitais psiquiátricos ainda pode ser necessária em casos mais graves:

 

Cartaz exibido em ato pela luta antimanicomial, Foto: Reprodução – Centro Cultural do Ministério da Saúde

A questão da internação e do local onde os casos mais graves de esquizofrenia devem ser tratados levanta discussões. As principais correntes apresentam como alternativas os hospitais psiquiátricos e os Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Os Caps são centros gerenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que fornecem um tratamento a pessoas com transtornos mentais pautado na inserção social e no fortalecimento de laços familiares e comunitários.

Essas correntes apresentam divergências quanto à capacidade dos Caps de fornecerem o tratamento necessário em casos mais graves da esquizofrenia e em relação à ideia de que os hospitais psiquiátricos ainda possam carregar resquícios das formas de tratamento manicomiais. A professora Tatiana ressalta que a lógica manicomial pode estar presente independente da instituição e fala sobre a importância da abordagem oferecida pelo tratamento nos Caps:


Uso de drogas

Não se sabe exatamente a origem e a causa da esquizofrenia, mas se reconhece que a condição ocorre em quem possui alguma pré-disposição. Nesse contexto, o uso de drogas pode ser um gatilho para uma crise psicótica, mas não o fator causador da doença.

O professor do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG, Maurício Viotti explica que o uso de drogas pode ser mais comum em pessoas com esquizofrenia:


Aspas Sonoras
As “Aspas Sonoras”, produção do Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG, ampliam a discussão sobre os temas abordados nas séries realizadas pelo programa de rádio Saúde com Ciência. As matérias apresentam áudios e textos inéditos daquilo que foi apurado durante as produções.

A série “Esquizofrenia” foi ao ar entre os dias 9 e 13 de maio de 2016. Nela, foram tratados assuntos como os sintomas, diagnóstico e tratamento da condição, além da realidade do atendimento no Brasil e o combate à psicofobia.

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